New Glenn é uma família de veículos de lançamento de dois estágios, parcialmente reutilizáveis, desenvolvida e operada pela empresa norte-americana Blue Origin. O foguete tem a configuração operacional de carga pesada New Glenn 7×2 e a configuração superpesada New Glenn 9×4, em desenvolvimento. As duas usam estágios com 7 metros de diâmetro. O 7×2 pode levar 45 toneladas à órbita terrestre baixa, a maior capacidade entre os veículos reutilizáveis que já chegaram à órbita.

O desenvolvimento começou antes de 2013 e foi anunciado oficialmente em 2016. O nome homenageia o astronauta da NASA John Glenn, o primeiro norte-americano a orbitar a Terra. O primeiro veículo foi apresentado na plataforma de lançamento em fevereiro de 2024. Seu voo inaugural, NG-1, partiu do Complexo de Lançamento 36 de Cabo Canaveral em 16 de janeiro de 2025. A carga era o protótipo Blue Ring Pathfinder. Esse foi o primeiro dos voos de demonstração exigidos para a certificação no programa National Security Space Launch.

O primeiro estágio foi projetado para reutilização, assim como o foguete suborbital New Shepard. Ele pousa no mar sobre a barcaça Jacklyn. O primeiro pouso bem-sucedido ocorreu no segundo voo, NG-2, em 13 de novembro de 2025. O New Glenn também foi escolhido para lançar o módulo lunar robótico Blue Moon Mark 1 da Blue Origin.

O primeiro estágio do 7×2 usa sete motores BE-4 alimentados por metano e oxigênio líquidos. O segundo usa dois motores BE-3U alimentados por hidrogênio e oxigênio líquidos. Os dois tipos de motor foram projetados e construídos pela Blue Origin. Os lançamentos partem do Complexo 36 em Cabo Canaveral, e há missões planejadas para o Complexo de Lançamento Espacial 14 de Vandenberg. O foguete faz parte do grupo de veículos norte-americanos de carga pesada em operação, ao lado do Vulcan Centaur, da United Launch Alliance, e do Falcon Heavy, da SpaceX. Uma explosão em maio de 2026, quando um veículo dessa configuração era preparado para um lançamento do Amazon Leo, danificou gravemente o Complexo 36.

O New Glenn 9×4 estava em desenvolvimento em 2025. Seu primeiro estágio terá nove motores BE-4, e o segundo terá quatro BE-3U. A carenagem de carga útil terá 8,7 metros de diâmetro, e o foguete deverá ter altura próxima à da Starship.

História A Blue Origin começou a desenvolver um sistema de foguete orbital antes de 2012. Em 2013, a empresa informou que o primeiro estágio faria um pouso vertical propulsivo e seria reutilizável. Os planos de construir um veículo de lançamento orbital foram apresentados ao público em setembro de 2015. Quatro meses depois, a empresa disse que o novo foguete seria muito maior que o New Shepard e o primeiro de uma família de veículos orbitais. Em setembro de 2016, ela divulgou o projeto básico, anunciou a intenção de construir versões de dois e três estágios e apresentou o nome New Glenn.

Primeiros projetos de subsistemas orbitais A Blue Origin começou a desenvolver sistemas para espaçonaves orbitais tripuladas antes de 2012. Um propulsor reutilizável de primeiro estágio foi projetado para seguir uma trajetória suborbital, com decolagem vertical semelhante à de um foguete convencional de estágios. Depois da separação, o estágio superior continuaria a levar os astronautas à órbita, enquanto o primeiro estágio desceria para um pouso vertical propulsivo, tal como o New Shepard. Desde os primeiros conceitos, a intenção era reabastecer e relançar o propulsor para reduzir o custo de acesso ao espaço.

O foguete levaria à órbita a cápsula bicônica Space Vehicle da Blue Origin, com astronautas e suprimentos. Ao terminar a missão, a cápsula reentraria na atmosfera terrestre e pousaria em terra com paraquedas, para ser usada em novos voos.

