Syagrus itacambirana Noblick & Lorenzi é uma espécie de palmeira de porte anão pertencente à família Arecaceae e ao gênero Syagrus. A espécie é nativa e endêmica do estado de Minas Gerais, Brasil, sendo popularmente conhecida pelo nome de palmeira-de-vassoura.

Histórico e taxonomia A espécie foi formalmente descrita em 25 de março de 2010 pelos botânicos Larry Ronald Noblick e Harri Lorenzi na revista científica internacional Palms (v. 54, n. 1, p. 33–36). O espécime-tipo (holótipo) foi coletado em uma expedição realizada em 20 de junho de 2008 pela equipe de pesquisadores R. Tsuji, H. Lorenzi, L. R. Noblick e colaboradores, sob o número de coleta Tsuji 2796 (registrado também sob o código voucher 2706).

O holótipo está depositado no Herbário Plantarum (HPL), enquanto seus isótipos foram distribuídos para importantes centros de pesquisa botânica nacionais e internacionais, incluindo o Herbário da Universidade Federal de Minas Gerais (BHCB), o Jardim Botânico de Kew (K), o Jardim Botânico de Nova Iorque (NY), o Museu Nacional (R) e o Instituto de Pesquisas Ambientais de São Paulo (SP). O epíteto específico itacambirana faz alusão à estrada de ligação onde a planta foi descoberta.

Descrição botânica A Syagrus itacambirana caracteriza-se por ser uma palmeira de porte anão que possui hábito cespitoso (crescendo em touceiras) ou solitário, possuindo um caule subterrâneo ou extremamente curto (quase acaule). Trata-se de uma planta de dimensões reduzidas, medindo geralmente menos de 50 centímetros de altura total.

Folhas As folhas possuem pinas (folíolos) dispostas de maneira agrupada e inseridas em múltiplos ângulos ao longo da raque, conferindo à folhagem um aspecto marcadamente "plumoso". A raque (nervura central) da folha apresenta dimensões curtas, variando de 24 a 46 centímetros de comprimento.

Os folíolos possuem coloração verde-escura e textura coriácea (semelhante ao couro), apresentando-se fortemente agrupados e ligeiramente retorcidos ou espiralados (twisted). Eles são classificados como concolores, exibindo exatamente a mesma tonalidade em ambas as faces (abaxial e adaxial), característica que ajuda a diferenciá-la de táxons semelhantes.

Inflorescência e flores A estrutura reprodutiva apresenta um prófilo medindo de 8–12 × 1,5–2 cm e uma bráctea peduncular sulcada com 20 a 30 centímetros de comprimento total, cuja superfície apresenta-se glabra ou sutilmente revestida por indumento esparso. A porção expandida da bráctea mede de 12–22 × 2,7–6 cm, sustentada por um pedúnculo de 6–15 × 0,5–1 cm.

A raque central é curta, medindo de 2 a 10 cm de comprimento, dividindo-se de forma unilateral em inflorescências ramificadas compostas por 3,5 a 11 ráculas que possuem de 3,5 a 11 cm de comprimento cada, exibindo uma extensão total ramificada de 7 a 18 centímetros. As flores estaminadas (masculinas) medem de 8 a 9,5 mm de comprimento, ao passo que as flores pistiladas (femininas) possuem dimensões de 9–10 × 6–7 mm.

Frutos Os frutos maduros possuem formato nitidamente globoso e coloração castanho-amarelada ou verde-amarelada. Eles medem de 1,8 a 2,5 cm de comprimento por 2,1 a 2,8 cm de largura e são completamente recobertos por uma camada densa e áspera de pelos ferrugíneos (tomentosa ferrugínea). No interior, o endocarpo mede de 1,5–1,7 × 1,1–1,4 cm, apresentando endosperma homogêneo e abrigando uma única semente.

Afinidades morfológicas A espécie guarda semelhanças com a palmeira *Syagrus loefgrenii*, com a qual pode ser confundida em campo por conta do porte reduzido. No entanto, a distinção é evidente através de caracteres diagnósticos marcantes: *S. loefgrenii* possui frutos de formato elíptico e alongado medindo 2,2–3,2 × 1–1,8 cm (contra os frutos estritamente globosos e de largura acentuada da *S. itacambirana*) e apresenta folíolos marcadamente discolores, com tons nitidamente diferentes entre as faces da folha.

Distribuição geográfica e habitat A palmeira é endêmica do território brasileiro, ocorrendo exclusivamente na porção central da Cadeia do Espinhaço, no estado de Minas Gerais. Suas populações conhecidas concentram-se no município de Juramento, sendo encontradas em altitudes rigorosas de cerca de 1.220 metros acima do nível do mar, nas margens da estrada de rodagem que conecta Juramento ao município de Itacambira (sob as coordenadas geográficas 16°57'20" S e 43°28'11" W).

Ecologicamente, a planta habita solos predominantemente arenosos e pedregosos associados ao bioma do Cerrado (Savana Brasileira). Seus habitats específicos compreendem os Campos de Altitude, os Campos Rupestres de Montanha e fendas associadas à vegetação sobre afloramentos rochosos.

Status de conservação e ameaças A espécie enfrenta um cenário de vulnerabilidade ambiental severo em seu habitat natural. Até o momento, nenhuma população de Syagrus itacambirana encontra-se protegida dentro dos limites de Unidades de Conservação ou áreas públicas preservadas de Minas Gerais. Além disso, seus ecossistemas originais sofrem forte pressão e degradação devido à vizinhança e expansão do cultivo intensivo de monoculturas industriais de silvicultura de Eucalyptus, embora a espécie demonstre resiliência ecológica ao continuar sobrevivendo nos fragmentos remanescentes à beira da rodovia.

Ligações externas Syagrus itacambirana na Flora e Funga do Brasil (JBRJ) Syagrus itacambirana no Plants of the World Online (Kew)

itacambirana Categoria:Arecáceas Categoria:Flora do Cerrado Categoria:Flora de Minas Gerais Categoria:Flora do Brasil Categoria:Plantas descritas em 2010