Brutóbriga foi uma antiga povoação de fundação hispano-romana localizada na província da Lusitânia cuja localização geográfica exata permanece um dos maiores mistérios da arqueologia peninsular. Fundada presumivelmente por volta de 138 a.C. pelo cônsul romano Décimo Júnio Bruto (o Galaico) durante as suas campanhas de pacificação e submissão dos povos lusitanos, a cidade apresenta um topónimo híbrido que funde o nome do general romano com o sufixo de origem celta -briga, o qual designava uma povoação fortificada ou uma colina. Na ausência de relatos detalhados na literatura clássica — excetuando breves referências geográficas como as do geógrafo Estrabão, que a situava numa área difusa entre os rios Tejo e Guadiana —, o testemunho mais irrefutável da sua existência e relevância administrativa reside na sua abundante produção numismática datada da segunda metade do século II a.C. e do século I a.C. Estas moedas de bronze, essencialmente asses de tipologia ibérica, exibem no anverso uma cabeça masculina e no reverso uma proa de navio acompanhada por um peixe (frequentemente identificado como um atum) e pela legenda BRVTOBRIGA, evocando uma comunidade com forte pendor para o comércio fluvial ou marítimo, além de gravarem nomes de magistrados romanos como T. MANLIVS T. F. SERGIA (Tito Mânlio, filho de Tito, da tribo sérgia). Atualmente, o debate académico sobre o seu paradeiro divide-se entre a hipótese portuguesa, que aponta para a região do Ribatejo entre Santarém e Abrantes devido à proximidade ao Tejo, e a hipótese espanhola, fortemente sustentada por numismatas e arqueólogos que, face à enorme concentração de achados monetários na província de Badajoz, propõem o sítio arqueológico de Cerro de Botija, no município de Villanueva de la Serena (Extremadura), como o verdadeiro assentamento desta mítica urbe perdida.https://addi.ehu.es/bitstream/handle/10810/35835/Veleia%207%20131-146.pdf

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