A pegargiminase (código científico ADI-PEG20), desenvolvida pela farmacêutica Polaris Pharmaceuticals, é um fármaco biológico de vanguarda classificado como agente de depleção de aminoácidos para o tratamento de tumores malignos auxotróficos para a arginina. O composto consiste na enzima bacteriana deiminase de arginina (extraída do micro-organismo Mycoplasma hominis), modificada quimicamente via peguilação (conjugação com polietilenoglicol) para prolongar a sua semivida plasmática e mitigar a imunogenicidade em humanos. O seu mecanismo de ação pioneiro explora uma vulnerabilidade metabólica tumoral específica: o silenciamento genético da enzima sintetase de argininossuccinato 1 (ASS1). Ao contrário dos tecidos saudáveis, que sintetizam arginina internamente através da citrulina, as células tumorais ASS1-negativas dependem estritamente da arginina exógena do sangue para a sua sobrevivência e síntese proteica. Após a administração intramuscular semanal, a pegargiminase degrada rapidamente a arginina plasmática em citrulina e amoníaco, submetendo o tumor a uma inanição metabólica severa que induz a paragem do ciclo celular e a apoptose. Ensaios clínicos de fase III, como o marcante estudo clínico ATOMIC-Meso, demonstraram que a associação de pegargiminase à quimioterapia padrão (pemetrexedo e cisplatina) no mesotelioma pleural maligno não epitelioide (um cancro altamente agressivo associado ao amianto) aumentou a sobrevivência global mediana para 9,3 meses (face a 7,7 meses no grupo placebo) e, de forma inédita, quadruplicou a taxa de sobrevivência a três anos. O fármaco, que recebeu designações de Orphan Drug e Fast Track da FDA e parecer positivo da EMA, encontra-se em avaliação regulatória para aprovação comercial, sendo também investigado para melanoma, carcinoma hepatocelular e glioblastoma. Embora a reexpressão adaptativa da ASS1 possa gerar resistência a longo prazo, a pegargiminase consolida-se como um marco histórico na transição para terapias oncológicas focadas no metabolismo celular.

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