miniaturadaimagem|Monte aurífero de Cata Branca, na Província de Minas. Gravura de 1856 A Mina de Cata Branca foi uma importante mina de ouro localizada na região de Itabira do Campo (atual município de Itabirito, em Minas Gerais), operada principalmente pela companhia britânica Brazilian Company entre os anos de 1832 e 1844.
A mina destacou-se por atingir grandes profundidades subterrâneas para a época (até 300 metros) e por utilizar intensivamente a mão de obra de escravizados africanos, que trabalhavam em condições extenuantes, insalubres e perigosas.
A mina foi gerida por oficiais e capitães ingleses que desconheciam a instabilidade da formação geológica local (veios de quartzo encaixados em quartzito e filito) e negligenciavam regras básicas de segurança, como o escoramento adequado do teto e das paredes das galerias.
Devido a essa incúria administrativa e técnica, a mina sofreu um desmoronamento colossal em 1844, que soterrou e matou centenas (ou dezenas) de trabalhadores. Esse trágico desastre marcou o encerramento definitivo de suas atividades e a falência da companhia.
Com o encerramento das atividades da Brazilian Company, os trabalhadores escravizados sobreviventes não receberam a liberdade a que tinham direito. Em vez disso, foram irregularmente transferidos para outra mineradora britânica, a St. John d'el Rey Mining Company — cuja trajetória histórica é hoje reivindicada pela mineradora AngloGold Ashanti —, responsável pela mina de Morro Velho. A transferência deu origem, décadas mais tarde, a um grande escândalo jurídico e abolicionista, pois esses trabalhadores permaneceram em cativeiro de forma considerada indevida.
O relativo esquecimento da Mina de Cata Branca é atribuído por pesquisadores a um processo de invisibilização deliberada,DUARTE, Neise Mendes. Sítio Arqueológico da Mina de Cata Branca: invisibilidade estrategicamente mantida. 2023. 151 f. Dissertação (Mestrado em Antropologia) - Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2023. sustentado pela convergência de interesses corporativos, limitações de acesso ao sítio arqueológico, falhas nas políticas de preservação da memória e pelo incômodo gerado por seu passado marcado pela escravidão e por uma tragédia de grandes proporções. Além disso, a exclusão de patrimônios associados à violência e à escravidão das políticas tradicionais de preservação e a manutenção do discurso da "vocação mineradora" de Minas Gerais contribuem para minimizar esse episódio e obscurecer seus impactos históricos e sociais.
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