Os taimalatitas ou Banu Taime Alate (), também conhecidos como taimalaítas ou Banu Taime Alá (), foram uma tribo árabe pertencente aos becritas, do grande agrupamento dos rebiaítas. Segundo a genealogia tradicional, descendiam de Taime Alate ibne Talaba ibne Uqueba, do ramo de Ali ibne Becre ibne Uail, e integravam, por meio de Rebia ibne Nizar, o ramo nizarita dos adenanitas. O nome Taime Alate, que incorporava o da deusa pré-islâmica Alate, pode ter sido posteriormente substituído por Taime Alá após a adoção do cristianismo ou do Islã. Seu território original não é conhecido com segurança, mas provavelmente se encontrava na Arábia Oriental.
Relativamente pouco proeminentes isoladamente às vésperas do Islã, os taimalatitas associaram-se aos caicitas, ijelitas e anazaítas na confederação de Alaazim (al-Lahāzim), que participou dos conflitos dos becritas contra os tamimitas. A tribo professava o cristianismo miafisita e, durante as Guerras da Apostasia, seus membros estiveram entre os grupos becritas que resistiram ao poder muçulmano no Barém. Posteriormente, combateram os muçulmanos no baixo Eufrates, inclusive na , antes de acabarem por se converter ao Islã. Membros da tribo participaram posteriormente das guerras civis do califado, incluindo a Batalha de Sifim e a Batalha de Carbala.
Durante os primeiros séculos islâmicos, os taimalatitas adquiriram maior projeção nas províncias orientais do califado, particularmente no Coração, onde membros da tribo exerceram funções políticas e militares e se destacaram como poetas. Participaram das disputas da Segunda Guerra Civil Muçulmana, da revolta de Abederramão ibne Maomé ibne Alaxate e das campanhas omíadas na Transoxiana. Uma fração da tribo estabeleceu-se posteriormente no vale do , na Síria, que recebeu seu nome e se tornou, no , um dos primeiros centros de implantação da religião dos drusos.
Origem e genealogia
Os taimalatitas (Banu Taime Alate) eram uma tribo árabe pertencente aos becritas, um dos principais agrupamentos dos rebiaítas e, pela genealogia tradicional, integrante do ramo nizarita dos adenanitas. Sua linhagem era apresentada como Taime Alate ibne Talaba ibne Uqueba ibne Sabe ibne Ali ibne Becre ibne Uail. Por meio de , sua ascendência remontava a Cácite ibne Himbe ibne Afexa ibne Dumi ibne Jadila ibne Açade ibne Rebia ibne Nizar ibne Maade ibne Adenane. O nome do ancestral epônimo aparece nas fontes tanto como Taime Alá (Taym Allāh) quanto como Taime Alate (Taym Allāt). Della Vida considera possível que Taime Alate fosse a forma original, posteriormente alterada por muçulmanos ou cristãos mediante a substituição do nome da deusa pré-islâmica Alate pelo de Alá, considerando improvável que tivesse ocorrido o processo inverso. A designação exige cautela na identificação de indivíduos e grupos nas fontes, pois existiam diversas outras tribos chamadas Taime Alá ou Taime Alate. Ibne Alcalbi registra grupos homônimos nas linhagens de Açade ibne Uabara, Ibne Zau (?) ibne Mar ibne Anre ibne Algaute ibne Tai, Ibne Hical ibne Mazime ibne Azede, Ibne Anamir ibne Cácite e, entre os calbitas, Ibne Rufaida ibne Taur, Ibne Amir Alajedar e Ibne Uádeme ibne Uabalate.
História
Os taimalatitas estabeleceram uma aliança (hilfe) com seus parentes caicitas, e ambos mantiveram estreitas relações com os ijelitas e anazaítas. Esses quatro grupos constituíram uma confederação conhecida como Alaazim (al-Lahāzim), denominação relacionada pelos lexicógrafos a lihzima, "osso mastoide", numa alusão à solidez da aliança. Segundo Fred Donner, os taimalatitas parecem ter constituído um grupo de importância relativamente menor entre os becritas às vésperas do Islã. A formação de Alaazim pode ter tido por finalidade fortalecer seus integrantes diante dos tamimitas, especialmente dos , embora também tenha sido considerada a possibilidade de que a aliança inicialmente se destinasse a contrabalançar o poder dos xaibanitas. Donner considera a primeira hipótese igualmente ou mais plausível, observando que xaibanitas e dulitas não combateram contra Alaazim e que, em algumas ocasiões, lutaram ao lado da confederação contra os tamimitas. A atuação dos grupos de Alaazim durante as Guerras da Apostasia , quando participaram no Barém da revolta de , constitui um dos indícios utilizados por Donner para situá-los na Arábia Oriental. Posteriormente, a confederação foi ampliada para incluir os e, aparentemente, também os dulitas e xaibanitas. Após o advento do Islã, os hanifaítas, outro grupo becrita, também passaram a integrar a aliança.
