Syagrus gouveiana Noblick & Lorenzi é uma espécie rara de palmeira anã pertencente à família Arecaceae e ao gênero Syagrus. É uma espécie nativa e endêmica da Cadeia do Espinhaço, no estado de Minas Gerais, Brasil.
Histórico e taxonomia A espécie foi formalmente descrita e batizada pelos botânicos Larry Ronald Noblick e Harri Lorenzi. O espécime-tipo (isótipo) que serviu de base para a descrição taxonômica foi coletado pelo próprio Harri Lorenzi em 14 de novembro de 2008, sob o código de coleta Lorenzi #6537. O material botânico encontra-se preservado e registrado no Herbário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (RB), sob o registro RB00648753, tendo sua autenticidade verificada em janeiro de 2010. O epíteto específico gouveiana faz referência direta ao município mineiro de Gouveia, localidade onde a planta foi originalmente descoberta.
Descrição botânica A Syagrus gouveiana é uma palmeira de porte minúsculo, ereta e solitária, medindo geralmente entre 40 e 60 centímetros de altura, raramente atingindo 1 metro, sendo considerada uma palmeira quase sem estipe aéreo (quase acaule ou com caule subterrâneo).
Folhas As folhas são coriáceas (textura semelhante ao couro) e marcadamente concoloras, o que significa que apresentam exatamente a mesma coloração em ambas as faces (superior e inferior). A raque foliar (nervura central) mede entre 40 e 75 centímetros de comprimento, sustentando folíolos (pinas) que se desenvolvem de forma nitidamente agrupada (em feixes).
Inflorescência e flores A inflorescência possui de 8 a 15 centímetros de comprimento e apresenta uma estrutura frequentemente simplificada em formato de espiga, embora possa raramente exibir ramificações contendo de 1 a 6 ráculas. As flores possuem coloração amarelada.
Anatomicamente, as flores da espécie exibem uma anomalia morfológica rara dentro da família Arecaceae: em vez de seguirem o padrão trimero típico das palmeiras, elas frequentemente apresentam partes divididas em quatro peças (tetrâmeras). Além disso, as flores por vezes organizam-se em arranjos de tétrades (grupos de quatro, onde duas flores femininas centrais são ladeadas em cada lado por uma flor masculina), divergindo do arranjo em tríades que é o padrão convencional do gênero Syagrus.
Frutos Quando maduros, os frutos atingem até 2,1 centímetros de comprimento e exibem uma coloração que varia do amarelo ao castanho-amarelado.
Distribuição geográfica e habitat A espécie possui uma distribuição geográfica extremamente restrita e localizada, sendo considerada uma planta de alta raridade botânica. É endêmica do estado de Minas Gerais, ocorrendo na porção central da Cadeia do Espinhaço. Habitacionalmente, está restrita a terrenos rochosos de alta altitude e encostas bem drenadas, vegetando sob ecossistemas de Campos Rupestres e Cerrado.
Até o momento, suas populações são conhecidas cientificamente a partir de uma única localidade específica à beira de uma estrada de rodagem, situada a 20 quilômetros de Gouveia, na rota em direção ao município de Curvelo, sob as coordenadas geográficas 18°35'12 S, 43°53'43 W.
Status de conservação Devido ao fato de ser conhecida em apenas um ponto geográfico vulnerável na margem de uma rodovia e não possuir nenhuma população registrada ou protegida dentro dos limites de Parques Nacionais ou Unidades de Conservação de proteção integral, a espécie carece de monitoramento ecológico urgente para garantir que suas populações remanescentes não sejam eliminadas por obras viárias ou incêndios antrópicos.
Ligações externas Syagrus gouveiana no JSTOR Global Plants Syagrus gouveiana no Global Biodiversity Information Facility (GBIF)
gouveiana Categoria:Arecáceas Categoria:Flora de Minas Gerais Categoria:Flora do Cerrado Categoria:Flora do Brasil Categoria:Gouveia (Minas Gerais) Categoria:Plantas descritas em 2010