O Rouxinol foi um periódico brasileiro publicado na cidade de Bagé em 1924. Seu proprietário, o pintor João Dutra, trabalhou em outros veículos da imprensa negra na cidade e atuou como secretário no time de futebol Sport Club União.

Nas décadas posteriores à abolição da escravatura no Brasil (1888), foram criados vários jornais dedicados à comunidade negra, entre eles O Rouxinol. Em Bagé, outros exemplos desta imprensa foram O Rio Branco, A Liberdade, A Defeza e O Palmeira.

Alguns jornais da imprensa negra na época costumavam vigiar o comportamento da comunidade, em especial das mulheres. Os negros deveriam mostrar-se disciplinados para combater os estigmas impostos ao grupo. A linha era fornecida por colunas populares como a Pesquei, publicada pelo jornal A Alvorada, de Pelotas. Escrita pelo dono do jornal sob um pseudônimo, dava conselhos sobre o comportamento a seguir ao mesmo tempo em que defendia a autoafirmação racial. História

Antecedentes No Brasil, o primeiro jornal para a comunidade negra foi O Homem de Cor, criado em 1833. O desenvolvimento da imprensa em geral foi tardio no país, prejudicado pela proibição da monarquia portuguesa, que só autorizou a atividade em 1808. Bagé teve uma quantidade incomum de periódicos negros para uma cidade do interior. Estudos identificam mais de uma dezena de títulos entre 1913 e 1939 (e alguns posteriores), incluindo O Rio Branco (1913), A Liberdade (1919), A Revolta (1925), A Defeza (1920), O Palmeira (1922; 1927, 1949, 1952), O Teimoso (1928), O Boato (1929), O Lampeão (1934), A Tesoura (1935), O Arauto (1936), Socega Leão (1937; 1939) e O 28 de Setembro (1937, 1938, 1939).

Além da falta de autorização oficial, outros fatores atrapalharam o desenvolvimento da imprensa. Uma deficiência importante era o baixo índice de leitores por causa do analfabetismo. Sem leitores em número razoável, os periódicos não atingiam viabilidade econômica.

As dificuldades de impressão eram muitas, considerando que até 1821 apenas a Gazeta do Rio de Janeiro tinha garantida sua produção na imprensa régia, a tipografia oficial. As demais publicações dependiam da anuência do governo. Com a independência do Brasil, surgiram diversos periódicos na corte e nas províncias.

Conceito A imprensa negra caracterizou-se por dar vazão às reivindicações da comunidade pela via da comunicação impressa. Uma marca comum dos títulos que integraram este movimento era enfrentar a discriminação e o preconceito. No primeiro momento, após a abolição, levantavam questões da população não escravizada. Com o passar do tempo, a luta foi desdobrada para as facetas do racismo estrutural.

Ainda é pequena a atenção aos jornais da imprensa negra entre os cursos de jornalismo. Os manuais e obras de referência sobre a história da atividade desconhecem estes títulos, na opinião do historiador José Antônio dos Santos. Ligações externas

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