Cláudio Roberto dos Santos Insaurriaga (Pelotas, 14 de junho de 1951), mais conhecido como Cururu, é um marceneiro, músico e político brasileiro. Eleito vereador em 2004, teve seu mandato cassado pela Câmara Municipal de Pelotas após realizar uma encenação de ritual de exorcismo no plenário, tornando-se o primeiro parlamentar a ser cassado na história do município.
Primeiros anos Cláudio Insaurriaga nasceu em Pelotas, no Rio Grande do Sul, um dos oito filhos de um motorista pobre. Em 1976, arranjou emprego na gráfica da Universidade Federal de Pelotas, no qual recebia 16 salários mínimos. Visando seguir carreira artística, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde ficou até o início da década de 1980. Cláudio desejava viver como músico, mas ao longo da vida também trabalhou como empreendedor e marceneiro/restaurador de móveis antigos.
Carreira política Primórdios No fim da década de 1970, quando ainda morava no RJ, passou a militar pelo Movimento Democrático Brasileiro, com particular interesse pelo ambientalismo e inspirado em José Lutzenberger. Nesse sentido, participou da Associação Mageense de Proteção Ambiental, situada na cidade de Magé. Após retornar a Pelotas, ajudou a organizar o Partido Socialista Brasileiro na cidade, além de ter presidido a Associação Pelotense de Proteção ao Ambiente Natural e o Conselho Municipal de Controle Ambiental.
Filiou-se ao Partido dos Trabalhadores (PT) em 1987, pelo qual concorreu ao cargo de vereador no ano seguinte, sem êxito. Militou no PT até 1999, quando deixou a legenda em protesto aos rumos políticos do diretório local. Em 2004, após alguns anos afastado da política partidária, aceitou um convite do então Partido da Frente Liberal (PFL) para disputar a eleição daquele ano. Assim, Insaurriaga candidatou-se a vereador de Pelotas pela coligação "Mais Pelotas" (PFL/PSDB) com uma campanha que chamou a atenção pela originalidade frente à falta de recursos. Com pouco investimento financeiro, apostou no contato direto com os eleitores — o chamado "corpo a corpo" pelas ruas da cidade —, em palavras simples e em um discurso abertamente antipolítico; prometia não ser ladrão nem mentiroso como outros políticos, declarava que iria incomodar os corruptos e afirmava que resolveria "seus problemas" — o singular era deliberado, funcionando como espelho da sensação do eleitor comum de que a política institucional nunca resolve nada para ele individualmente. A estratégia produziu uma votação expressiva: 4 643 votos, o quinto candidato mais votado do pleito e o mais votado da coligação.
2005–2008: Vereador de Pelotas O mandato de Cururu foi marcado por turbulência permanente. Seus projetos eram sistematicamente rejeitados pelos colegas vereadores. Suas intervenções no plenário causavam controvérsia contínua. Segundo o pesquisador Celso Maclove Souza Soares, o padrão de atuação de Cururu era pautado por denúncias de práticas do legislativo local identificadas como vícios históricos da política brasileira, como o clientelismo, o patrimonialismo e o uso corporativista do espaço público. Entre os episódios documentados nas atas da Casa, destaca-se sua atuação em dois casos emblemáticos: a contratação de um assessor jurídico adjunto — que Cururu questionou publicamente — e o projeto de construção de uma nova sede para o legislativo, ao qual se opôs de forma veemente. Em um episódio de repercussão do seu primeiro ano de mandato, Cururu chegou a ser agredido durante uma discussão com outros vereadores. Após a cassação, como ex-vereador, compareceu ao Ministério Público para denunciar suposto nepotismo na Câmara, relacionado à contratação de familiares do presidente da Casa como assessores.
Em 2006, foi candidato a deputado federal pelo PFL, mas não se elegeu apesar dos mais de 20 mil votos. Em novembro desse mesmo ano, mudou-se para o Partido Verde após diversos atritos com a direção do PFL que culminaram na falta de apoio do partido a sua candidatura a deputado. Além disso, Cururu manteve conflitos pessoais com o correligionário Ademar Ornel e chegou a solicitar a cassação de mandato do colega, negada pelo plenário.
