Sebastião Carreta (Fundão, 1934) é um político brasileiro que exerceu, em três períodos, o cargo de prefeito de Fundão, no estado do Espírito Santo. Sua trajetória política também incluiu mandato de vereador, atuação na Assembleia Legislativa do Espírito Santo e cargos no governo estadual. Foi prefeito de Fundão entre 1973 e 1977, entre 1983 e 1988 e entre 1993 e 1996. Biografia Sebastião Carreta nasceu em 1934, no município de Fundão, filho de Aleixo Carreta e Elvira Tranhago. Em 1959, casou-se com Cercina Mattos, natural de Cachoeiro de Itapemirim, que posteriormente também teve atuação na educação e na administração pública municipal de Fundão. A trajetória política de Carreta começou no contexto do bipartidarismo estabelecido durante a ditadura militar brasileira. Filiado ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), exerceu mandato de vereador de 1970 a 1972. Nas eleições municipais de 1972, foi eleito prefeito de Fundão pelo MDB, tornando-se uma das principais lideranças políticas do município nas décadas seguintes. Primeiro mandato como prefeito Carreta assumiu a prefeitura em 31 de janeiro de 1973, sucedendo Jeovah Miranda Ferreira. Seu primeiro mandato estendeu-se até 30 de janeiro de 1977. A eleição de Carreta representou uma mudança relevante na política municipal de Fundão: segundo estudos sobre a história política local, sua vitória interrompeu um longo período de predominância de grupos ligados a Enéas Castor Ferreira, figura de grande influência política no município desde as décadas anteriores. No encerramento de seu primeiro período à frente do Executivo municipal, a Lei nº 468, de 27 de setembro de 1976, aprovou o orçamento-programa de Fundão para 1977. O planejamento previa despesas relevantes em transporte, saúde e saneamento, educação e cultura, habitação e urbanismo, assistência social e previdência, além de manutenção e expansão da infraestrutura urbana e das estradas municipais. Atuação no Espírito Santo Depois de deixar a prefeitura em 1977, Carreta trabalhou na Assembleia Legislativa do Espírito Santo como assessor parlamentar do deputado Dilton Lyrio, entre 1978 e 1982. Nas eleições municipais de 1982, voltou a concorrer à prefeitura de Fundão e foi eleito pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), assumindo um segundo mandato em janeiro de 1983. Ao longo da década de 1980 e início da década de 1990, ampliou sua atuação para a política estadual. De janeiro de 1989 a abril de 1990, exerceu o cargo de diretor-presidente do Diário Oficial do Estado do Espírito Santo, durante o governo de Max Mauro. De maio de 1990 a abril de 1992, foi secretário de Estado do Interior, função exercida durante os governos de Max Mauro e Albuíno Azeredo. Também ocupou a presidência de conselhos de administração do Diário Oficial, da Companhia Espírito Santense de Saneamento (Cesan) e da Companhia Habitacional do Espírito Santo (Cohab-ES). Segundo mandato como prefeito Eleito em 1982, Carreta iniciou seu segundo período como prefeito em 31 de janeiro de 1983. Permaneceu no cargo até 31 de dezembro de 1988. Durante esse período, manteve sua atuação política vinculada ao PMDB e consolidou uma rede de alianças que incluía lideranças municipais e estaduais. Estudos sobre a política de Fundão nas décadas de 1970, 1980 e 1990 apontam que as relações entre a política municipal e o governo estadual tiveram papel importante na organização das lideranças locais e na obtenção de apoio político e administrativo. Terceiro mandato e atuação administrativa Em 1992, Carreta voltou a disputar a prefeitura de Fundão, desta vez pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT), sendo eleito para seu terceiro mandato. Assumiu em 1º de janeiro de 1993 e permaneceu até 31 de dezembro de 1996. Durante o terceiro mandato, a administração municipal aprovou normas relacionadas à organização dos serviços públicos e às políticas de saúde. Entre os atos sancionados por Carreta estão a Lei nº 837, de 22 de novembro de 1994, que instituiu o Código de Posturas do município, e a Lei nº 874, de 20 de setembro de 1996, que instituiu o Código de Saúde de Fundão e regulamentou ações de organização, fiscalização e controle dos serviços municipais de saúde. A legislação municipal do período também registra medidas de organização administrativa e orçamentária. Em 1993, por exemplo, leis sancionadas por Carreta contemplaram dotações para atendimento médico e odontológico, manutenção do Hospital Geral de Fundão, obras e urbanismo, iluminação pública, eletrificação rural e estradas municipais. Questões judiciais posteriores Após o encerramento de seu terceiro mandato, Carreta foi parte em uma ação civil pública de improbidade administrativa movida pelo Município de Fundão, relacionada ao recebimento de subsídios e verbas de representação durante o exercício do cargo de prefeito entre 1993 e 1996. Em recurso julgado em 11 de junho de 2013, o Tribunal de Justiça do Espírito Santo reconheceu a existência de coisa julgada em razão de decisão anterior que havia considerado de boa-fé o recebimento das verbas e julgou procedente o recurso de Carreta, reformando a sentença absolvendo-o das imputações. Acervo histórico e reconhecimento A trajetória política de Sebastião Carreta e de sua esposa, Cercina Mattos Carreta, gerou um acervo fotográfico familiar posteriormente incorporado a um projeto de preservação da memória de Fundão. Segundo pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo e do Arquivo Público do Estado, o acervo particular da família reunia 1.092 fotografias, registrando inaugurações, obras, visitas de autoridades, ações sociais, eventos educacionais e atividades culturais, além de encontros com políticos estaduais e nacionais. Uma cópia digital do acervo foi doada à Casa da Cultura de Fundão. Em 2026, a Câmara Municipal de Fundão aprovou por unanimidade uma moção de aplauso em reconhecimento à trajetória de vida de Sebastião Carreta e aos serviços prestados ao município e ao estado do Espírito Santo. Vida pessoal Cercina Mattos Carreta, esposa de Sebastião, teve atuação destacada na educação de Fundão. Foi professora, diretora do Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL), secretária municipal de Educação e secretária municipal de Ação Social. Também participou da criação da Associação Pestalozzi de Fundão, em 1992. Em 2018, a Prefeitura de Fundão inaugurou um núcleo de atendimento educacional especializado com seu nome, em reconhecimento à sua trajetória como educadora. Referências
Bibliografia GOBBI, Gabriela de Oliveira; FURTADO, Marcello França; SÁ, Jessica Dalcolmo de. Experiências interdisciplinares nos acervos históricos de Fundão. Revista do Arquivo Público do Estado do Espírito Santo, 2024. RANGEL, Sávio Pulcheira. A influência da política estadual na organização política do município de Fundão nas décadas de 1970, 1980 e 1990. Anais do 6º Seminário Brasileiro de História da Historiografia, 2012.
Categoria:Prefeitos de Fundão (Espírito Santo)