right|thumb|Guillaume Schnaebelé

Guillaume Schnaebelé ou Wilhelm SchnäbeleCronologia de 1887 (em alemão). Tradução para o inglês (Google) (1831 – 5 de dezembro de 1900) foi um funcionário público francês originário da Alsácia, mais conhecido por ter sido preso por autoridades alemãs em abril de 1887 no chamado incidente Schnaebele (ou Caso Schnaebele), um episódio diplomático que quase levou a França e o Império Alemão à guerra.Salvo indicação em contrário, o conteúdo deste artigo foi adaptado de:

As causas exatas e as motivações por trás do incidente permanecem objeto de debate historiográfico. Foi sugerido que o chanceler alemão Otto von Bismarck teria sido o instigador por diversas razões possíveis: provocar a França a iniciar um conflito armado, avaliar o alcance do apoio público francês ao boulangismo ou criar tensões diplomáticas com Paris para forçar a renovação do Tratado de Resseguro russo-alemão de neutralidade, que estava sob discussão na corte de São Petersburgo.

Outros historiadores consideram o episódio uma sucessão de contingências não intencionais, notável pela postura assumida pelo general francês Georges Ernest Boulanger. Este e outros incidentes envolvendo o general integraram o chamado Caso Boulanger, uma série de crises políticas que abalaram o governo da recém-formada Terceira República Francesa.

Biografia Guillaume Schnaebelé (ou Wilhelm Schnäbele) era um alsaciano nascido em 1831 em Eckbolsheim, próximo a Estrasburgo. Após a Guerra Franco-Prussiana e a consequente anexação da Alsácia-Lorena pela Alemanha em 1871, ele optou por emigrar para a França, adotando a grafia afrancesada de seu nome. Havia combatido na guerra e fora condecorado como Cavaleiro da Legião de Honra. Após o incidente de 1887, foi transferido para um posto administrativo em Laon. Faleceu em 5 de dezembro de 1900 em Nancy.

O Caso Schnaebele thumb|Ilustração de época: Schnaebelé sendo capturado na fronteira por policiais secretos alemães disfarçados. thumb|Ilustração: Schnaebelé sendo arrastado para o lado alemão da fronteira. Notam-se os marcos de fronteira e a placa indicando a linha divisória. thumb|Fotografia tirada pouco depois na estrada onde ocorreu o incidente. thumb|Ilustração: Oficiais alfandegários franceses e alemães observando-se através da fronteira após o ocorrido.

Em 21 de abril de 1887, a agência de notícias francesa Havas divulgou um despacho informando que Schnaebelé, um inspetor de polícia especial francês de nível intermediário, havia sido preso por agentes da polícia secreta alemã na fronteira franco-alemã perto de Pagny-sur-Moselle, quando se dirigia a Ars an der Mosel (atual Ars-sur-Moselle) a convite de seu homólogo alemão para uma reunião de trabalho. Seguiu-se uma disputa sobre se a detenção havia ocorrido em território francês ou alemão; contudo, a diplomacia francesa sustentou que, sob tais circunstâncias, Schnaebelé gozava de salvo-conduto e imunidade mesmo se estivesse em solo alemão, por ter sido formalmente convidado para uma conferência bilateral por autoridades do país vizinho. A justificativa apresentada pelo governo alemão foi a de que, em investigações prévias de traição contra alsacianos, surgiram provas de que Schnaebelé participava da transmissão de relatórios de espionagem militar sobre fortalezas alemãs para Paris, havendo mandado de prisão expedido contra ele caso pisasse em território alemão.

Uma semana após a prisão, em 28 de abril, Schnaebelé foi libertado por ordem direta do imperador alemão Guilherme I. Em despacho enviado na mesma data ao embaixador francês em Berlim, Bismarck explicou que, embora o governo alemão considerasse a prisão juridicamente justificada com base nas provas de espionagem, julgava prudente soltá-lo pelo princípio de que encontros de trabalho entre autoridades de fronteira "devem ser sempre considerados como amparados por uma garantia tácita de salvo-conduto mútuo".A carta completa de Bismarck encontra-se traduzida em:

O incidente de uma semana gerou intensa retórica belicista em ambos os países. Setores da imprensa alemã exigiam intransigência total. Na França, o Conselho de Ministros rejeitou por 6 votos a 5 a proposta de envio de um ultimato exigindo a soltura imediata com pedido de desculpas formal — medida que quase certamente deflagraria uma guerra, a exemplo docorrido com o Telegrama de Ems em 1870. O ultimato fora defendido pelo ministro da Guerra, o general revanchista Georges Ernest Boulanger, que também propôs a mobilização de um corpo de exército.

