Bujair ibne Alharite ibne Ubade (; ) foi um jovem árabe dubaiaíta da Jailia, conhecido por sua morte durante a Guerra de Albaçus. As tradições divergem sobre seu parentesco com Alharite ibne Ubade, apresentando-o ora como seu filho, ora como sobrinho. Foi morto pelo chefe taglibita Almualhil no Dia de Uaridate, episódio que, segundo a tradição, levou Alharite, até então afastado do conflito, a entrar na guerra contra os taglibitas.

Vida

Pouco se conhece sobre Bujair antes dos acontecimentos que levaram à sua morte, ocorrida no durante a Guerra de Albaçus. Era um dubaiaíta dos caicitas, um dos ramos dos becritas, e parente próximo de Alharite ibne Ubade, embora as fontes divirjam quanto à posição exata de Bujair dentro da família. Uma tradição o apresenta como filho de Alharite, enquanto o Kitab al-Aghani o chama de filho de seu irmão, registrando, contudo, expressamente a variante de Abu Barza segundo a qual Bujair era filho do próprio Alharite. A transmissão manuscrita do Kitab al-Aghani preserva ainda outra genealogia, Bujair ibne Anre ibne Murra ibne Ubade, na qual Alharite aparece como tio paterno de Anre. As tradições também divergem sobre as circunstâncias em que Bujair chegou às mãos de Almualhil. Segundo a versão preservada por Almufadal ibne Salama no Al-Fakhir, quando as mortes entre os becritas se multiplicaram, Alharite enviou Bujair a Almualhil com uma mensagem destinada a obter a reconciliação. O jovem deveria recordar que Alharite permanecera afastado da guerra por reconhecer a injustiça inicialmente cometida contra os taglibitas, mas que Almualhil já obtivera sua vingança pela morte de Culaibe ibne Rebia. Bujair apresentou-se diante de Almualhil, transmitiu a mensagem e, ao ser interrogado sobre sua identidade, declarou ser filho de Alharite ibne Ubade. Almualhil então o matou. Outra versão, preservada por Almufadal Adabi em Amthal al-Arab, afirma que os taglibitas encontraram Bujair, ainda gulamo, enquanto estava com seus camelos e o conduziram a Almualhil. Interrogado, identificou-se como Bujair ibne Alharite ibne Ubade e recordou que seu pai desaprovara a guerra e se mantivera afastado dela. Almualhil perguntou-lhe ainda quem era sua mãe, mas a tradição não preserva seu nome, e em seguida ordenou que Bujair fosse decapitado.

Uma das versões da tradição acrescenta que Inru Alcaice ibne Abane, dos taglibitas, tentou impedir a morte de Bujair. Advertiu Almualhil de que o jovem pertencia a uma família que permanecera afastada da guerra e predisse que sua morte seria vingada por um homem cuja ascendência nem precisaria ser indagada. Almualhil não lhe deu ouvidos e matou Bujair, declarando que sua vida constituía apenas compensação pela correia da sandália de Culaibe (bi-shisʿ naʿl Kulayb). Segundo a tradição preservada no Kitab al-Aghani, Bujair respondeu que, se os dubaiaítas aceitassem que sua vida fosse equiparada à correia da sandália de Culaibe, ele próprio também o aceitaria. A morte é situada pelas tradições no Dia de Uaridate, um dos grandes confrontos da Guerra de Albaçus, no qual Almualhil também matou Hamame, irmão de Jassas ibne Murra e seu antigo companheiro de bebida. A notícia da morte de Bujair não levou imediatamente Alharite a abandonar sua neutralidade. Segundo a tradição conservada por Almaidani, ao saber inicialmente que o jovem fora morto, Alharite reagiu com resignação e afirmou que sua morte seria bem empregada caso seu sangue servisse para reconciliar Becre e Taglibe. Sua atitude mudou quando lhe foram relatadas as palavras de Almualhil acerca da correia da sandália de Culaibe. Alharite interpretou a declaração como uma humilhação que tornava impossível permanecer afastado da guerra e decidiu vingar Bujair. Farrukh igualmente apresenta a morte de Bujair como o acontecimento que levou Alharite a abandonar sua posição anterior e participar pessoalmente da Guerra de Albaçus.

A tradição associa diretamente essa decisão à célebre composição na qual Alharite lamenta Bujair, recorda sua anterior recusa em participar do conflito e repetidamente ordena que lhe aproximem sua égua Anama (al-Naʿāma). Segundo a tradição registrada pela TDV, repetiu mais de cinquenta vezes na cássida a expressão Qarribā marbaṭ al-Naʿāma minnī (“Aproximem de mim a montaria de Anama”). Como expressão de sua determinação em obter vingança, cortou a cauda e os pelos da fronte da égua, gesto que posteriormente teria se tornado costume entre os antigos árabes. Ibne Alatir acrescenta que Anama era uma égua sem igual em seu tempo e que, depois de montá-la, Alharite assumiu papel de liderança entre os becritas na guerra contra Taglibe. A morte de Bujair tornou-se, assim, um dos episódios decisivos da tradição sobre a Guerra de Albaçus. Até então Alharite e seu grupo haviam procurado manter-se fora das hostilidades, mas sua entrada fortaleceu os becritas contra os taglibitas. No Dia de Quida, Alharite combateu pessoalmente e infligiu pesadas perdas aos adversários, chegando a capturar Almualhil sem reconhecê-lo e posteriormente libertá-lo em cumprimento de uma promessa.

Bibliografia

Categoria:Dubaiaítas Categoria:Árabes do século VI Categoria:Pessoas envolvidas na Guerra de Albaçus