Claude-Philibert Barthelot de Rambuteau (Mâcon, 9 de novembro de 1781 — Charnay-lès-Mâcon, 11 de abril de 1869), mais conhecido como conde de Rambuteau, foi um administrador e político francês. Conselheiro de Estado e par de França, exerceu o cargo de prefeito do Sena entre 22 de junho de 1833 e 24 de fevereiro de 1848, sob o reinado de Luís Filipe I. Deu início à transformação urbanística de Paris que seria continuada, sob o Segundo Império, pelo barão Haussmann, tendo aberto a via que passou a chamar-se rue Rambuteau, ampliado o abastecimento de água e a rede de esgotos da cidade, generalizado a iluminação a gás e instalado centenas de urinóis públicos, conhecidos na época como vespasiennes.
Biografia
Origens e carreira até 1833 Rambuteau nasceu em Mâcon, filho de Claude Barthelot, marquês de Rambuteau, de uma família da nobreza francesa. Foi nomeado chambelão de Napoleão I em 1809 e feito conde do Império em 1810. Serviu como prefeito do Simplon em 1813 e como prefeito da Loire a partir de 1814.
Destituído após a segunda Restauração dos Bourbons, em 1815, retirou-se para a Borgonha, onde permaneceu sem cargo administrativo durante cerca de doze anos. Em 1827 foi eleito deputado por Saône-et-Loire, na circunscrição de Mâcon, tendo-se sentado com a oposição liberal; foi reeleito em 1830 e em 1831. Apoiou o estabelecimento da monarquia de Julho, e Luís Filipe I nomeou-o prefeito do Sena em 1833, tendo-o chamado à Câmara dos Pares em 1835.
Prefeito do Sena (1833–1848) Rambuteau assumiu a prefeitura do Sena um ano depois de uma epidemia de cólera ter assolado Paris, em 1832, episódio que reforçou entre os administradores da época as teorias higienistas sobre a relação entre as ruas estreitas e insalubres do centro da cidade e a propagação de doenças. Adotou como divisa administrativa dar aos parisienses «água, ar e sombra».
Fez abrir uma via de 13 metros de largura junto ao antigo mercado de Les Halles, que recebeu o seu nome a partir de 1839, tornando-se a rue Rambuteau. Sob o seu mandato foram concluídos o Arco do Triunfo e a igreja da Madalena, lançado o projeto da grande avenida dos Campos Elísios e erguido o obelisco de Luxor na Praça da Concórdia.
Saneamento e abastecimento de água Ampliou a rede de canalizações de água em 312 quilómetros e mandou instalar cerca de 2000 fontes públicas, elevando a disponibilidade de água na cidade. Modernizou e ampliou a rede de esgotos de Paris, que passou de menos de 40 quilómetros, construídos ao longo de quatro séculos, para cerca de 96 quilómetros em 1848. Ficou também associado à instalação de mais de 400 urinóis públicos nas ruas de Paris, os quais, em homenagem irónica ao imperador romano Vespasiano, ficaram conhecidos como vespasiennes.
Vias, monumentos e espaços verdes Promoveu o alargamento de ruas estreitas e insalubres do centro da cidade e a plantação de árvores ao longo de avenidas e bulevares. Generalizou a iluminação a gás em Paris, cujo número de candeeiros passou de 69 para cerca de 8600 durante o seu mandato. Sob a sua administração foram lançadas seis novas pontes sobre o Sena e promovida a reconstrução e ampliação do Hôtel de Ville de Paris. Uma lei de expropriação por interesse público, votada em 3 de maio de 1841, procurou facilitar a realização de obras de urbanismo, ainda que continuasse a favorecer os proprietários afetados. Ficou também associado à ampliação dos hospitais parisienses, com a abertura de cerca de 3000 novos leitos.
Deixou o cargo em 24 de fevereiro de 1848, no contexto da Revolução Francesa de 1848 que derrubou a monarquia de Luís Filipe I, tendo sido sucedido por Ariste Jacques Trouvé-Chauvel.
Vida pessoal Casou-se com Marie-Adélaïde-Charlotte de Narbonne-Lara, filha do conde Louis Marie de Narbonne-Lara, com quem teve três filhas. Após deixar a prefeitura do Sena, retirou-se para o departamento de Saône-et-Loire, onde morreu em 1869. As suas memórias foram publicadas postumamente pelo seu neto, em 1905, sob o título Mémoires du comte de Rambuteau.
Homenagens A rue Rambuteau, em Paris, recebeu o seu nome em 1839. A estação Rambuteau, da linha 11 do Metrô de Paris, inaugurada em 1935, presta também homenagem ao antigo prefeito.
Ver também Georges-Eugène Haussmann Les Halles de Paris Sena (departamento)
Referências
Bibliografia Groupe Patrimoine Écrit de Bourgogne, Claude Philibert de Rambuteau (1781-1869). Un homme de son temps. Chambellan, préfet, initiateur de la transformation de Paris, Université pour Tous de Bourgogne, Chalon-sur-Saône, 2018, Mémoires du comte de Rambuteau, publiés par son petit-fils, Calmann-Lévy, Paris, 1905
Ligações externas
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