Laura Wheeler Waring (26 de maio de 1887 – 3 de fevereiro de 1948) foi uma artista e educadora afro-americana conhecida pelas pinturas que realizou de paisagens, naturezas-mortas e retratos realistas de personalidades afro-americanas no contexto do Renascimento do Harlem. Republished in: Durante sua vida, a artista enfrentou esteriótipos raciais nas artes plásticas engajando-se no retrato de pessoas negras em seu cotidiano como principal meio poético.
Primeiros anos de vida e educação miniaturadaimagem|240x240px| Reprodução em preto e branco de "Heirlooms", exposição do New York Watercolor Club de 1916. Laura Wheeler nasceu em 26 de maio de 1887, em Hartford, Connecticut. A artista viveu uma realidade singular em relação à maioria da população negra americana da época, desfrutando de certa segurança financeira e rodeada por familiares ligados ao estudo acadêmico, destacando-se que cinco gerações antes dela sua família já circulava entre universidades. Ela foi a quarta de seis filhas de Mary (nascida Freeman) e do Reverendo Robert Foster Wheeler. Sua mãe era professora e artista amadora; filha de Amos Noë Freeman, um ministro presbiteriano, e de Christiana Williams Freeman, uma costureira proeminente em atividades antiescravistas, como a Underground Railroad. Seu pai era o pastor da Igreja Congregacional da Rua Talcott, a primeira igreja totalmente negra em Connecticut.
Waring frequentou a Hartford Public High School, onde teve reconhecido seu talento na pintura. Lá, se formou em 1906. No mesmo ano, começou a lecionar em tempo parcial na Escola de Formação de Professores de Cheyney, na Filadélfia. Posteriormente, a Escola seria renomeada como Faculdade Estadual de Professores de Cheyney, e atualmente é conhecida como Universidade de Cheyney. Seu trabalho em Cheyney, como professora de artes e música, era extenuante, pois o espaço escolar tratava-se de um internato e ela frequentemente precisava trabalhar à noite e aos domingos, além dos verões nos quais despendia tempo ensinando desenho em Harvard e Columbia para ganhar um dinheiro extra. Tal realidade limitava-a enquanto artista, tendo pouco tempo de praticar pintura e desenho, o que levou a uma diminuição da produção artística no período de 1906 a 1914.
Ainda enquanto lecionava, Waring estudou na Academia de Belas Artes da Pensilvânia, na Filadélfia, graduando-se em 1914. No ano em que se graduou, ela recebeu da Academia onde estudava a Bolsa de Viagem Memorial A. William Emlen Cresson para estudar arte no Louvre, em Paris, tornando-se assim a primeira mulher negra a receber o prêmio.
Primeira vez em Paris direita|miniaturadaimagem| Natureza-morta com tulipas e estatueta Durante sua viagem à Europa, oportunidaza pela bolsa de estudos, Waring estudou na Académie de la Grande Chaumière em Paris, na França, aproveitando também para viajar por toda a Grã-Bretanha. Na cidade francesa, a artista costumava frequentar o Jardim de Luxemburgo e o pintou no quadro Le Parc Du Luxembourg, de 1918. A obra é uma pintura a óleo sobre tela, baseada em um esboço que Waring fez durante uma de suas visitas frequentes ao parque. Laura Wheeler Waring também passou muito tempo no Museu do Louvre estudando grandes artistas impressionistas como Monet, Manet e Cézanne; além de Jean-Baptiste Camille Corot, pintor realista cuja obra, sobretudo aquela ligada às pinturas de paisagens, inspirou os artistas impressionistas.
Waring planejava viajar para outros países da Europa, como Suíça, Itália, Alemanha e Holanda, mas sua viagem foi interrompida quando a 1ª Guerra Mundial foi declarada na Europa. Por esse motivo, a artista precisou retornar aos Estados Unidos apenas três meses depois de sua estadia no continente europeu. A viagem de Waring na época teve pouco efeito em sua carreira, mas é considerada uma grande influência sobre ela e seu trabalho como artista. Receber a bolsa deu a ela mais tempo para se dedicar ao trabalho artístico, e, como o prêmio era muito prestigiado, também lhe proporcionou certa publicidade.
Após retornar da Europa, Waring continuou a ensinar artes na Universidade Cheyney, na Pensilvânia, permanecendo na instituição pelos próximos 30 anos. Lá, ela fundou os departamentos de arte e música da escola. Nos seus últimos anos em Cheyney, ela se tornou diretora dos programas de arte.
Segunda passagem por Paris (1924–1925) Em junho de 1924, poucos anos depois do fim da 1ª Guerra Mundial, Waring retornou a Paris. Sua segunda viagem à cidade francesa foi considerada um ponto de virada tanto em seu estilo, quanto em sua carreira. Segundo a artista, esse foi o "único período de dedicação contínua à vida artística em um ambiente e com companheiros que eram um estímulo e inspiração constantes". Durante aproximadamente quatro meses, Waring viveu na França, onde começou uma produção de retratos em larga escala. Em outubro, a artista se matriculou na Académie de la Grande Chaumiére, onde estudou pintura. Durante esta viagem, ela exibiu seu trabalho em galerias de arte parisienses pela primeira vez.
No ano seguinte, em janeiro de 1925, Waring viajou para o sul da França, onde passou quatro dias em Villefranche-sur-Mer. Lá, ela dedicou seu tempo a criar ilustrações de pequenas histórias de viagem e desenhos figurativos a bico de pena e tinta para a revista The Crisis. Esses desenhos incluíam uma ilustração intitulada Once More We Exchange Adieu, um desenho de uma mulher afro-americana trajada com um vestido moderno de mangas compridas e gola, sapatos pretos de salto alto e segurando uma pasta. A mulher retratada acena em despedida para uma mulher branca e uma criança, ambas vestidas com roupas de inverno.
