O Terminal da Barroquinha é um terminal rodoviário localizado em Salvador, Bahia, Brasil. Foi inaugurado em 7 de novembro de 1982 e passou por reformas em 2000 e 2021. Antes desta reforma de 2021, ocupava uma área de , dos quais eram 210 de área urbanizada e de área construída.
Está inserido na área protegida do Conjunto Arquitetônico, Paisagístico e Urbanístico Centro Histórico da Cidade de Salvador, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1984 e reconhecido como Patrimônio da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) em 1985. E nos arredores do terminal estavam o 2.º Centro de Saúde Prof. Mário Andréa, o cine Tupy e a sede da Cia de Trilhos Centrais.
Está localizada em uma das pontas da Avenida José Joaquim Seabra (conhecida como Baixa dos Sapateiros), próxima à antiga Igreja de Nossa Senhora da Barroquinha e ao Mosteiro de São Bento, enquanto na outra ponta está a Estação do Aquidabã. Portanto, a estação facilita o acesso à região da Baixa dos Sapateiros, bastante conhecida pelo comércio de rua, diversificado, popular e barato, muito embora afetado pela pandemia de COVID-19 na Bahia. Além disso, no seu entorno estão os bairros do Centro, Centro Histórico e Nazaré.
História No período de domínio holandês sobre a cidade (1624-1625), após a Captura da Bahia, houve a construção do Dique Holandês de Salvador, justamente entre a Igreja de Santana e o Terminal da Barroquinha, represando o rio das Tripas. Séculos depois, durante o funcionamento dos bondes elétricos, a Barroquinha funcionava como terminal para aquele modal no início do século XX; além disso, ali estava sediada a Companhia de Trilhos Centrais, que conectava o terminal a outras partes da cidade a partir da Rua da Vala (atual Avenida José Joaquim Seabra).
Entre as décadas de 1970 e 1980, o Governo Federal do Brasil elaborou estudos urbanísticos e planos para Salvador, dentre eles o Programa de Transporte Coletivo (TRANSCOL), que projetou um sistema de transportes marcado por estações de transbordo, no qual a Estação de Transbordo da Lapa (ETL) era a peça-chave e contava também com outros três terminais na área central da cidade (Barroquinha, Campo Grande e França). O arquiteto João Filgueiras Lima (Lelé) chefiou a Coordenação para Implantação do TRANSCOL, coordenou o Escritório de Projetos da Companhia de Renovação Urbana (RENURB), remodelou os estudos e projetos guiando-se pela valorização da região central soteropolitana a partir da cultura e seu caráter popular. Assim, projetou o Terminal da Barroquinha em harmonia ao "anfiteatro natural" colado ao espigão da Avenida Joana Angélica (lado oposto à Lapa), em conciliação entre o uso para o transporte (desembarque segregado e três plataformas laterais de embarque) e os usos para lazer (bares, jardins, comércios e possível grande tela para retroprojeção sobre o Edifício São Bento). Além disso, está conectado à concepção de ocupação dos fundos de vales hidroviários da cidade, como é o caso da Avenida J. J. Seabra estabelecida sobre o vale do Rio das Tripas (afluente do Rio Camarajipe). A empresa Construtora e Pavimentadora Sérvia Ltda., que estava responsável pela implantação da usina de pré-moldados da RENURB, venceu a concorrência para construção do terminal. Justamente feitos em concreto pré-moldado, os abrigos de ônibus da Barroquinha serviram de modelo para aqueles instalados nos fins de linha de ônibus dentro dos bairros da cidade (para que funcionassem como "terminais de bairro").
A construção da estação se deu dentro do planejamento governamental para descentralização do terminal da Praça da Sé, projetando remanejamentos de linhas para terminais periféricos menores, entre eles o da Barroquinha, alargando a base econômica e promovendo valorização ambiental-cultural e ordenação físico-urbanística, com profundas repercussões no Centro de Salvador. Nessa linha, o Plano Diretor de Transportes Urbanos (PDTU-1982) projetou um sistema de corredores de transporte de massa, incluindo uma conexão entre a Barroquinha e a Rótula do Abacaxi.
Como um dos terminais centrais da cidade, compõe a infraestrutura do Sistema de Transporte Coletivo por Ônibus de Salvador (STCO) prévia ao metrô de Salvador (inaugurado em 2014), ao lado das estações da Lapa, da Rodoviária, de Pirajá, de Mussurunga e do Iguatemi e dos demais terminais centrais da Praça da Sé, do Campo Grande e da França. E não foi foi incluída no rol de estações transferidas da gestão municipal para gestão estadual pelo convênio interfederativo de 2013, que permitiu a concretização do projeto metroviário soteropolitano.
Em 2014, sob a gestão de Antonio Carlos Magalhães Neto (ACM Neto), a Prefeitura reformou a Ladeira da Barroquinha, deu fim à tradicional Feira do Couro que existia no local e uma parte dos comerciantes foram para barracas provisórias situadas no Terminal da Barroquinha. Ainda na mesma gestão, os programas Revitalizar e Salvador 360 convergiram para a elaboração de plano de mobilidade da área protegida como Patrimônio da Humanidade e a requalificação das estações de ônibus da Barroquinha e Aquidabã.
Em 2015, por conta de reforma da Estação da Lapa, seis linhas que retornavam na Ladeira de Santana passaram a alcançar a Estação Barroquinha. Novas linhas também foram acrescidas no Terminal do Aquidabã e esse conjunto de alterações da Prefeitura Municipal de Salvador teve por objetivo deslocar trabalhadores da Lapa para esses terminais e aumentar o acesso ao comércio da região da Baixa dos Sapateiros. Segundo a Prefeitura, juntas, as duas estações (Aquidabã e Barroquinha), à época, contavam com a circulação de 72 mil pessoas mensalmente.
Em setembro de 2020, o terminal foi interditado para iniciar obras de requalificação do espaço; nessa época, eram apenas oito linhas que serviam o terminal, conectando com Vale das Pedrinhas, Terminal da Lapa, Parque São Cristóvão, Fazenda Grande do Retiro, Terminal Acesso Norte, Pau da Lima, São Marcos, Estação Pirajá e Paripe. Entre 2020 e 2021, a reforma durou oito meses, seu projeto foi elaborado pela Fundação Mário Leal Ferreira (FMLF) e fez parte de um conjunto de ações da Prefeitura Municipal de Salvador para o Conjunto Arquitetônico, Paisagístico e Urbanístico Centro Histórico da Cidade de Salvador, que também envolveu a reforma do Mercado de São Miguel e da Rua Cônego Pereira. Duas mortes no local em 2024 levaram ao esvaziamento do terminal, cujas linhas passaram a retornar na Ladeira de Santana temporariamente. Apesar da reforma, críticas apontaram a subutilização do equipamento por conta da quantidade de linhas que atendem ao terminal.
Ver também Centro de Salvador Ladeira da Barroquinha Espaço Cultural da Barroquinha Candomblé da Barroquinha Rio das Tripas
Barroquinha Categoria:Transportes de Salvador Categoria:Infraestrutura de transporte terminada em 1982 Categoria:1982 na Bahia