Sala binte Suail () foi uma companheira de Maomé pertencente ao clã dos amiritas, um dos ramos dos coraixitas. Filha de Suail ibne Anre e esposa de Abu Hudaifa ibne Oteba, esteve entre os primeiros muçulmanos e participou da emigração para a Abissínia, onde nasceu seu filho . Posteriormente estabeleceu-se em Medina e, após enviuvar, casou-se sucessivamente com , e Abederramão ibne Aufe. Seu nome tornou-se especialmente conhecido na literatura jurídica islâmica em razão de dois episódios preservados nos hádices. O primeiro refere-se ao caso do maula Salim, no qual Maomé determinou que ela o amamentasse para estabelecer parentesco por aleitamento, episódio que originou um amplo debate sobre a possibilidade de esse vínculo ser criado na idade adulta. O segundo diz respeito às orientações recebidas de Maomé acerca dos banhos rituais durante um período de sangramento uterino prolongado, tradição que serviu de fundamento para discussões jurídicas sobre pureza ritual. Sala transmitiu dois hádices atribuídos a Maomé, preservados em importantes coleções sunitas e transmitidos principalmente por .

Vida

Sala binte Suail pertencia ao clã dos amiritas, um dos ramos dos coraixitas. Era filha de Suail ibne Anre e de Fátima binte Abede Aluzá ibne Abi Caice. Seus irmãos , Abu Jandal e também figuram entre os primeiros convertidos ao islamismo. Casou-se com Abu Hudaifa ibne Oteba, um dos primeiros muçulmanos, com quem emigrou para a Abissínia. Durante essa permanência nasceu seu filho , que mais tarde participaria da oposição ao califa Otomão ibne Afane . Quando se difundiu a notícia de que os habitantes de Meca haviam abraçado o islamismo, Sala e o marido regressaram à cidade. Verificada a falsidade da informação, emigraram novamente. Segundo a tradição mais conhecida, retornaram à Abissínia e, posteriormente, estabeleceram-se em Medina; outra versão sustenta que permaneceram em Meca ao lado de Maomé até a Hégira para Medina, sem realizar uma segunda viagem à Abissínia. Após a morte de Abu Hudaifa na Batalha de Iamama, em 633, Sala contraiu sucessivamente matrimônio com , e Abederramão ibne Aufe. Teve um filho chamado Bucair — ou, segundo outra tradição, Anre — de Xema; , de Abedalá ibne Alaçuade; e Salim, de Abederramão ibne Aufe.

Sala é lembrada sobretudo por dois episódios que exerceram influência duradoura sobre a jurisprudência islâmica. O primeiro diz respeito do maula Salim, antigo filho adotivo e cliente de seu marido Abu Hudaifa. Quando Salim atingiu a idade adulta, sua convivência cotidiana com Sala passou a causar desconforto ao casal. Consultado, Maomé orientou que Sala o amamentasse para estabelecer entre ambos um vínculo de parentesco por aleitamento. Com base nesse relato, alguns juristas sustentaram que o aleitamento de adultos também poderia produzir impedimentos matrimoniais, embora a opinião predominante considerasse tratar-se de uma dispensa excepcional concedida apenas àquela família. O segundo episódio refere-se a um sangramento uterino prolongado sofrido por Sala. Ao consultar Maomé, recebeu inicialmente a orientação de realizar um banho ritual antes de cada oração. Diante da dificuldade prática dessa prescrição, foi autorizada a reunir as orações do meio-dia e da tarde após um único banho, fazer o mesmo com as orações do pôr do sol e da noite, e realizar um terceiro banho para a oração da alvorada. Sala transmitiu dois hádices atribuídos a Maomé, ambos preservados em coleções como o Musnade de Amade ibne Hambal e o de Atabarani. Seu principal transmissor foi .

Bibliografia

Categoria:Amiritas (coraixitas) Categoria:Companheiros de Maomé Categoria:Árabes do século VII Categoria:Mulheres do século VII