Thiago Braga Dias Lima (nascido em 1987), conhecido profissionalmente como Thiago Braga, é um professor, historiador, youtuber, escritor, colunista e empresário luso-brasileiro. Tornou-se conhecido como criador dos canais de história Impérios AD e Brasão de Armas, que, em março de 2026, somavam mais de 1,9 milhão de inscrições no YouTube. É servidor público concursado desde 2010 e integrante do corpo docente da Faculdade de Educação Tecnológica do Estado do Rio de Janeiro em Petrópolis, mantém uma coluna sobre história no jornal Gazeta do Povo e publicou o livro Mitologia Soviética: Os mitos fundadores do comunismo russo (2025).
Formação e docência
Braga é licenciado em Letras, com habilitação em português e inglês, e concluiu uma segunda licenciatura em História em 2023, no Centro Universitário Venda Nova do Imigrante. Fez especialização em Língua Inglesa na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro em 2009 e, entre 2021 e 2022, em Ciências Humanas: História, Filosofia e Sociologia na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.
Segundo perfil publicado pelo Diário de Petrópolis, começou a lecionar em 2008. Em 2010, após aprovação em concurso público, assume o cargo de professor efetivo DOC I na SEEDUC RJ. Em 2014, após nova aprovação em concurso, é convocado para assumir o cargo efetivo do magistério na Fundação de Apoio à Escola Técnica do Estado do Rio de Janeiro, à qual a Faeterj Petrópolis é vinculada. A relação institucional do corpo docente no site oficial da instituição confirma seu vínculo atual com a unidade.
Produção de conteúdo e atuação pública
Em dezembro de 2018, Braga criou o canal Impérios AD, inicialmente dedicado a vídeos de história geral produzidos com animações e humor. Em dezembro de 2021, lançou o Brasão de Armas, voltado a exposições sobre história, conflitos militares e análises de representações históricas em filmes, séries, jogos e animações. Um estudo publicado em 2019 na revista Tecnia, do Instituto Federal de Goiás, incluiu o Impérios AD entre os canais que divulgavam conhecimento histórico para um público não especializado por meio de desenhos animados.
Os dois canais abordam sobretudo história militar, Antiguidade e Idade Média, mas também tratam de temas como escravidão moderna, Revolução Industrial e Segunda Guerra Mundial. O Impérios AD distingue-se pelo uso de animação, enquanto o Brasão de Armas emprega predominantemente a apresentação direta do autor. Braga também passou a assinar uma coluna regular na Gazeta do Povo, na qual escreve sobre história, cultura e política.
Em 2025, publicou pela Editora Dialética Mitologia Soviética: Os mitos fundadores do comunismo russo. No livro, Braga examina a Revolução Russa, a Guerra Civil Russa e o Pacto Molotov-Ribbentrop a partir da tese de que determinadas interpretações desses acontecimentos funcionaram como narrativas legitimadoras do regime soviético.
Recepção e análises acadêmicas
Além de caracterizar os canais como produções de grande alcance no segmento de história do YouTube, um artigo publicado em 2024 na revista Lampiar, da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, interpretou parte de seu conteúdo como alinhada a perspectivas da direita política. O autor do estudo, o aluno Matheus de Moura e Silva, graduando em história, destacou o uso de ironia e sarcasmo e criticou, em particular, o tratamento dado a documentos históricos em um vídeo sobre o tráfico atlântico de escravizados, por considerar que as fontes primárias foram apresentadas como evidências autossuficientes, sem contextualização historiográfica suficiente. Trata-se de uma avaliação atribuída ao graduando; Braga apresenta seus canais como iniciativas de divulgação histórica baseadas em documentos e estudos especializados.
Em 2026, um artigo publicado nos anais do XXVIII Encontro Estadual de História da Associação Nacional de História - Seção São Paulo (ANPUH-SP), de autoria da historiadora Joana Máximo da Silva, Mestre e Doutoranda pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), analisou o vídeo O tráfico de escravos e a origem da Escravidão no Brasil, do canal Impérios AD. A autora afirmou que Thiago Braga seria "apegado a um passado idealizado, em que 'a história é retratada como verdade', sem a presença do que denomina 'politicamente correto'.", argumentando que, a fim de sustentar essa perspectiva, Braga produz "narrativas 'pseudohistóricas'."
Ao analisar a introdução do cristianismo no Reino do Kongo, algo narrado por Braga em seu vídeo, a autora avalia que a sua narrativa a respeito do processo seria superficial, tendo em vista que "para ele, por meio da fé cristã e da língua portuguesa, os dois reinos [Portugal e o Kongo] teriam criado um laço de amizade religiosa, política e comercial que durou de forma pacífica, tornando 'legal o comércio mais odioso da era moderna: o comércio de escravos'." Para a historiadora, essa narrativa "simplifica processos históricos complexos, desconsiderando a agência africana e reproduzindo uma leitura linear e eurocentrada da história, em contraste com a historiografia recente."
Nessa esteira, o artigo ressalta, também, que a seleção documental de Braga baseia-se majoritariamente em fontes europeias, sem que fosse aplicada uma crítica epistemológica consistente a essa documentação, segundo Silva. Assim, a narrativa construída no vídeo tenderia "a reproduzir os enquadramentos coloniais de interpretação da África, reforçando uma leitura que toma fontes europeias como transparentes, universais e suficientes para explicar processos históricos complexos".
O conteúdo do canal Impérios AD, criado por Braga, em especial o vídeo sobre o tráfico transatlântico de escravizados, também foi objeto de análise na dissertação de mestrado da pesquisadora e em outro artigo de sua autoria, publicado na ocasião do 33° Simpósio Nacional de História, realizado pela ANPUH em 2025.SILVA, Joana Máximo da. Da historiografia brasileira até a narrativa "histórica" do Impérios AD, uma história feita por mãos brancas (1838/2018). Dissertação (Mestrado) - Universidade Federal do Paraná, Setor de Ciências Humanas, Programa de Pós-Graduação do Mestrado em História. Curitiba, p. 134. 2026.
Braga venceu, por votação popular, a categoria Influenciador de Educação do Prêmio iBest em três edições consecutivas:
2023 Influenciador de Educação 2024 Influenciador de Educação 2025 Influenciador de Educação
Obra Mitologia Soviética: Os mitos fundadores do comunismo russo. São Paulo: Dialética, 2025. 252 p. ISBN 978-65-270-5259-3.
Ligações externas
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