Eleições municipais de 2014 em Paris foram realizadas em dois turnos, em 23 e 30 de março de 2014, para eleger os 163 membros do Conselho de Paris, que por sua vez escolheram a nova prefeita da cidade. A socialista Anne Hidalgo, então primeira-adjunta do prefeito Bertrand Delanoë, venceu a eleição e tornou-se a primeira mulher a ocupar o cargo de prefeita de Paris. A votação fez parte das eleições municipais francesas de 2014 e opôs Hidalgo à sua principal adversária, a conservadora Nathalie Kosciusko-Morizet, da União por um Movimento Popular (UMP), em uma disputa que a imprensa descreveu como inédita por reunir duas mulheres como favoritas ao cargo.

Contexto O prefeito socialista Bertrand Delanoë, que governava Paris desde 2001, optou por não concorrer a um terceiro mandato. Antes das eleições, cada um dos principais partidos definiu seu candidato por meio de processos internos. Nathalie Kosciusko-Morizet, ex-ministra do governo de Nicolas Sarkozy, venceu a prévia (primária) organizada pela UMP já no primeiro turno de votação eletrônica, obtendo 58,16% dos votos dos filiados, com participação de 86,10%. Do lado da esquerda, Anne Hidalgo foi escolhida como candidata do Partido Socialista em votação interna da federação parisiense do partido.

Além das duas principais candidatas, disputaram a prefeitura outros nomes, entre eles a vereadora Danielle Simonnet, apoiada pelo Front de Gauche/Parti de Gauche, o que tornava a corrida parisiense uma disputa com pelo menos seis concorrentes registrados na cidade.

Sistema eleitoral Em Paris, a eleição municipal não ocorre em nível único de cidade, mas por setores eleitorais que correspondem a cada um dos vinte arrondissements. As listas concorrem simultaneamente aos assentos de conselheiro de arrondissement e de conselheiro de Paris, em escrutínio proporcional de lista em dois turnos, com prêmio de maioria à lista mais votada em cada setor. Uma lista que obtém maioria absoluta já no primeiro turno garante a eleição direta dos assentos daquele arrondissement; caso contrário, disputa-se um segundo turno entre as listas que atingiram o patamar mínimo de votos, com possibilidade de fusão de listas entre os turnos.

Resultados

Primeiro turno (23 de março) No primeiro turno, a lista de união de direita liderada por Kosciusko-Morizet (UMP-UDI-MoDem) superou por pequena margem a lista de Hidalgo na soma de votos de toda a cidade, surpreendendo parte das previsões: segundo a apuração, Kosciusko-Morizet obteve cerca de 35,6% dos votos, contra 34,4% de Hidalgo. Apesar disso, pesquisas de opinião já indicavam que Hidalgo tendia a vencer no segundo turno.

Quatro arrondissements tiveram seu resultado definido diretamente no primeiro turno, com maioria absoluta para listas da direita: o 1.º, o 6.º, o 16.º e o 17.º. Nos demais dezesseis arrondissements, disputou-se o segundo turno.

Segundo turno (30 de março) No segundo turno, Anne Hidalgo venceu a eleição, com resultados situados entre aproximadamente 53% e 55% dos votos, conforme diferentes apurações e estimativas divulgadas na noite da eleição. Ao final da apuração em todos os arrondissements, a soma de votos da coligação de esquerda superou a da direita, invertendo a vantagem que a direita tinha obtido no primeiro turno.

Após o pleito, a candidata derrotada e apoiadores da UMP chegaram a argumentar que a soma de votos da direita ao longo dos dois turnos, somando os arrondissements decididos em cada etapa, teria sido ligeiramente superior à da esquerda (cerca de 337 mil contra 336 mil votos), embora Hidalgo tenha obtido a maioria dos assentos no Conselho de Paris; a interpretação desse cálculo foi contestada por analistas e pela imprensa.

Composição do Conselho de Paris Ao todo, dez dos vinte arrondissements elegeram prefeitos de arrondissement do Partido Socialista, nove elegeram prefeitos da UMP e um (o 2.º arrondissement) elegeu um prefeito ligado aos ecologistas. No cômputo geral do Conselho de Paris, a coligação de esquerda liderada por Hidalgo obteve maioria dos 163 assentos, enquanto a oposição de direita ficou com a segunda maior bancada.

Eleição da prefeita Conforme o sistema francês, o cargo de prefeito de Paris não é escolhido diretamente pelos eleitores, mas pelos conselheiros eleitos. Anne Hidalgo foi eleita prefeita de Paris no sábado, 5 de abril de 2014, na primeira reunião do novo Conselho de Paris, recebendo 91 dos 163 votos possíveis. Em seguida, propôs uma equipe de 21 vice-prefeitos (adjoints), número inferior aos 36 do mandato anterior.

Consequências A eleição de Hidalgo marcou a primeira vez, em cerca de dois mil anos de história da cidade, que uma mulher assumiu o cargo de prefeita de Paris, um fato amplamente destacado pela imprensa internacional. A vitória também foi vista como um dos poucos resultados favoráveis ao Partido Socialista no conjunto das eleições municipais francesas de 2014, marcadas por perdas do partido em diversas outras cidades do país.

Ver também Anne Hidalgo Nathalie Kosciusko-Morizet Conselho de Paris Eleições municipais francesas de 2014 Bertrand Delanoë

Referências

Categoria:Eleições municipais de 2014 na França Categoria:Eleições em Paris Categoria:2014 na França