Após o desfecho pacífico, parcelas da opinião pública francesa atribuíram o recuo de Bismarck ao receio diante da postura enérgica de Boulanger, elevando a popularidade do general como símbolo do revanchismo nacional contra a Alemanha. No entanto, sua conduta belicosa representava uma ameaça à estabilidade do governo republicano moderado, ciente de que as forças armadas francesas não estavam preparadas para um confronto em grande escala com o Império Alemão. Em 7 de julho de 1887, Boulanger foi afastado do Ministério da Guerra e transferido para um comando no interior do país.

Hipóteses e causas As motivações para a prisão de Schnaebelé suscitaram diversas análises teóricas contemporâneas e modernas.

Entre os contemporâneos, Élie de Cyon sustentou que Bismarck teria provocado o incidente deliberadamente e que o czar Alexandre III da Rússia, preocupado com o equilíbrio europeu, teria enviado uma carta pessoal a Guilherme I solicitando a resolução pacífica, levando o imperador a ordenar a libertação. Outros analistas políticos francesavam que Bismarck pretendia testar o grau de animosidade antifrancesa e a força real do movimento boulangista na França. Na Alemanha, o episódio coincidiu com debates legislativos no Reichstag em torno de uma nova lei orçamentária militar (a lei do Septenato), embora o projeto já houvesse sido aprovado em 11 de março.

Outra vertente argumenta que Bismarck buscava tensionar as relações com Paris para isolar a facção eslavófila e pan-eslavista na corte russa, a qual defendia o rompimento dos laços com Berlim, assegurando assim a neutralidade russa no cenário internacional.

Pesquisas historiográficas mais recentes indicam uma explicação mais pragmática: Schnaebelé de fato colaborava com redes de inteligência francesas sob a supervisão do ministério de Boulanger. No entanto, por ter sido atraído a solo fronteiriço sob convite oficial de seu homólogo alemão, sua prisão representou uma quebra de praxe diplomática e de salvo-conduto tácito, motivo pelo qual Bismarck determinou sua soltura imediata assim que a irregularidade do procedimento ficou evidente perante a diplomacia internacional.

Relato dos fatos De acordo com os registros do incidente: Schnaebelé deslocava-se pela estrada deserta que ligava Nancy a Metz (então parte da Alsácia-Lorena sob administração alemã). À sua esquerda, dois agricultores franceses trabalhavam em uma vinha; à direita, operários ferroviários alemães estavam a pouca distância. Ao constatar que o colega alemão Gautsch não estava no ponto de encontro combinado e aguardando a poucos passos da linha limítrofe, Schnaebelé foi abordado por um homem com vestes civis que correu em sua direção tentando arrastá-lo para além da fronteira. Schnaebelé resistiu e recuou para território francês, exclamando em alemão que era o comissário especial francês de Pagny e que se encontrava em solo de seu país. Um segundo agressor interveio e, com a aproximação de operários alemães ao ouvirem os gritos, os dois atacantes despiram os casacos civis, revelando uniformes da polícia alemã. Schnaebelé foi então algemado, conduzido a Novéant e transferido de trem para a prisão de Metz.

Legado Em 2005, durante as obras de integração do TGV em Pagny-sur-Moselle, uma ponte local foi batizada em homenagem a Guillaume Schnaebelé.

Ver também Telegrama de Ems Incidente de Venlo Caso Boulanger

Referências

Ligações externas

Handbook for the Diplomatic History of Europe, Asia, and Africa, 1870–1914, por Frank Maloy Anderson e Amos Shartle Hershey. International Cases, correspondência oficial de Bismarck sobre o caso (pp. 226–228). "Chapter VIII: Schnaebele Incident", em Joseph Vincent Fuller, Bismarck's Diplomacy at Its Zenith.

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