Gonzalo de Piña Ludueña, também referido como Gonzalo Piña Ludueña ou Gonzalo de Piña y Ludueña, foi um militar, povoador e administrador colonial espanhol. Foi governador da Província da Venezuela entre 1597 e 1600, sucedendo a Diego Osorio de Villegas; após a sua morte, o governo foi assumido interinamente pelos alcaldes ordinários de Caracas Diego Vásquez de Escobedo e Juan Martínez de Villela, antes da nomeação de Alonso Arias Vaca.

Origem e família

Ludueña era natural de Gibraltar, então pertencente à Coroa de Castela. Segundo Luis Alberto Sucre, descendia por linha masculina de Pedro González, senhor da vila de Piña, donzel e cavalariço-mor do rei Afonso XI de Castela, que teria participado na reconquista de Gibraltar; da mesma linhagem descendia Alonso González de Piña, casado com Inés Ludueña, pais de Gonzalo de Piña. Este casou com Lucía Jaime, sendo pai do capitão Gonzalo de Piña Ludueña.

A documentação posterior reunida por Vicente Dávila mostra a permanência da família Piña Ludueña na sociedade colonial venezuelana. Em processo de oposição a uma encomienda, Francisco de Piña Ludueña declarou ser sobrinho do governador Gonzalo de Piña Ludueña, referindo um testemunho de nomeação de capitão de infantaria feita pelo governador ao capitão Gracián de Alvarado para o descobrimento de Caranaca e conquista dos llanos.

Carreira em Mérida e fundação de Gibraltar

Antes de chegar ao governo provincial, vivia em Mérida. Sucre afirma que se encontrava ali retirado depois de ter fundado San Antonio de Gibraltar, no lago de Maracaibo, e de ter guerreado durante anos contra os índios, quando recebeu a nomeação para governador. A fundação de San Antonio de Gibraltar é também assinalada por Vicente Dávila, que atribui ao capitão Gonzalo de Piña Ludueña a fundação, por volta de 1592, do porto situado ao sul do lago de Maracaibo, com vizinhos de Mérida, com o objectivo de facilitar o comércio da província meridenha. A fundação desta povoação deve ser entendida no quadro mais amplo das tentativas de articular o lago de Maracaibo, o rio Zulia e as cidades andinas do interior. O capitão Gonzalo de Piña Ludueña é dado como autor da relação Navegación y descripción de la laguna de Maracaibo y río de la Magdalena, datada de 1567, conservada no Arquivo Geral das Índias, segundo a qual este projecto visava assegurar a navegação pela laguna de Maracaibo e pelo rio Zulia: os navios entrariam pela laguna, tomariam porto em Nueva Zamora e seguiriam para Santo Antonio de Gibraltar, onde descarregariam as mercadorias, que depois seriam transportadas em canoas até ao porto do Zulia, a quarenta léguas da laguna e três jornadas de Pamplona. A mesma fonte atribui a Piña Ludueña a fundação do porto de San Antonio de Gibraltar, mas dá para o facto a data de 1562, divergente da cronologia de 1592.

José Gil Fortoul atribuiu também a Gonzalo Piña Ludueña a fundação de Pedraza, em 1591, e de Gibraltar, em 1592.

Governo da Província da Venezuela

Piña Ludueña foi nomeado governador e capitão-general da Província da Venezuela em 1597. Chegou a Caracas na véspera da Páscoa da Ressurreição, tomando posse do governo a 7 de Abril de 1597. Nas Actas del Cabildo de Caracas surge exercendo este cargo entre 1598 e 1600, tendo como tenente de governador Tomás de Morquecho.

Pouco depois de assumir o cargo, Piña Ludueña dedicou-se à defesa de La Guaira e de Caracas. Segundo Sucre, durante a navegação para La Guaira encontrou várias embarcações corsárias e, receando nova invasão, mandou retirar do mar dezasseis canhões de uma urca inglesa naufragada perto de Curaçau. Enquanto terminavam os trabalhos para montar essas peças, ordenou que os canhões ficassem enterrados num lugar oculto da montanha; comissionou ainda Bartolomé de Vides para endireitar e edificar trincheiras no caminho do mar, mandou aprofundar o fosso e colocou vigilantes nas costas.

Durante o seu governo, Piña Ludueña fez uma visita geral à província, que, segundo Sucre, decorreu sem novidade, regressando depois a Caracas. A documentação de encomiendas e composições de terras mostra a actividade administrativa do governo. Vicente Dávila regista, por exemplo, autos rubricados pelo governador Piña Ludueña em Dezembro de 1597, relativos a litígios de encomienda. Um estudo de Armando González Segovia e Marco Ghersi Gil refere que, em 20 de Setembro de 1597, Antonio Sapata solicitou a Gonzalo Piña Ludueña, governador e capitão-general da província, a admissão de uma composição de terras na outra banda do rio Pao, perto da laguna de Tacarigua e da quebrada de Los Aguacates, para criação de gados maiores e menores.

Morte e sucessão

A data exacta da morte de Piña Ludueña apresenta divergências nas fontes. Sucre afirma que, após regressar da visita geral à província, morreu subitamente em Caracas de um ataque de apoplexia, em 15 de Abril de 1600. No entanto, o editor das Actas del Cabildo de Caracas anota, a propósito de uma acta datada no texto de 9 de Março de 1600, que a indicação «Abril» estaria errada, pois o governador Piña Ludueña, presente nessa sessão, já teria morrido em 28 de Março.

Após a morte de Piña Ludueña, os capitães Diego Vásquez de Escobedo e Juan Martínez de Villela, então alcaldes ordinários de Santiago de León de Caracas, assumiram o governo em 1600. O governo interino durou até 18 de Setembro de 1600, quando Alonso Arias Vaca foi recebido como governador e capitão-general interino da província por nomeação da Real Audiência de Santo Domingo.

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