Francesco Aiello, conhecido como Ciccio (Vittoria, 1 de agosto de 1946), é um político, professor, ensaísta e poeta italiano. É prefeito de Vittoria desde 2021, tendo administrado anteriormente a mesma cidade em diferentes períodos, em um total de sete mandatos.

Ligado historicamente à esquerda siciliana, foi deputado durante três legislaturas da Assembleia Regional Siciliana, órgão legislativo da Sicília, uma das cinco regiões autônomas italianas dotadas de estatuto especial de nível constitucional e de competências legislativas próprias, incluindo competências exclusivas nas matérias previstas pelo seu estatuto. Também integrou em três ocasiões o Governo Regional da Sicília, como responsável pela pasta da Agricultura e Florestas, cargo denominado assessore regionale em italiano.

Ativo na política siciliana desde 1970, ocupou durante mais de meio século cargos administrativos e institucionais como vereador, prefeito, deputado regional e membro do Governo Regional da Sicília. Sua trajetória política foi objeto de cobertura jornalística recorrente por meios de comunicação italianos de circulação nacional, entre eles L'Unità, Il manifesto, La Repubblica, Il Foglio e a Agenzia Giornalistica Italia, que, além de noticiarem sua atividade institucional, publicaram perfis biográficos, entrevistas e análises centradas em sua carreira política.

Entre os episódios que atraíram atenção para sua figura além do âmbito local encontram-se sua resposta institucional ao massacre de San Basilio, ocorrido em 2 de janeiro de 1999, após o qual solicitou ao Governo italiano o envio do Exército, e o protesto de agricultores da região de Ragusa que liderou em Roma em 2002 contra as políticas do Ministério da Agricultura, então dirigido por Gianni Alemanno. Este último episódio deu origem a uma controvérsia midiática que também envolveu os apresentadores Bruno Vespa e Maurizio Costanzo.

Sua atividade administrativa desenvolveu-se em um contexto marcado pela presença de organizações mafiosas e por conflitos criminosos relacionados ao controle da economia local. Ao longo dos anos, Aiello foi alvo de ameaças e atos intimidatórios, razão pela qual recebeu proteção policial.

Sua administração também foi objeto de debates públicos sobre a máfia, as políticas antimáfia e a gestão do território, entre acusações políticas, investigações jornalísticas e respostas, incluindo o Dossier sul Palio di Vittoria, publicado pelo jornalista Carlo Ruta em 2002. Em janeiro de 2026, a imprensa noticiou novos atos intimidatórios contra o prefeito e a administração municipal de Vittoria.

Paralelamente à atividade política e administrativa, desenvolveu uma trajetória literária como ensaísta e autor de várias coletâneas de poesia.

Origens, formação e docência

Segundo um relato autobiográfico de Aiello, seu avô materno era agricultor, enquanto seu pai mantinha uma loja de frutas e verduras no bairro de San Giovanni, em Vittoria, onde Aiello trabalhou desde criança para ajudar a família; segundo o mesmo relato, conciliou o trabalho na loja com os estudos. Formou-se em Letras pela Universidade de Catânia e lecionou italiano e latim nos liceus clássico e científico de Vittoria.

Carreira política

Início da carreira e primeiros mandatos como prefeito

Militante do Partido Comunista Italiano, foi eleito pela primeira vez vereador de Vittoria em 1970, aos 24 anos. Em 16 de fevereiro de 1978, tornou-se prefeito pela primeira vez, aos 31 anos, permanecendo no cargo até 9 de abril de 1981. Voltou a exercer brevemente o cargo entre 15 de outubro de 1988 e 23 de janeiro de 1989.

Durante o primeiro período, a administração municipal, sustentada por uma coalizão entre o PCI e o Partido Socialista Italiano, realizou obras públicas como creches, um centro de aconselhamento familiar e a renovação da rede municipal de abastecimento de água. Um artigo do L'Unità de 1980 descreveu Aiello, então conhecido como «o professor», como um administrador caracterizado pela presença direta e frequente nos bairros da cidade.

