Santílio Barros, mais conhecido pelo apelido de Gato (Brejo do Burgo, Paulo Afonso – Piranhas, 28 de setembro de 1936), foi um cangaceiro brasileiro que atuou na região do Sertão nordestino durante o período do cangaço. É considerado um dos mais perversos cangaceiros do bando de Virgulino Ferreira da Silva, vulgo Lampião. Teve pelo menos duas companheiras: Antônia Pereira da Silva (Antônia de Gato) e Inacinha.
Biografia Santílio Barros, conhecido como Gato, nasceu no município de Paulo Afonso, no povoado de Brejo do Burgo, filho de Ana (Aninha Bola) e Fabiano. Nascido em meio da tribo Pankararé, cresceu como índigena, regressando no cangaço em meados da década de vinte. Participou com alguns companheiros de algumas ações isoladas do bando de Lampião, ao qual passaria a vincular-se definitivamente com a mudança do chefe para a Bahia.
Participação no bando de Lampião Foi incorporado no bando de Lampião durante o mês de junho de 1926, recebendo o apelido para que fosse ocultada a morte de Gato Preto (ou Gato Brabo), cerca de três meses antes.
No mesmo ano, chegou a paticipar da invasão ao município de Olho d'Água das Flores, tiroteios e combates em fazendas de coronéis nos municípios de Serra Talhada, Floresta (Pernambuco) e Calumbi, esse último em 26 de novembro. Depois do combate em Calumbi, o cangaceiro "gato" desapareceu, retornando à região de seu povoado natal, onde atuou em pequenos roubos em grupo com vizinhos e familiares.
Após quase 3 anos, juntou-se novamente ao grupo de Lampião no mês de junho de 1929, quando o mesmo já agia no lado leste do Rio São Francisco. Já em 2 de julho, integrando um bando de 12 homens, participou de ataque e incêndio da Estação Ferroviária de Itumirim, município de Jaguarari. Dois dias depois, participou de um ataque ao povoado baiano de Brejão de Dentro, Campo Formoso, onde assassinou quatro soldados, sem dar-lhes nenhuma oportunidade de defesa.
Em setembro, participou de ataques aos povoados de Santa Rosa de Lima, Jaguarari; e Canoa, município de Senhor do Bonfim, onde cometeu saques, agressões, extorsões e depredações, arrecadando muito dinheiro e mercadorias. No dia 18 de outubro, atacou um grupo de trabalhadores que atuavam nas obras da estrada Patamuté (povoado de Curaçá) a Chorrochó, no lugar conhecido como "Carro Quebrado", assassinando friamente 9 deles, além de roubar-lhes todos os pertences e incendiarem um caminhão.
No dia 25 de novembro de 1929, visitou Nossa Senhora das Dores em bando, onde extorquiram comerciantes e populares e depois partiram para Capela, onde extorquiram seis contos de réis da população local. Em dezembro, travou combate com volantes baianas no municipio de Curaçá onde 3 soldados foram mortos pelos cangaceiros; no Massacre de Queimadas, quando sete praças da polícia baiana foram brutalmente assassinadas; e na invasão à Mirandela, distrito de Ribeira do Pombal.
Em meados de 1930, atendendo ordens de Lampião, juntamente com outros cangaceiros, assassinou os companheiros Mourão (de quem era primo e cunhado) e Mormaço, nas proximidades do Juá, atual município de Paulo Afonso, pelo fato dos mesmos haverem perturbado uma festa de forró na casa de um coiteiro, espancando seus familiares e cometendo crimes a suas filhas. esquerda|miniaturadaimagem|265x265px|Fotografia do bando de Lampião, a qual Gato fez parte, nos anos 30. No dia 14 de outubro de 1930, participou de um ataque à vila de Aquidabā em Sergipe, quando foram praticadas várias atrocidades contra os moradores, roubos, espancamentos e assassinatos. Posteriormente, acompanhando o bando de Lampião, invadiu pela segunda vez Capela, onde acabaram sofrendo resistência da população, sendo ferido juntamente com o companheiro Beija-Flor, no dia 16 de outubro. Ainda no mesmo dia, esteve presente num ataque que culminou com o assassinato do popular José Elpidio dos Santos, nas proximidades de Nossa Senhora das Dores.
No dia 13 de junho de 1932, comandando um pequeno grupo composto pelos cangaceiros Azulão, Medalha, Cajueiro e Suspeita, assassinou sete pessoas em vários locais, no que ficou conhecido como "Massacre da Fazenda Couro", próximo ao município de Poço Redondo. Em 15 de agosto, integrando o bando de Lampião, foi ferido em tiroteio com uma volante, na Serra da Canabrava, municipio de Uauá.
Em julho de 1934, responsabilizou-se pela execução de Coqueiro, por ordem de Lampião, quando este tentou chantagear Lídia, de Zé Baiano, após descobrir o seu romance com Bentivi, não conseguindo o matar após a fuga do mesmo.
No dia 6 de janeiro de 1935, estava num bando comandado por Lampião formado por oito homens e três mulheres, que atacaram um caminhão que conduzia uma excursão vinda da região de Paulo Afonso para Santana do Ipanema, no lugar Lagoa do Feijão, em Água Branca, roubando todo o dinheiro e objetos de valor que os passageiros conduziam, mas sem nenhuma violência fisica.
No mês de julho, fez parte de um pequeno bando comandado por Lampião que perambulou por terras do município pernambucano de Garanhuns, cometendo vários roubos, espancamentos, estupros e um assassinato. Na madrugada do dia 20, tentaram invadir o pequeno distrito de Serrinha do Catimbau, sofrendo resistência da população. Curiosamente, neste combate, Maria Bonita e Maria Ema sofreram ferimentos.
Morte miniaturadaimagem|Cangaceiro gato acompanhado de sua companheira Inacinha, em fotografia de Benjamin Abrahão, no ano de 1936. Na noite do dia 27, para o amanhecer do dia 28 de setembro de 1936, quando estava acoitado numa fazenda denominada Picos, no município alagoano de Piranhas, juntamente com Moreno, João Vital e sua companheira Inacinha, que se encontrava grávida de oito meses, seu grupo foi atacado por uma volante do sargento João Bezerra, tendo Inacinha ferida em uma das pernas e no quadril, e presa, pois não pôde correr. Desesperado com a prisão da sua companheira, Gato procurou ajuda dos colegas Corisco e Moderno, organizando um ataque à cidade de Piranhas, com o principal objetivo de resgatar Inacinha, onde deduziram que ela estava.
Por volta das nove da manhã daquele mesmo dia, o grupo de cangaceiros seguiram para Piranhas e, pelo caminho, Gato demonstrou todo o seu sadismo e crueldade, assassinando a qualquer pessoa que encontrasse à frente. Os números desta barbárie, variam de dez a quatorze vítimas.
Avisada da chegada do bando, a população de Piranhas resiste em meio a tiroteio, com forte participação de muitos cidadãos. Ainda em combate, Gato, ao descer uma rua e sem tomar precauções acabou baleado pelo local Francisco Rodrigues, vindo a falecer dois ou três dias depois em consequência da infecção no ferimento, sendo enterrado no meio da caatinga. Apesar disso tudo, sabe-se que no momento em que houve o combate em Piranhas, o sargento João Bezerra, sua volante e Inacinha não se encontravam na cidade.
Categoria:Bando de Lampião