Catraleuco (também grafada como Catraleucos ou Cataleuco, do grego clássico Κατραλευκός), descrita pelo geógrafo helenístico Cláudio Ptolomeu no século II d.C. na sua obra Geografia, foi uma antiga povoação de origem céltica situada no interior da província romana da Lusitânia. Durante séculos, a historiografia tradicional portuguesa e os eruditos do Renascimento assentaram na tese filológica de que o topónimo derivava da hibridização do latim Castra com o grego leukos («branco»), gerando a forma Castra Leuca («Castelo Branco»), a qual surgia frequentemente associada à vizinha localidade de Pyrgileucos (Πύργοι Λευκοί, «Torres Brancas»); esta simetria etimológica fundamentou o mito fundacional que vinculou diretamente as coordenadas antigas à atual cidade e concelho de Castelo Branco, na Beira Baixa. Contudo, a arqueologia e a crítica histórica contemporâneas, com particular destaque para os estudos do arqueólogo Jorge de Alarcão, refutaram esta hipótese ao demonstrarem os erros sistemáticos de cálculo e as distorções cartográficas presentes nas longitudes e latitudes ptolemaicas. Com base na retificação desses dados e na análise das redes viárias romanas, as correntes científicas modernas deslocaram a provável localização de Catraleuco do interior beirão para o litoral atlântico, propondo que se tratasse, na verdade, de um importante entreposto comercial ou complexo portuário romano, correspondendo hoje às ruínas arqueológicas de Troia (Grândola) ou de Sines, ou, alternativamente, a um povoado indígena fortificado no Alentejo central, na zona de Alcáçovas. Embora a sua localização exata permaneça sem confirmação epigráfica definitiva, Catraleuco subsiste como um elemento de grande relevância para o estudo da evolução da toponímia e da geografia histórica da Península Ibérica.

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