Le Cabinet de Méphistophélès é um curta-metragem mudo francês de fantasia de 1897, dirigido e interpretado por Georges Méliès e lançado pela Star Film. Registrado sob os números 118–120 do catálogo Star Film, foi lançado na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos como Laboratory of Mephistopheles. Circulou posteriormente sob diversos outros nomes usados por exibidores, entre eles The Cabinet of Mephistopheles e The Devil's Laboratory, além de Faust's Laboratory e The Laboratory of Faust.A multiplicidade de títulos em inglês reflete a prática comum de exibidores e distribuidores da época, que adaptavam os nomes das obras para melhor atrair o público local, independentemente do título oficial registrado no catálogo Star Film.
O filme é livremente inspirado na lenda de Fausto.
Enredo Segundo a reconstituição do Grimh, Mefistófeles, o demônio da lenda de Fausto, disfarça-se de velho e atende clientes em seu gabinete. Quando eles se preparam para sair, porém, Mefistófeles os mistifica com uma série de truques mágicos, transformando-se sob diversos disfarces de animais, provocando-os com uma bela dama que desaparece e prendendo-os brevemente numa jaula. Um dos clientes, notando uma espada na parede, consegue decepar a cabeça de Mefistófeles — que permanece viva e acaba se reconectando ao corpo. Por fim, para alívio dos clientes, o próprio Mefistófeles termina preso em sua própria jaula.
O demônio Mefistófeles Mefistófeles é o demônio associado à lenda de Fausto, cuja primeira versão conhecida surgiu no Volksbuch publicado por Johann Spiess em 1587, na Alemanha. A grafia e a origem exata do nome permanecem disputadas entre estudiosos, com hipóteses que vão do grego ("amigo de Fausto") ao hebraico ("o que não ama a luz"). A figura ganhou popularidade através da peça de Christopher Marlowe, A Trágica História do Doutor Fausto (1589), e alcançou sua forma mais influente na obra Fausto (1808–1832), de Johann Wolfgang von Goethe — versão que Méliès, como boa parte do público francês de sua época, certamente conhecia.A familiaridade de Méliès com a versão de Goethe é presumida pelo contexto cultural da época, não confirmada por fonte que trate especificamente deste filme.
Este é o primeiro filme em que Méliès nomeia o personagem especificamente como "Méphistophélès" — em suas duas aparições anteriores como figura demoníaca, em Le Manoir du diable (1896, #78–80) e Le Château hanté (1897, #96), o personagem é identificado apenas como "Satan", sem o nome específico ligado à tradição de Fausto.Antes de 1900, o nome "Méphistophélès" parece ter sido reservado, na obra de Méliès, a referências diretas à tradição literária de Fausto, distinto do uso mais genérico de "Satan" ou "le diable" em outras produções com temática demoníaca.
Produção O filme estreou no Théâtre Robert-Houdin, teatro de ilusionismo dirigido por Méliès em Paris, no início de outubro de 1897, ao lado de outras quatro produções novas do diretor: Figaro et l'Auvergnat, Arlequin et le Charbonnier, L'Hôtel ensorcelé e Le Magnétiseur. O jornal parisiense Le Journal elogiou a novidade dos filmes, destacando o grande sucesso das sessões.
Os efeitos do filme — a dama que desaparece, as transformações de Mefistófeles em disfarces de animais e a cabeça decepada que permanece viva — foram obtidos pelo chamado "truque de parada" (stop trick, também referido como substitution splice), técnica descoberta por Méliès por volta de 1896, na qual a câmera era interrompida enquanto um elemento em quadro era adicionado, alterado ou removido, retomando-se a filmagem em seguida para criar a ilusão de uma mudança instantânea. Neste filme, o recurso é aplicado sobretudo a elementos de cenário e disfarces, e não a pessoas inteiras desaparecendo, como no caso mais clássico do truque.
Contexto no catálogo Registrado sob os números 118 a 120 do catálogo da Star Film — três números de catálogo em razão de sua duração de 60 metros, o triplo do padrão da época —, Le Cabinet de Méphistophélès é precedido por Ascension d'un ballon (#117) e seguido por Figaro et l'Auvergnat (#121).
Jacques Malthête analisou os temas religiosos presentes nas produções mefistofélicas de Méliès, incluindo este filme, em contraste com o tratamento dado a temas semelhantes pela concorrente Pathé.
Preservação O filme é listado como perdido por Malthête & Mannoni (2008), não havendo registro de cópia sobrevivente na Cinémathèque française nem no Wikimedia Commons.
Ver também Théâtre Robert-Houdin
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