Os taimalatitas são raramente mencionados de maneira individual na literatura dos Dias Árabes, relativa às batalhas tribais árabes pré-islâmicas, e parecem ter ocupado uma posição relativamente secundária entre os becritas às vésperas do Islã. Como integrantes de Alaazim, contudo, provavelmente participaram dos confrontos da confederação contra os tamimitas. Ao lado de seus aliados, estiveram particularmente associados às batalhas de , , , e , as duas últimas já ocorridas no período islâmico. Segundo Della Vida, contudo, as fontes não lhes atribuem feitos militares particularmente destacados nem registram entre seus chefes desse período indivíduos de grande notoriedade. Nas expedições de Jadude e Aluaquite, por exemplo, o comando coube respectivamente a e , ambos pertencentes aos ijelitas. Em período anterior, os taimalatitas haviam combatido juntamente com os demais becritas contra os lácmidas de Hira, sendo mencionados nos relatos relativos ao . Guerreiros taimalatitas também estiveram entre os becritas que participaram da Batalha de Di Car, travada contra os sassânidas no início do .
Assim como grande parte dos becritas, os taimalatitas professavam o cristianismo miafisita antes do advento do Islã. Durante as Guerras da Apostasia, os taimalatitas e outros grupos predominantemente cristãos que constituíam o núcleo de Alaazim estiveram entre os becritas que resistiram à expansão do poder muçulmano na Arábia Oriental. Membros da tribo integraram as forças de , dos ijelitas que apoiaram no Barém a revolta de Alhutame, chefe dos caicitas que se opôs aos muçulmanos. Após a repressão da revolta, grupos de Alaazim deslocaram-se para o baixo Eufrates, onde continuaram a combater os muçulmanos. Taimalatitas aparecem então entre as forças comandadas pelo chefe cristão ijelita , que, juntamente com uma guarnição sassânida local, enfrentou o exército muçulmano na , no Iraque. Donner observa que, ao contrário de membros de outros grupos becritas, nenhum taimalatita é registrado combatendo no lado muçulmano durante a conquista do Iraque. A tribo acabou, contudo, convertendo-se ao Islã, e seus membros aparecem posteriormente envolvidos nas guerras civis do califado. participou do assassinato do califa Otomão em 656. No ano seguinte, , membro da tribo e comandante do exército de Ali baseado em Cufa, combateu contra as forças do governador da Síria, Moáuia, na Batalha de Sifim. Em 680, na Batalha de Carbala, teria, segundo o relato de Atabari, golpeado e matado um jovem sobrinho de Huceine ibne Ali.
Foi sobretudo nas províncias orientais do califado que os taimalatitas desempenharam papel mais significativo durante os dois primeiros séculos após a Hégira. Entre os membros da tribo que ali se destacaram estava , poeta que exerceu o governo do Coração. Durante a Segunda Guerra Civil Muçulmana, em 65 A.H. (684–685), defendeu Herate contra as forças de Muçabe ibne Azobair, comandadas por . Apoiado pelos becritas estabelecidos no Coração, Auce resistiu durante um ano antes de ser morto. Em 700–701, durante a revolta de Abederramão ibne Maomé ibne Alaxate contra o Califado Omíada, o taimalatita Taiane ibne Abejar é mencionado num relato de , preservado por Atabari, como o primeiro a renunciar à autoridade do califa Abedal Maleque e aderir à rebelião. Outro poeta taimalatita, , considerado o melhor poeta dos becritas no Coração, participou no início do das campanhas de Cutaiba ibne Muslim na Transoxiana, a quem inicialmente havia satirizado, mas ao qual acabou posteriormente se juntando. Abu Hanifa (m. 767), fundador da escola hanafita de jurisprudência islâmica, também aparece por vezes com a nisba Ataimi em razão de uma relação de clientela com a tribo: seu avô teria sido um maula dos Banu Taime Alate. Uma fração da tribo estabeleceu-se no alto vale do , na Síria, aos pés do Monte Hermom, e o vale recebeu seu nome dos Banu Taime Alate. No , a região tornou-se um dos primeiros núcleos onde a religião dos drusos se estabeleceu e ainda abrigava numerosos grupos religiosos heterodoxos no .
Bibliografia
Categoria:Taimalatitas