Fantina Amélia de Menezes, mais conhecida pelo nome artístico de Fantina Aires (ou Fantina Ayres) (Crato, 3 de novembro de 1891 — Crato, 11 de abril de 1981), foi uma atriz, cantora de musicais, e pioneira do teatro de revista cearense. Foi uma das principais estrelas do Club Romeiros do Porvir, motivo pelo qual entrou para a história como a primeira grande dama do teatro cearense.

Por sua condição de anciã e de testemunha ocular de eventos históricos da região, teve suas memórias usadas como fonte por pesquisadores na definição do local exato de nascimento do Padre Cícero, de quem era parente próxima.

Biografia Nasceu na fazenda açucareira das Porteiras, então parte do município do Crato, Ceará. Era filha caçula do político e latifundiário Coronel Aristides Ferreira de Menezes e de sua esposa Anna Leopoldina de Menezes Maia, por meio de quem era neta do Coronel "Mainha", José Francisco Pereira Maia.

Destacou-se no cenário artístico estadual ao tornar-se uma das damas pioneiras do teatro cearense. Atuou como atriz e intérprete musical, com forte evidência na encenação de espetáculos musicais, e no gênero do teatro de revista. Teve papel central como a grande estrela da companhia teatral Romeiros do Porvir, encabeçada pelo juiz de direito local, Dr. Manoel Soriano Albuquerque.

Era irmã caçula do revolucionário pela emancipação da cidade de Juazeiro do Norte, Paulo Maia; e prima-irmã do escritor Paulo Elpídio de Menezes.

Carreira Sua estreia no meio artístico se deu em 1º de Janeiro de 1901, quando, com apenas 10 anos incompletos, protagonizou junto a Pia Esmeraldo Álvares Cabral a cerimônia que marcou o início do Século XX. Na solenidade pública, encenou um anjo em cortejo pelas ruas da cidade que levava sobre um carro de boi um grande crucifixo a ser fincado no alto da cidade, como marco da passagem do século, até hoje fixado na Praça Cruz do Século, no bairro Pinto Madeira.

Ainda pré-adolescente, seguiu os passos da irmã mais velha Anna Amélia de Menezes (1886-1976), "Donana Ayres", que já despontava como atriz principal na cena teatral cearense. Por sua voz canora, destacou-se como estrela da companhia pelo seu talento em prender o público nas comédias musicais, e atingiu o estrelato com o sucesso do espetáculo "Crato de Alto Abaixo".

Embora a atividade artística não fosse bem vista pela sociedade da época, as circunstâncias intelectuais imprimidas pelos membros da companhia, que era chefiada pelo juiz da cidade e integrada pelos alunos do célebre Colégio Leão XIII, permitiram que moças de boas famílias fossem estimuladas a participar do teatro, já que seus pais enxergavam com vaidade aristocrática a natureza erudita das apresentações.

Para cativar os gostos cerimoniosos da tradicional sociedade da época, as produções eram leves e românticas, e tratavam de temas poéticos em tons sutis, numa versão mais inocente e graciosa do que aquela que o teatro de revista assumiria nos anos 20. Com cenários extravagantes e figurinos ricamente elaborados, Fantina costumava interpretar personagens abstratos como "A Lua", "A Primavera", "A Saudade", ou "A Justiça", entre demais elementos subjetivos que guiavam o enredo lírico das peças.

Mesmo após a irmã Donana deixar a companhia, não só continuou ativa no ramo, como também logrou ênfase própria no meio cênico, passando a atuar no "Grupo Dramático Cratense", o que lhe rendeu fabulosas críticas de jornal pela sua representação na obra "Um Erro Judicial".

Por consequência das intensas disputas e perseguições políticas locais sofridas por sua família no Cariri cearense após a queda do grupo político de seu pai, alguns de seus irmãos passaram a omitir o sobrenome "Menezes", adotando o "Aires" (ou Ayres), alcunha que também marcou a identidade artística da atriz.

Em função desses mesmos conflitos políticos, o panorama artístico da cidade foi dissolvido, em razão da fragmentação da pequena elite em grupos adversários, o que estimulou os latifundiários a deixarem o convívio social urbano e voltarem-se ao isolamento de suas propriedades, de modo a interromper a vida dramática de Fantina no auge de sua atividade.

Vida Pessoal e Morte Finda a intensa, mas breve, carreira, Fantina Aires seguiu para a vida adulta trabalhando no comércio ao lado do irmão Pedro, e passou pela maturidade e pela velhice produzindo peças de tricô e cocadas de rapadura, como resquício dos velhos dias de engenho. Solteira, cuidou e foi cuidada pelos sobrinhos, com quem viveu e para quem se dedicou até o fim.

Faleceu por complicações de um acidente vascular cerebral na sua cidade natal, em 11 de abril de 1981, aos 89 anos de idade, em circunstâncias muito discretas, mas deixando seu nome e sua antiga fama lavrados de forma definitiva no histórico artístico regional.

Ver também

Teatro de revista Cultura do Ceará

Referências

Categoria:Naturais do Crato (Ceará) Categoria:Atrizes brasileiras do século XX