A Casa sobre el Arroyo, também conhecida como Casa del Puente, é uma residência unifamiliar localizada em Mar del Plata, na Província de Buenos Aires, Argentina. Projetada entre 1943 e 1945 pelos arquitetos Amancio Williams e Delfina Gálvez Bunge, a obra é considerada uma das realizações mais importantes da arquitetura moderna latino-americana.
Concebida para o compositor Alberto Williams, pai de Amancio Williams, a residência foi projetada para funcionar simultaneamente como casa de veraneio e estúdio musical. Seu principal elemento arquitetônico consiste em um volume habitável suspenso sobre o arroio Las Chacras por meio de um arco parabólico de concreto armado, solução que integra estrutura, paisagem e programa arquitetônico.
A residência é reconhecida como um marco da arquitetura moderna argentina em razão de sua síntese entre inovação estrutural, integração paisagística e experimentação espacial.
História
Contexto de criação
A Casa sobre el Arroyo foi concebida em um período de profundas transformações políticas, econômicas e culturais na Argentina. Durante a década de 1940, o país experimentava um processo de industrialização acelerada, intensificado pelas restrições impostas pela Segunda Guerra Mundial, ao mesmo tempo em que o movimento moderno consolidava sua presença no campo arquitetônico argentino.
Nesse contexto, arquitetos como Amancio Williams buscavam desenvolver uma linguagem arquitetônica própria, capaz de articular os princípios do modernismo internacional às condições ambientais, culturais e técnicas locais.
Projeto e construção
Projetada entre 1943 e 1945 pelos arquitetos Amancio Williams e Delfina Gálvez Bunge, a residência foi encomendada pelo compositor Alberto Williams para servir simultaneamente como casa de veraneio e estúdio musical.
A obra foi implantada em um terreno arborizado de aproximadamente dois hectares, atravessado pelo arroio Las Chacras, no bairro Pinos de Anchorena, em Mar del Plata.
Concluída em 1946, a casa tornou-se uma das experiências mais inovadoras da arquitetura moderna latino-americana, destacando-se pela suspensão do volume habitável sobre um arco parabólico de concreto armado.
Uso e transformações
Alberto Williams utilizou a residência como casa de veraneio até sua morte, em 1952. Posteriormente, o imóvel permaneceu sob posse da família até 1968, quando foi adquirido pelo empresário Héctor Lago Beitía para sediar os estúdios da emissora LU9 Rádio Mar del Plata.
Entre 1970 e 1977, a residência funcionou como estação de rádio, período em que sofreu adaptações internas destinadas a atender às exigências técnicas da emissora.
Abandono, restauração e musealização
Após o encerramento das atividades da rádio, a Casa sobre el Arroyo atravessou um longo período de abandono, sofrendo sucessivos episódios de vandalismo, depredação e incêndios, especialmente em 2004, quando parte significativa de seus elementos originais foi destruída.
Apesar disso, sua relevância histórica e arquitetônica motivou diversas iniciativas de preservação. A residência havia sido declarada Monumento Histórico Artístico Nacional da Argentina em 1977.
O processo integral de restauração teve início em 2021, fundamentando-se em documentação histórica, desenhos originais e registros fotográficos conservados no Archivo Williams.
A obra foi reinaugurada oficialmente em abril de 2023 e aberta definitivamente ao público em janeiro de 2024 como Museo Casa sobre el Arroyo.
Autoria
Embora tradicionalmente atribuída apenas a Amancio Williams, pesquisas historiográficas recentes têm destacado a participação decisiva da arquiteta Delfina Gálvez Bunge no desenvolvimento do projeto.
Documentos de época e estudos recentes reconhecem a coautoria de Delfina, cuja contribuição permaneceu durante décadas parcialmente invisibilizada pela historiografia da arquitetura moderna argentina.
Arquitetura
A Casa sobre el Arroyo é reconhecida pela utilização de um arco parabólico de concreto armado com aproximadamente 13,5 metros de vão livre, responsável por sustentar todo o volume principal da residência.
O edifício apresenta organização funcional característica do movimento moderno, distribuindo áreas sociais, privadas e de serviço ao longo de um eixo longitudinal. A planta principal abriga os ambientes sociais, dormitórios e áreas de serviço, enquanto a cobertura funciona como terraço-jardim.
A estrutura utiliza predominantemente concreto armado e incorpora princípios associados à arquitetura moderna, como planta livre, janelas em fita e integração entre espaço construído e paisagem.
Patrimônio cultural
A Casa sobre el Arroyo foi declarada Monumento Histórico Artístico Nacional da Argentina em 1977.
Após sua restauração, a intervenção recebeu o Premio Gubbio América Latina e Caribe em 2023, reconhecimento internacional voltado à preservação do patrimônio arquitetônico.
Ver também
Amancio Williams Delfina Gálvez Bunge Casa Curutchet Arquitetura moderna
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