Ao longo do tempo, Waring substituiu ons tons suaves e pastéis assumidos em suas pinturas iniciais por um método mais vibrante e realista. A obra Houses at Semur, France, de 1925, é uma pintura de óleo sobre tela considerada pelos historiadores da arte como um marco na mudança estilística que Waring continuou a exercer por toda sua carreira.
Trabalho posterior miniaturadaimagem| Retrato de Marian Anderson, 1944 No ano de 1927, Waring participou da primeira exposição de arte afro-americana dos Estados Unidos, iniciativa realizada pela Fundação William E. Harmon. Ela foi contratada pela Fundação Harmon para fazer retratos de afro-americanos proeminentes e escolheu alguns associados ao Renascimento do Harlem. Seu trabalho foi rapidamente incorporado a exibições em instituições americanas, incluindo a Corcoran Gallery em Washington, DC, o Brooklyn Museum e o Museu de Arte da Filadélfia. Atualmente também é possível encontrar retratos da artista na Smithsonian National Portrait Gallery.
Em 1931, uma ilustração de Waring apareceu na revista The Crisis. Tratava-se de um desenho em preto e branco de uma cena da natividade com um Rei Mago negro admirando o nascimento de Cristo.
Em 1944, oito de seus retratos foram incluídos na exposição Portraits of Outstanding Americans of Negro Origin (Retratos de Americanos Notáveis de Origem Negra) na Smithsonian Institution. Entre os retratados por ela estavam Marian Anderson, WEB DuBois, James Weldon Johnson e Mary White Ovington.
Além de uma exposição póstuma na Universidade Howard em 1949, acredita-se que as pinturas feitas por Waring em Paris não tenham sido exibidas, sendo seu paradeiro é desconhecido.
Além da atuar como pintora, Waring também escreveu e ilustrou um conto em parceria com sua amiga e romancista Jessie Redmon Fauset, que a acompanhou durante todas as viagens para a França feitas na época. Neste mesmo período, a artista escreveu o conto "Dark Algiers and White" para a revista The Crisis, sendo o texto publicado posteriormente.
Waring participou de exibições nacionais, mas também de exposições locais na região da Filadélfia. Em 1930, ela, Allan R. Freelon e Henry B. Jones contribuíram com obras para a exposição Negro Study Club na Berean School.
A exposição de 2024 do Museu Metropolitano de Arte, intitulada The Harlem Renaissance and Transatlantic Modernism, apresentou novamente a obra de Waring a um novo público. A mostra contou com nove pinturas de Waring, várias das quais pertenciam a coleções privadas de familiares.
A pintura de Waring chamada Girl with Pomegranate é usada como imagem de capa do catálogo da exposição do Museu Metropolitano, que tem curadoria de Denise Murrell. Segundo a curadora, a "publicação também inclui trabalhos de colaboradores menos conhecidos, incluindo Laura Wheeler Waring e Samuel Joseph Brown, Jr., que adotaram uma abordagem mais clássica para retratar sujeitos negros com dignidade, interioridade e gravidade."
Vida pessoal Laura Wheeler casou-se com Walter Waring em 23 de junho de 1927. Ele era da Filadélfia e trabalhava como professor no sistema de escolas públicas. Quando se casaram, o dinheiro era escasso, e por isso tiveram que adiar a lua de mel por dois anos. Em 1929, eles viajaram para a França, onde permaneceram por mais de dois meses. O casal não teve filhos. Waring era conhecida por evitar realizar aparições públicas e optar por uma vida discreta.
Morte Waring morreu em 3 de fevereiro de 1948, em sua casa na Filadélfia, após permanecer doente por um longo período. Ela foi sepultada no Cemitério Eden em Collingdale, Pensilvânia. Um ano depois de seu falecimento, a Galeria de Arte da Universidade Howard, em Washington, DC, realizou uma exposição de arte em sua homenagem.
O trabalho de Waring foi incluído na exposição de 2015 We Speak: Black Artists in Philadelphia, 1920s-1970s no Woodmere Art Museum.
Lista de obras
Heranças (aquarela) (1916) Anna Washington Derry (1927) Uma Dança em Círculo (1935) Nu em relevo (1937) Dançarina de Jazz 1 (1939) Natureza-morta com tulipas e estatueta (cerca de 1940) Retrato de Alma Thomas (1945)
Retratos 256x256px238x238px249x249px239x239px WEB Du Bois James Weldon Johnson Anna Washington Derry Alice Dunbar Nelson
Ilustrações +miniaturadaimagem|324x324pxminiaturadaimagem|318x318px "Quando nos despedirmos." 1925. Desenho inspirado em Peter Paul Rubens Adoração dos Magos (1626-1627). 1931.
Categoria:Renascimento do Harlem Categoria:Mortos em 1948 Categoria:Nascidos em 1887 Categoria:Mulheres nas artes Categoria:Artistas dos Estados Unidos Categoria:Pintores dos Estados Unidos Categoria:Arte-educadores
Bibliografia
Ligações externas
Laura Wheeler Waring no Hall da Fama das Mulheres de Connecticut Galeria Nacional de Retratos do Smithsonian Artigo sobre Waring . na seção de Mídia Visual e Impressa Afro-Americana do Arquivo Nacional