Atividade na Assembleia Regional Siciliana

Aiello foi eleito deputado da Assembleia Regional Siciliana em 1981 e ocupou o cargo durante três legislaturas — IX, X e XI — até 1995.

A Assembleia é o órgão legislativo da Sicília, região autônoma dotada de estatuto especial aprovado como lei constitucional. O estatuto reconhece-lhe competências legislativas exclusivas em determinadas matérias, entre elas a agricultura e a organização dos entes locais. Seus membros recebem oficialmente o título de deputados.

Durante a XI legislatura, Aiello integrou em duas ocasiões o Governo Regional da Sicília, sob a presidência de Giuseppe Campione, como responsável pela pasta da Agricultura e Florestas, entre 16 de julho de 1992 e 21 de dezembro de 1993. Entre 31 de maio e 25 de outubro de 2012, voltou a ocupar a mesma pasta no Governo Regional presidido por Raffaele Lombardo.

Durante sua atividade parlamentar, apresentou projetos de lei em matéria agrícola, entre eles o projeto número 729 de 1994, relativo à pesquisa aplicada à agricultura, e propostas relacionadas à proteção do patrimônio local, incluindo iniciativas sobre a figueira-da-índia e a arquitetura Liberty.

Entre suas propostas legislativas esteve o projeto de lei número 10 de 1991, destinado a transformar a localidade de Scoglitti em um município autônomo. A proposta não concluiu o processo legislativo regional. O princípio foi posteriormente incluído no artigo 7.º do Estatuto municipal de Vittoria, aprovado pela deliberação do conselho municipal número 144, de 3 de agosto de 2007, que previa o apoio do município à possível autonomia de Scoglitti. Essa disposição não foi mantida na versão do estatuto aprovada pela Deliberação do Conselho Municipal n.º 8/2014, que identifica Scoglitti como uma frazione de Vittoria.

Durante as legislaturas X e XI, foi o primeiro signatário de oito projetos de lei, 84 perguntas parlamentares, 45 interpelações, duas moções e cinco ordens do dia.

Candidaturas ao Parlamento italiano e ao Parlamento Europeu

Em 1994, candidatou-se, sem ser eleito, ao Parlamento italiano. Em 1999, foi candidato ao Parlamento Europeu pelos Democratas de Esquerda, ocupando a terceira posição da lista no círculo eleitoral da Itália insular, sem obter um mandato.

Retorno à administração municipal

Em 1995, renunciou ao mandato na Assembleia Regional Siciliana e voltou a se candidatar a prefeito de Vittoria. Foi eleito no primeiro turno das eleições de 14 de maio de 1995, com 18 170 votos, correspondentes a 63,26%.

Foi reeleito no primeiro turno em 1997, com 19 594 votos e 71,21%, e em 2002, com 16 620 votos e 52,93%. Permaneceu como prefeito até apresentar sua renúncia, em 12 de outubro de 2005, após uma crise política interna na maioria do conselho municipal.«Vittoria, si dimette il sindaco Aiello». La Sicilia, 13 de outubro de 2005. Após o fim do mandato, Salvatore Campo foi nomeado comissário extraordinário.

Massacre de San Basilio e pedido de intervenção do Exército

Em 2 de janeiro de 1999, cinco pessoas foram assassinadas em um bar de Vittoria durante o denominado massacre de San Basilio. O episódio ocorreu no contexto de um conflito entre clãs mafiosos pelo controle de atividades econômicas ligadas ao mercado atacadista de frutas e hortaliças da cidade.

O massacre ocorreu durante o mandato de Aiello como prefeito e foi seguido por pedidos de reforço da presença do Estado na região. Nos dias seguintes, Aiello solicitou formalmente ao Governo o envio do Exército Italiano para proteger o território, pedido noticiado pela imprensa nacional no contexto da resposta institucional ao massacre.

Naquele período, Aiello já se encontrava sob proteção policial em consequência das numerosas ameaças recebidas durante o mandato.

