Ferry Gold é o terceiro álbum de estúdio da cantautora portuguesa A Garota Não. Edição de autor, com o apoio da Sociedade Portuguesa de Autores e da Fundação GDA, foi lançado em 2025 na plataforma Bandcamp, 3 anos depois do álbum anterior, 2 de Abril. A edição foi disponibilizada em formato digital com 23 temas, e também em CD (19 temas) e vinil (20 temas), que incluíam a descarga digital.
O álbum foi apresentado ao vivo no dia 2 de Maio de 2025, em Guimarães, num concerto esgotado no Centro Cultural Vila Flor, e não foi sujeito a promoção anterior à sua publicação, uma vez que a autora não queria destacar temas específicos em detrimento de outros ao lançá-los como singles.
O nome do álbum faz referência ao ferry que liga Setúbal a Troia, e foi descrito pela autora como um regresso emocional à infância que passou em Tróia. Ao contrastar o lugar da sua infância com aquilo em que se tornou hoje, a autora expande a transformação ao país e reflecte nas desigualdades e políticas de exclusão que vão desde a degradação do Serviço Nacional de Saúde à elitização de espaços públicos.
Segundo a autora, os temas nascem: Ou de algum beat, ou de alguma fala parlamentar, de uma notícia, de uma mania minha, de uma observação na esplanada de um café, em lugares onde somos sociais e que são lugares que muitas vezes me inspiram, não necessariamente a boas reflexões, mas como lugares onde encontro alguma ponta para a criação. E falam de muitas coisas, falam de luto, falam de luta, falam de amor, falam de muitas ironias coletivas e falam de sonhos. Gosto muito desta expressão, que é um bocadinho roubada ao Saramago, sonhos levantados do chão.
As referências utilizadas incluem Allen Halloween, Federico García Lorca, João Quadros, Xullaji, Márcia, Irene Lisboa, entre outros. Não me lembro se era o Manuel António Pina que dizia ou se ele dizia isto que alguém outro dizia, mas nós acabamos todos por ser ladrões da obra uns dos outros (...) Só que às vezes denunciamo-nos mais. E aqui não queria que passasse nada ao lado e por isso é que faço muita questão de creditar tudo a toda a gente, de ter pedido sempre que possível, sempre que estão vivos, autorizações para a utilização de um excerto, de uma ideia. Acho muito bonito assumirmos que de facto somos, cada um de nós, feitos de muitos textos. E este disco é claramente uma confissão, sou feita de muitos textos e às vezes não tenho uma melhor maneira de falar da corrupção humana por uso de drogas, por exemplo, do que já fez o Allen Halloween. Então porque é que não vou pegar nas palavras dele? Que me significam tanto e que me levam também a memórias da minha própria vida, que não vivi na primeira pessoa mas vivi através da minha irmã, porque ele descreve aquilo com muita propriedade e eu encontro-o na narrativa dele. Por vezes as coisas já foram tão bem ditas que não preciso de estar sempre a tentar reescrevê-las na minha própria voz. É um exercício catártico muito importante, mas às vezes a coisa já está dita e vamos honrar também quem já o disse, quem já fez esse trabalho. Inicialmente o álbum tinha o título de Ensaios, que foi mudado para Ferry Gold devido ao tema do mesmo nome, que aludia não só ao meio de transporte, como ao turismo na península de Tróia e à delapidação do território.
A designer e artista Ana Polido faz a produção artística do álbum e também a sua produção manual. As pinturas ficaram a cargo de Joana Carvalhinho Batista.
Recepção da crítica O álbum recebeu críticas positivas em várias publicações, e integrou o top 10 nacional da Revista Visão. Ficou em 7.° lugar no top 10 da revista Irreversível.
A Antena 3 seleccionou Ferry Gold como o 4.° melhor álbum nacional de 2025 e o tema Este país não é para mães ficou em terceiro lugar das 30 canções nacionais de 2025.
O Blitz atribuiu a este álbum o 3.° lugar no seu top 25.
Faixas
Créditos A produção, arranjos e direcção musical estiveram a cargo d'A Garota Não e de Sérgio Miendes.
Colaboradores
Aldina Duarte - carta em Aurora João Mota - carta em Aurora
Instrumentistas
Diogo Sousa - bateria Iuri Oliveira - percussão, palmas e marés Renato Sousa - guitarras AGN - vozes, guitarra acústica, teclados, percussões, texturas João Mota - vozes Sérgio Miendes - guitarra eléctrica, acústica, baixo, violoncelo Ana du Carmo - vozes Luís Figueiredo - teclados
Categoria:Álbuns de A Garota Não Categoria:Álbuns em língua portuguesa Categoria:Álbuns de 2025