O Juramento de Riduão (), também conhecido como Juramento da Árvore (), foi um juramento de fidelidade prestado pelos seguidores de Maomé em Hudaibia, em Dulcada de 6 A.H. (março de 628), durante a expedição que culminou no Tratado de Hudaibia. O juramento ocorreu depois que se difundiu entre os muçulmanos a notícia de que Otomão ibne Afane, enviado por Maomé a Meca para negociar com os coraixitas, havia sido morto.
Diante da possibilidade de um confronto com os mecanos, Maomé reuniu seus seguidores sob uma árvore e recebeu deles o juramento. As tradições divergem quanto ao conteúdo exato do compromisso: algumas afirmam que os participantes prometeram não fugir do combate, enquanto outras o apresentam como um juramento de lutar até a morte. Cerca de 1 400 ou 1 500 homens teriam participado, embora as fontes transmitam outros números. A notícia da morte de Otomão revelou-se falsa, e as negociações prosseguiram até a conclusão do Tratado de Hudaibia.
A denominação "Juramento de Riduão" deriva do versículo 18 da sura al-Fath, segundo o qual Deus se agradou dos crentes que juraram fidelidade a Maomé sob a árvore, sendo Riḍwān associado ao beneplácito ou satisfação divina. O elogio corânico conferiu particular prestígio aos participantes do juramento entre os companheiros de Maomé, que também ficaram conhecidos como aṣḥāb al-shajara ("homens da árvore"). O local e a árvore permaneceram associados à memória do acontecimento na tradição islâmica.
Contexto
O Juramento de Riduão ocorreu em Hudaibia, em Dulcada de 6 A.H. (março de 628), durante a expedição que culminaria no Tratado de Hudaibia. Maomé havia partido de Medina em direção a Meca com seus seguidores para realizar a unra, mas os coraixitas impediram sua entrada na cidade. Depois de contatos entre as duas partes, Maomé enviou Otomão ibne Afane a Meca para negociar com os coraixitas. A demora de Otomão em retornar levou à difusão entre os muçulmanos da notícia de que ele havia sido morto. Diante da suposta morte de seu emissário, Maomé decidiu que ela deveria ser vingada e convocou os integrantes da expedição a prestar-lhe um juramento de fidelidade. Os participantes reuniram-se em torno dele sob uma árvore em Hudaibia e comprometeram-se a permanecer ao seu lado no confronto que parecia iminente com os mecanos. Watt observa que uma batalha nessas circunstâncias representaria grande risco para os muçulmanos, pois haviam partido como peregrinos, levavam apenas armamento leve e estavam cansados depois de quase duas semanas de marcha.
Juramento
As tradições divergem quanto ao conteúdo exato do compromisso assumido em Hudaibia. Segundo algumas versões, os participantes juraram não fugir do combate, enquanto outras apresentam o compromisso como um juramento até a morte. Aluaquidi transmite ainda uma versão segundo a qual Sinane ibne Abi Sinane foi o primeiro a prestar o juramento, declarando a Maomé: "Juro fidelidade a ti e àquilo que desejares"; Maomé teria então recebido dos demais participantes o mesmo juramento prestado por Sinane. Watt considera que as diferentes versões não permitem determinar com segurança uma fórmula única para o juramento, mas todas o situam no contexto da possibilidade imediata de confronto com os coraixitas. Otomão, cuja suposta morte havia provocado a realização do juramento, encontrava-se em Meca e não pôde participar pessoalmente. Antes de seu retorno, Maomé declarou que Otomão estava agindo em nome de Deus e de seu mensageiro e que prestaria o juramento por ele, colocando então sua mão direita sobre a esquerda. As fontes apresentam números diferentes para os participantes. As estimativas mais conhecidas os situam em torno de ou homens, embora também sejam transmitidos outros números. Entre os presentes encontrava-se Abedalá ibne Mugafal, que, segundo uma tradição, segurou um dos ramos da árvore para proporcionar sombra a Maomé durante o juramento.
Nem todos os integrantes da expedição participaram. Watt menciona especificamente Aljade ibne Caice, que se recusou a prestar o juramento. Segundo ele, Aljade foi pouco depois destituído por Maomé da chefia dos ançares dos salimaítas, sendo substituído por um novo chefe. Watt interpreta o episódio como um indício do fortalecimento da autoridade de Maomé naquele período e considera que o juramento representou tanto um aumento formal de sua autoridade quanto uma manifestação de seu crescente poder sobre a comunidade. A notícia da morte de Otomão revelou-se falsa. As negociações com os coraixitas prosseguiram e resultaram pouco depois no Tratado de Hudaibia, pelo qual os muçulmanos concordaram em retornar a Medina sem realizar a unra naquele ano, recebendo permissão para voltar a Meca no ano seguinte.
Nome e memória
O juramento tornou-se conhecido como Juramento de Riduão (Bayʿat al-Riḍwān) em razão da passagem da sura al-Fath que se refere ao episódio: o versículo 18 afirma que Deus se agradou dos crentes quando estes juraram fidelidade a Maomé sob a árvore. O nome Riḍwān, relacionado à satisfação ou beneplácito divino, deriva dessa passagem. O episódio também é denominado Bayʿat al-Shajara, "Juramento da Árvore", e seus participantes ficaram conhecidos coletivamente como os integrantes do Juramento de Riduão e, nas fontes, também como aṣḥāb al-shajara, "homens da árvore". A participação no juramento adquiriu posteriormente importância na avaliação do estatuto dos companheiros de Maomé. Os participantes passaram a constituir um grupo reconhecido nas classificações tradicionais dos companheiros, em virtude do elogio que lhes é dirigido no Alcorão. A árvore sob a qual o juramento havia ocorrido também foi associada à memória do acontecimento. Segundo uma tradição, quando alguns dos participantes regressaram ao lugar no ano seguinte, já não conseguiram identificá-la. Em época posterior, uma árvore considerada a mesma — ou tomada como sua substituta — começou a ser visitada, e pessoas passaram a realizar orações junto a ela. A tradição afirma que o califa Omar ordenou que fosse cortada por receio de que viesse a ser sacralizada.
Bibliografia
Categoria:Juramento de Riduão