Debate sobre o urbanismo e o Palio di Vittoria

Em 2002, o jornalista Carlo Ruta publicou o Dossier sul Palio di Vittoria, no qual formulou críticas à gestão urbanística municipal e à reintrodução, naquele mesmo ano, de uma competição equestre local.

O dossiê levantou questões sobre um possível conflito de interesses envolvendo um consultor encarregado de pedidos de regularização urbanística e sobre os riscos de maus-tratos aos animais e de apostas clandestinas relacionados ao Palio. Aiello rejeitou as críticas à sua administração, situando-as no contexto do confronto político local e do debate sobre a gestão do território de Vittoria.

Anos na oposição e retorno em 2021

miniaturadaimagem|Francesco Aiello e o oficial da Marinha dos Estados Unidos Vianni Paquian durante uma cerimônia comemorativa da Operação Husky em Scoglitti, em 2025.

Depois de renunciar ao cargo de prefeito, foi novamente eleito vereador em 2006 pelas listas dos Democratas de Esquerda. Em 2008, abandonou o Partido Democrático após um conflito com a direção local do partido e fundou o Movimento de Ação Democrática, com o qual passou a integrar a oposição municipal.

Nas eleições municipais de 2011, voltou a se candidatar a prefeito com o apoio do Movimento pelas Autonomias, liderado por Raffaele Lombardo. A aliança provocou tensões na centro-esquerda local, uma vez que o Partido Democrático apresentou como candidato Giuseppe Nicosia, antigo vice-prefeito durante uma administração de Aiello.

A campanha eleitoral incluiu acusações recíprocas. Aiello denunciou supostas relações entre a criminalidade organizada e o serviço municipal de coleta de resíduos, enquanto Nicosia formulou acusações sobre a gestão da lista eleitoral de Aiello. Aiello terminou em terceiro lugar no primeiro turno, com 20,99% dos votos.

Nas eleições municipais de 2016, chegou ao segundo turno, mas foi derrotado por Giovanni Moscato, candidato apoiado por listas cívicas de centro-direita. Aiello obteve 44,84% dos votos.

O conselho municipal de Vittoria foi dissolvido em 2018, após uma decisão administrativa motivada pela existência de infiltrações da criminalidade organizada. O município permaneceu sob administração extraordinária, dirigida por Filippo Dispenza, até as eleições de 2021. Em 2024, ao final do processo penal relacionado às investigações que precederam a dissolução, Moscato e os demais ex-administradores acusados foram absolvidos porque o fato não existiu.

Nas eleições municipais de 2021, Aiello apresentou-se com a lista cívica Aiello Sindaco, apoiada pelo Partido Democrático, pelo Partido Socialista Italiano e pela lista Cento Passi per la Sicilia. O abastecimento de água da cidade foi um dos temas da campanha eleitoral.

Foi eleito no segundo turno com 14 261 votos, correspondentes a 56,02%, contra o candidato de centro-direita Salvo Sallemi, que obteve 43,98%. Em abril de 2026, anunciou que provavelmente voltaria a se candidatar ao cargo de prefeito.

Eleições e mandatos como prefeito

Mandato Início Fim Partido ou coalizão Resultado eleitoral I 16 de fevereiro de 1978 9 de julho de 1980 PCI Eleito pelo conselho municipal. II 9 de julho de 1980 9 de abril de 1981 PCI Confirmado no cargo pelo conselho municipal. III 15 de outubro de 1988 23 de janeiro de 1989 PCI Eleito pelo conselho municipal. IV 17 de maio de 1995 1 de outubro de 1997 PDS Eleito no primeiro turno com 18 170 votos (63,26%). V 1 de outubro de 1997 27 de maio de 2002 PDS Eleito no primeiro turno com 19 594 votos (71,21%). VI 27 de maio de 2002 12 de outubro de 2005Renúncia DS Eleito no primeiro turno com 16 620 votos (52,93%). VII 27 de outubro de 2021 Em exercício Lista cívica e coalizão de centro-esquerda Eleito no segundo turno com 14 261 votos (56,02%).

Posicionamento político entre a esquerda histórica e a autonomia local