"Exorcismo" e cassação Em 15 de janeiro de 2008, foi encontrado no porão da Câmara Municipal de Pelotas um caixão contendo bonecos de vodu fixados a fotografias de vereadores, incluindo os cinco membros da mesa diretora. Uma semana depois, em 22 de janeiro, Cururu subiu à tribuna do plenário vestido com túnica branca, coroa de espinhos e crucifixo no peito, e encenou um ritual de exorcismo, declarando que agia para neutralizar os "trabalhos de magia negra" contra os parlamentares, que, segundo ele, foram realizados por colega de câmara que estava enfrentando processo na justiça. O episódio causou controvérsia imediata, e a sessão daquele dia foi cancelada em protesto ao ato.
Logo após o ocorrido, o vereador suplente Marcos Cunha e Joabe Bohns, presidente da Federação Sul-Riograndense de Umbanda e Cultos Afro-brasileiros, entraram com um pedido de cassação do mandato de Cururu. Em 20 de março de 2008, após processo formal com oitivas na Comissão Processante e sessões de julgamento, a CMP cassou seu mandato por quebra de decoro parlamentar com apenas dois votos contrários. Foi a primeira cassação de um parlamentar na história do legislativo pelotense. Cururu recorreu da decisão, porém a 6.ª Vara Cível de Pelotas negou o pedido de liminar para recondução ao cargo. Em maio, o desembargador Vasco Della Giustina, do Tribunal de Justiça do RS, chegou a conceder uma liminar que temporariamente o recolocou no mandato, mas em agosto de 2008 a própria 4.ª Câmara Cível do TJRS, por unanimidade, cassou a liminar, com o mesmo desembargador reconhecendo que a conduta de Cururu havia sido "grave, insólita e de repercussão". O tribunal entendeu que a cassação foi "eminentemente política" e que ao Judiciário não cabia interferir em seu mérito.
Em 2 de setembro de 2008, Cururu foi formalmente sucedido na Câmara por Eduardo Leite, então suplente do PSDB.
2008–presente: Após a cassação Em outubro de 2008, Cururu recandidatou-se à vereança e recebeu 5 692 votos, sendo o quarto mais votado do pleito. No entanto, o PV não foi capaz de ultrapassar o quociente eleitoral, logo, Insaurriaga não foi eleito. Ele assumiu a presidência do partido nessa época.
Após sair do PV, passou a presidir o Partido da Mobilização Nacional em Pelotas, legenda pela qual teve duas candidaturas indeferidas, uma em 2012 e outra em 2016. Em 2020, teve outra candidatura indeferida, dessa vez pelo Progressistas.
Vida pessoal Insaurriaga já foi casado. Uma de suas filhas, Gisele Insaurriaga, foi candidata à vice-prefeita de Pelotas pelo PMN em 2016.
Imagem pública A pesquisadora Andréa Fonseca Silva analisou Cururu como um caso singular de gestão da autoimagem por meio da criação de faits divers. Sua conclusão é de que Insaurriaga era "o marqueteiro de si próprio": sem assessoria profissional, intuiu que a excentricidade, os bordões e os episódios polêmicos produzem mais visibilidade do que campanhas convencionais. Ela observou que Cururu conseguia ser "amado e odiado com a mesma intensidade" — o que, do ponto de vista da visibilidade pública, é positivamente eficaz. O discurso bairrista, carregado de expressões regionalistas gaúchas, e sua trajetória como trabalhador popular criavam uma ponte afetiva com o eleitorado que se sentia invisível para a política formal.
Bibliografia
Categoria:Ambientalistas do Rio Grande do Sul Categoria:Membros do Democratas (Brasil) do Rio Grande do Sul Categoria:Membros do Mobilização Nacional Categoria:Membros do Partido dos Trabalhadores do Rio Grande do Sul Categoria:Membros do Partido Verde (Brasil) Categoria:Membros do Progressistas do Rio Grande do Sul Categoria:Naturais de Pelotas Categoria:Políticos cassados Categoria:Vereadores de Pelotas