Os testes dos motores do veículo, então chamado Reusable Booster System, começaram em 2012. Em outubro daquele ano, uma câmara de empuxo do motor de estágio superior BE-3U, movido a oxigênio e hidrogênio líquidos, foi ensaiada em potência máxima no Centro Espacial John C. Stennis, uma instalação de testes da NASA. A câmara chegou ao empuxo máximo de cerca de 445 kN. No início de 2018, foi anunciado que o motor BE-3U movido a hidrogênio e oxigênio líquidos equiparia o segundo estágio do New Glenn.

Desenvolvimento O projeto do veículo começou em 2012, junto com o desenvolvimento do motor BE-4. Outros planos para um foguete orbital foram divulgados em 2015. Por alguns meses de 2016, o veículo foi chamado publicamente pelo nome provisório "Very Big Brother". Ele seria um foguete de propelente líquido com dois estágios, projetado para reutilização. No início de 2016, a Blue Origin previa que o primeiro lançamento orbital ocorreria na Flórida a partir de 2020. A previsão ainda era 2020 em setembro de 2017. O presidente da empresa, Rob Meyerson, falou sobre etapas do desenvolvimento dos motores e do veículo orbital em uma entrevista de fevereiro de 2016.

O veículo e suas especificações gerais foram apresentados em setembro de 2016. O New Glenn tinha 7 metros de diâmetro e versões de dois ou três estágios. O primeiro e o segundo estágios usariam motores da Blue Origin alimentados por metano e oxigênio líquidos. O primeiro estágio seria reutilizável e pousaria verticalmente, como o New Shepard. O projeto de 2016 previa sete motores BE-4 de eixo único e ciclo de combustão em estágios rico em oxigênio, um BE-4U otimizado para o vácuo no segundo estágio e um BE-3 movido a hidrogênio e oxigênio líquidos no terceiro. Naquele projeto, o primeiro estágio poderia ser reutilizado em até cem voos. A Blue Origin também anunciou o Complexo de Lançamento 36 como base do foguete e uma nova fábrica em um terreno próximo, no Exploration Park. Os testes de aceitação dos motores BE-4 seriam feitos na Flórida.

O nome New Glenn foi anunciado em 12 de setembro de 2016, em homenagem a John Glenn. O voo inaugural era esperado a partir de 2020. Em setembro de 2016, três semanas de ensaios de um modelo em escala em túnel de vento validaram os modelos de dinâmica de fluidos computacional usados no projeto para voos transônicos e supersônicos.

Em março de 2017, Jeff Bezos mostrou imagens do New Glenn com duas grandes aletas na parte inferior do propulsor.Entrevista de Jeff Bezos na Satellite 2017, com 23 minutos, por volta de março de 2017. Cópia arquivada em 18 de novembro de 2020. Em setembro, a empresa anunciou uma carenagem de carga útil de 7 metros de diâmetro, maior que a de 5,4 metros do projeto inicial.

miniatura|upright=0.25|Projeto do New Glenn em outubro de 2018 Em março de 2018, o projeto já havia mudado. O segundo estágio passaria a usar dois motores BE-3U, versões para vácuo do BE-3 movido a hidrogênio e oxigênio líquidos, enquanto a opção de terceiro estágio para o espaço profundo usaria um BE-3U. A versão de três estágios foi cancelada em janeiro de 2019. Em meados de 2018, o projeto detalhado ainda não estava pronto, e engenheiros da empresa, clientes e especialistas do setor questionavam se o primeiro lançamento ocorreria em 2020.

Em outubro de 2018, a Força Aérea concedeu à Blue Origin até US$ 500 milhões para desenvolver o New Glenn como possível concorrente em contratos futuros, entre eles a segunda fase do Evolved Expendable Launch Vehicle. O acordo terminou em dezembro de 2020 porque a Blue Origin não foi escolhida na segunda fase da aquisição do National Security Space Launch, e esses acordos seriam encerrados para as empresas que não vencessem a disputa. A Blue Origin recebeu US$ 255,5 milhões dos US$ 500 milhões previstos.

Em fevereiro de 2019, já havia contratos para cinco lançamentos da OneWeb, uma quantidade não divulgada da Telesat e um voo para cada uma das empresas Eutelsat, mu Space e SKY Perfect JSAT. Naquele mês, a empresa disse que um segundo estágio reutilizável não fazia parte de seus planos. Em julho de 2021, voltou a estudar maneiras de obter esse recurso no Projeto Jarvis.

