Carija ibne Zaíde (; Medina, 650/1 — 718/9) foi um tabi, jurisconsulto, tradicionalista e escriba muçulmano, pertencente aos ançares e ao clã dos najaritas. Filho do companheiro Zaíde ibne Tábite, destacou-se como um dos Sete Juristas de Medina, grupo de estudiosos que exerceu profunda influência sobre a formação da jurisprudência islâmica na geração posterior aos companheiros de Maomé. Especializou-se no direito sucessório islâmico, atuou como escriba da administração pública durante o período omíada e foi reconhecido como um dos mais respeitados transmissores de hádices de sua época. Durante o governo de Omar ibne Abdalazize em Medina, integrou o conselho de dez estudiosos encarregado de assessorá-lo em questões jurídicas e administrativas. Também exerceu a função de , responsável pela divisão judicial de heranças, tornando-se uma referência no direito sucessório islâmico. Seus ensinamentos foram transmitidos por importantes estudiosos da geração seguinte, entre eles Ibne Xiabe Azuri, contribuindo para a consolidação da tradição jurídica e da ciência dos hádices em Medina.

Vida

Carija ibne Zaíde nasceu em Medina por volta de 30 A.H. (650/651), embora algumas tradições situem seu nascimento um ano antes, em 29 A.H. Era filho do companheiro Zaíde ibne Tábite e de Ume Sade Jamila binte Sade ibne Rabia Alançaria, pertencendo, por intermédio do pai, aos najaritas, um ramo dos ançares. Cresceu em um ambiente marcado pelo estudo do Alcorão, da jurisprudência e dos hádices, recebendo a formação inicial do próprio pai e de outros companheiros, entre os quais seu tio , Uçama ibne Zaíde, e . Segundo Albucari, entretanto, caso seja correta a tradição de que Iázide ibne Tábite morreu como mártir durante o califado de Abu Becre , os hádices transmitidos por Carija em seu nome devem ser considerados murçais, por não ter havido encontro entre ambos. Ao longo da vida, tornou-se um dos mais destacados juristas de Medina, sendo tradicionalmente incluído entre os Sete Juristas de Medina, grupo que desempenhou papel central na consolidação da jurisprudência islâmica entre a geração dos tabis. Destacou-se especialmente no direito sucessório islâmico, adquirindo reputação como especialista na ciência das heranças (farāʾiḍ). Durante o governo de Omar ibne Abdalazize como governador de Medina, entre 706 e 712, foi escolhido para integrar o conselho de dez estudiosos encarregado de assessorá-lo em questões religiosas e jurídicas. Exerceu ainda a função de , responsável pela divisão judicial de heranças durante o período omíada, além de atuar como escriba da administração pública.

Carija também alcançou grande prestígio como transmissor de hádices, sendo considerado um narrador confiável (thiqa) pelos especialistas da tradição profética. Recebeu hádices de seu pai, de sua mãe, de diversos companheiros e os transmitiu a numerosos estudiosos da geração seguinte, entre eles seu filho , seu sobrinho , , , Ibne Xiabe Azuri e Abu Azinabe, este último também seu discípulo em jurisprudência. Segundo um relato preservado por Ibne Açaquir, viveu durante algum tempo em Damasco, onde também lecionou. Faleceu em Medina em 100 A.H. (718/9), embora algumas fontes indiquem o ano anterior, 99 A.H. Seu funeral foi conduzido pelo governador Abu Becre ibne Hasme. Ao receber a notícia de sua morte, Omar ibne Abdalazize teria declarado: "Juro por Deus que sua morte abriu uma lacuna no islã", exprimindo o elevado conceito em que o tinha. A tradição também preservou um episódio em que Carija recusou uma pensão especial concedida por Omar, afirmando que somente a aceitaria caso o mesmo benefício fosse estendido a outros estudiosos em condição semelhante, gesto posteriormente citado como exemplo de sua piedade e desapego material.

Bibliografia

Categoria:Árabes do século VII Categoria:Árabes do século VIII Categoria:Najaritas Categoria:Ançares Categoria:Tabis (islamismo)