Joaquim António Carneiro (Carvoeiro, 12 de agosto de 1930 - Portimão, 3 de novembro de 2016), foi um mestre pescador português, resistente antifascista contra o Estado Novo, que, envolvido nos movimentos da oposição democrática, participou nas campanhas eleitorais à presidência da República de Norton de Matos, Arlindo Vicente e Humberto Delgado e, após a «revolução dos cravos», na reforma agrária, bem como teve intervenção cívica, sendo várias vezes candidato em eleições autárquicas pelas listas da APU (Aliança Povo Unido) e da CDU (Coligação Democrática Unitária). Militante do Partido Comunista Português representou-o junto da Câmara Municipal de Portimão. Biografia Atividade profissional Filho de uma operária da indústria conserveira e de um pescador, aos doze anos de idade começou a trabalhar com o pai na faina da pesca no galeão a vapor «São Luís Gonzaga»Construído e adquirido em Vigo, em 1925, pela Sociedade de Pesca «Boa Harmonia», anos mais tarde o galeão a vapor «São Luís Gonzaga», viria a ser transformado em traineira e mudado o nome para «Leãozinho», pelo qual já era anteriormente conhecido, por ter um pequeno leão metálico no topo mastro, e, em 1992, passou a operar como embarcação de atividade marítimo-turística. Com 16 anos, vai para a pesca na Terra Nova, como tripulante do bacalhoeiro «Maria Carlota», um enorme lugre à vela, que no dia 4 de novembro de 1947, debaixo de tempestade, naufraga no meio do Atlântico, tendo sido salvo, bem como os demais companheiros, pelo navio-hospital dos EUA «Charles A. Stafford», que os levaram para Nova IorqueJornal “O Comércio do Porto”, de 5 de novembro de 1947Jornal “O Ilhavense”, de 10 de novembro de 1947. Regressado a Portugal, passa a trabalhar no arrastão «Açor», pertença da Companhia Portuguesa de Pesca, e pesca, quer na costa portuguesa, quer na africana junto a Cabo Branco, na fronteira entre o Saara Ocidental e a Mauritânia. Em 1950 presta o serviço militar obrigatório, tendo estado primeiro na Escola de Marinheiros de Vila Franca de Xira e depois no Arsenal do Alfeite, tendo, ao longo da sua estada na Marinha Portuguesa, integrado as tripulações de uma canhoneira e dos draga-minas da Armada "São Miguel" e "Terceira". Terminado, volta a Portimão para se dedicar à pesca do cerco, e, quando a idade avançou, tornou-se «mestre de terra» ou «mestre de redes» da traineira «Milita», tendo trabalhado até 2015Apresentação de Joaquim Carneiro por Margarida Tengarrinha, a 9 de novembro de 2013, na Casa-museu Manuel Teixeira Gomes, em Portimão, na inauguração da exposição «A Odisseia de mestre Joaquim Carneiro».

Atividade política Resistente antifascista, em 1948/49, apoiou ativamente a campanha eleitoral presidencial de Norton de Matos, e, no final da década seguinte, as de Arlindo Vicente e Humberto Delgado, e, 1969 e 1973, durante as eleições legislativas de 1969 e 1973, os candidatos a deputados pelas listas do Movimento Democrático Português/Comissão Democrática Eleitoral (MDP/CDE). Após a Revolução de 25 de Abril de 1974, envolveu-se na reforma agrária numa UCP (Unidade Coletiva de Produção) próxima de Grândola e fundou em Portimão a Associação de Amizade Portugal-URSS. Em 1977, chefiou uma delegação, de trinta pessoas, em viagem à União Soviética. Foi, em várias vezes eleições autárquicas, candidato pelas listas da APU (Aliança Povo Unido) e da CDU (Coligação Democrática Unitária). Foi dirigente sindical, e militou, durante mais de quatro décadas, no Partido Comunista Português, tendo sido apoiante das candidaturas de Jerónimo de Sousa à presidência da República Portuguesa. Pertenceu à Comissão Concelhia de Portimão do PCP e foi representante do partido na Comissão de Toponímia da Câmara Municipal de Portimão. miniaturadaimagem| center|Joaquim Carneiro (à esquerda na imagem) com José Veloso, Aljezur, 1 de maio de 2015 Reconhecimento A fotógrafa, fotojornalista e artista plástica Apoema Calheiros apresentou ao público a exposição «A Odisseia de mestre Joaquim Carneiro», sobre a história de vida deste pescador e político algarvio, que esteve patente, na Casa-museu Manuel Teixeira Gomes, Portimão, de 9 de novembro a 3 de dezembro de 2013; na Galeria Espaço+, Aljezur, de 2 de agosto a 21 de novembro de 2014; e no Museu do Mar e da Terra da Carrapateira, de 2 de abril a 31 de maio 2015 miniaturadaimagem|centro|Joaquim Carneiro, em 2015, numa das exposições em que foi homenageado O jornal «Barlavento«, por ocasião da sua morte, publicou, na sua edição de 10 de novembro de 2016, um extenso intitulado a «A Odisseia de mestre Joaquim Carneiro»

Ligações externas Casa Manuel Teixeira Gomes: exposição de fotografia "Odisseia de Mestre Joaquim Carneiro"

Categoria: Nascidos em 1930 Categoria: Mortos em 2016 Categoria:Naturais de Lagoa (Algarve) Categoria:Antifascistas de Portugal Categoria:Opositores da ditadura portuguesa Categoria:Políticos do Partido Comunista Português Categoria:Homens do século XX Categoria:Portugueses do século XX Categoria:Homens do século XXI Categoria:Portugueses do século XXI