Em agosto de 2020, a Força Aérea anunciou que o New Glenn não havia sido escolhido na segunda fase de contratação do National Security Space Launch. Em fevereiro de 2021, a Blue Origin adiou o primeiro voo para o fim de 2022, no mínimo.

Em dezembro de 2020, a Blue Origin informou que entregaria os primeiros motores BE-4 à United Launch Alliance apenas no verão de 2021. A ULA informou que o primeiro lançamento do Vulcan Centaur, concorrente do New Glenn, não ocorreria antes do quarto trimestre daquele ano. Em março de 2021, a Blue Origin adiou de novo o New Glenn e declarou que o foguete só voaria a partir do quarto trimestre de 2022.

Em 2021, a especificação publicada pela empresa passou a prever pelo menos 25 voos para o primeiro estágio, abaixo dos cem voos pretendidos no projeto de 2016.

Em março de 2022, a data prevista para o primeiro lançamento passou para o quarto trimestre de 2023, no mínimo.

Em janeiro de 2024, o primeiro estágio foi levado da fábrica ao complexo de lançamento, no Centro Espacial John F. Kennedy, durante os preparativos para um voo naquele ano.

Em fevereiro de 2024, modelos dos dois estágios foram erguidos pela primeira vez na plataforma LC-36. O veículo de teste não estava pronto para voar e não tinha motores funcionais. O New Glenn voltou à plataforma em maio para outros testes antes do lançamento previsto para o fim do ano.

Segundo estágio reutilizável miniatura|John Glenn, o primeiro norte-americano a orbitar a Terra e a pessoa que deu nome ao New Glenn, pilota a cápsula Friendship 7 durante seu voo em 20 de fevereiro de 1962

O segundo estágio original do New Glenn era descartável, mas a Blue Origin estudou maneiras de torná-lo reutilizável. Em julho de 2021, a empresa havia iniciado o Projeto Jarvis, dedicado ao desenvolvimento de um segundo estágio inteiramente reutilizável. O trabalho abrangia tanques de propelente e estruturas de aço inoxidável. Um tanque de testes feito desse material foi levado ao Complexo 36 em agosto de 2021 para ensaios de pressão no solo com propelentes criogênicos.

A Blue Origin examinou outros projetos de estágio reutilizável. Entre eles estavam um estágio alado que reentraria como um avião espacial, um conceito com motor aerospike que também faria o papel de escudo térmico e outro de alto arrasto com abas e um sistema de proteção térmica semelhante ao da Starship. Em setembro de 2024, Bezos disse que a empresa tinha um projeto para o segundo estágio reutilizável e desenvolvia o sistema de proteção térmica, mas ainda avaliava se usaria alumínio ou aço inoxidável. Também afirmou que o trabalho em um segundo estágio descartável mais barato prosseguia e que a reutilização poderia ser abandonada se a alternativa descartável fosse mais econômica.

Depois do primeiro voo do New Glenn, em janeiro de 2025, o Projeto Jarvis foi arquivado.

Voo inaugural miniatura|Lançamento do New Glenn no Complexo de Lançamento Espacial 36 da Estação da Força Espacial de Cabo Canaveral, em 16 de janeiro de 2025

Em 12 de junho de 2024, a Blue Origin recebeu a licença de comunicações para o voo inaugural. O veículo foi escolhido para o programa NSSL dos Estados Unidos, que esperava o lançamento até dezembro de 2024.

No fim de agosto, começaram os preparativos para lançar a missão ESCAPADE, formada por dois satélites Photon da Rocket Lab destinados a Marte, sob um contrato VADR da NASA. A Blue Origin e a NASA desistiram da janela de outubro devido ao custo, aos atrasos e aos problemas técnicos que poderiam surgir, além dos riscos de retirar o combustível do veículo se a partida fosse adiada.

Em setembro de 2024, o plano passou a ser um voo de demonstração do programa NSSL com o Blue Ring Pathfinder. O propulsor recebeu o nome So You're Telling Me There's a Chance, uma alusão à dificuldade de pousar um veículo reutilizável logo na primeira tentativa.