A Operação Scylla () foi a travessia do Scipione Africano, um cruzador da classe-Capitani Romani da (Marinha Real Italiana), na noite de 17/18 de julho de 1943, durante a Segunda Guerra Mundial. O cruzador navegou de La Spezia no Mar Tirreno para Tarento no Mar Jônico durante a invasão Aliada da Sicília.
O Scipione Africano travou um combate noturno contra quatro lanchas torpedeiras (LTs) britânicas durante sua passagem pelo Estreito de Messina. Pelo menos duas LTs lançaram seus torpedos, enquanto o cruzador disparou seus canhões principais e secundários navegando à velocidade máxima. Uma LT foi destruída e outra danificada; o Scipione Africano sofreu danos superficiais após ser alvejado por engano pela artilharia costeira do Eixo. A ação foi a única vez que um navio de guerra italiano fez uso eficaz do radar de superfície durante um combate na guerra.
Antecedentes
Bloqueio Aliado da Sicília Durante a invasão Aliada da Sicília (Operação Husky, 9 de julho – 17 de agosto de 1943), as Lanchas Torpedeiras (LTs) e Lanchas de Artilharia britânicas se mudaram da Argélia para Malta, e dali para os portos capturados na Sicília. A retirada do Eixo da Sicília ( para os alemães) ocorreu de 3 a 17 de agosto. As lanchas patrulhavam o Estreito de Messina e montavam emboscadas, esperando por navios e embarcações de desembarque do Eixo; com os motores desligados, as tripulações das lanchas ouviam os motores dos navios. O Tenente Denis Jermain, o oficial superior de quatro lanças da 10.ª Flotilha de LTs em patrulha durante a noite de 17/18 de julho de 1943, havia decidido que, ao atacar um navio do Eixo, uma lancha atuaria como chamariz, fazendo o máximo de barulho possível, para que as outras lanchas se movessem discretamente para posições de lançamento de torpedos.
O cruzador italiano da classe-Capitani Romani Scipione Africano () foi um dos quatro navios da classe a serem construídos e estava equipado com um EC-3 Gufo (Coruja). Os conjuntos eram fabricados na Itália e entraram em serviço no início de 1942. O Scipione estava baseado em La Spezia, na região da Ligúria, na costa noroeste da Itália. Quando a invasão Aliada da Sicília começou, antecipando um bloqueio do Estreito de Messina por forças navais americanas e britânicas, a ordenou que o Scipione Africano (Capitão Ernesto Pellegrini) partisse de La Spezia pela costa oeste da Itália para Tarento, na Apúlia, para remediar a falta de cruzadores rápidos no Mar Jônico.
Preliminares
Operação Scylla () Em 15 de julho de 1943, o Scipione partiu de La Spezia para Nápoles e chegou naquela noite, sendo perseguido por um hidroavião britânico. O Scipione embarcou uma equipe de ligação aérea e um receptor de alerta de radar de alta frequência. Ele partiu novamente às 18h15 de 16 de julho e entrou no Estreito de Messina à 00h20 de 17 de julho, com uma lua cheia nascendo do sul. Alguns dias antes, na noite de 12/13 de julho, a lancha torpedeira britânica MTB 81 havia afundado o U-561 nas aproximações do norte do estreito.
Ação noturna
Ao chegar ao estreito, o Scipione detectou quatro pequenas embarcações em seu conjunto , a à frente, entre Régio da Calábria e . No início, Pellegrini pensou que eram (barcaças motorizadas) amigas. À 02h13, o movimento da embarcação líder convenceu Pellegrini de que as lanchas eram LTs Aliadas e ele ordenou um aumento de velocidade de para .
As LTs eram quatro lanchas britânicas Elco da 10.ª Flotilha de LTs (Tenente Dennis Jermain) baseadas em Augusta, compreendendo MTB 260 (Tenente H. F. Wadds, R.A.N.V.R.), MTB 313 (Tenente Alec Foster), MTB 315 (Tenente L. E. Newall, R.N.Z.N.V.R.) e MTB 316 (Tenente R. B. Adams). As LTs britânicas estavam à espreita para embarcações de desembarque do Eixo e . Jermain, no MTB 315, escreveu mais tarde:
Jermain deu o alarme e ordenou que as outras lanchas ligassem os motores e se dispersassem. Sem tempo para fazer sinais, Jermain moveu a MTB 315 para o leste, deixando duas lanchas para cada lado do . Jermain pretendia fazer uma finta com a MTB 315 para atrair a atenção do cruzador e deixar as outras lanchas em melhor posição para o ataque.
Pellegrini tinha virado seu navio para 200 graus, rumando para um ponto entre a MTB 313 e a MTB 316. A velocidade do cruzador surpreendeu os britânicos e ele estava a apenas de distância quando eles estavam prontos para disparar torpedos. O Scipione abriu fogo com todos os canhões, com uma precisão que Pellegrini disse que "o deixou surpreso". O relato italiano afirma que o combate durou não mais que três minutos e que a primeira embarcação Aliada a ser atingida por projéteis de foi a lancha mais próxima a estibordo, que foi deixada em "condições de afundamento". Esta era a MTB 313, a apenas de distância do Scipione. A MTB 313 estava pronta para lançar torpedos, quando Foster foi ferido na perna e o oficial suplente da flotilha, o subtenente John McKim, foi mortalmente ferido. Um torpedo passou bem à frente do Scipione e a LT danificada se afastou mancando.
A MTB 260 também estava no lado de estibordo do cruzador e reivindicou um acerto. Após ser alvejada pelo Scipione, a MTB 260 escapou com danos menores. O relato italiano diz que ela foi incendiada. A MTB 316 estava a cerca de de distância a bombordo do Scipione quando foi alvejada. A LT foi atingida e explodiu poucos segundos depois, com os destroços afundando com toda a tripulação. A explosão ocorreu tão perto do cruzador que fragmentos da MTB 316 caíram a bordo do Scipione. A análise desses restos produziu alguma controvérsia, quando fontes italianas afirmaram ter afundado a MTB 305, que não estava no Mediterrâneo, por causa de uma inscrição de um painel de madeira recuperado.
O Scipione foi perseguido pelo estreito pela MTB 315 e pela MTB 260 até que ele virou a bombordo para Tarento. Pellegrini relatou que uma das embarcações no lado de bombordo disparou dois torpedos que o Scipione desviou. A embarcação era a MTB 315, que o Scipione enfrentou com suas metralhadoras pesadas. No final da ação, o Scipione foi bombardeado pela artilharia costeira alemã e italiana, o que causou danos por estilhaços e feriu dois marinheiros. Fontes britânicas registraram um ataque aéreo ao Scipione por aeronaves do Eixo, não mencionado por Pellegrino. O Scipione chegou a Tarento às 09h46 de 18 de julho.
Consequências
Operações subsequentes Cerca de uma hora após o Scipione passar pelo estreito, o submarino italiano Ambra, escoltado pelo torpedeiro Partenope, chegou a Messina, também vindo de La Spezia. O Ambra deveria atacar o transporte marítimo Aliado em Siracusa com lanchas explosivas (MTRs) na noite de 17/18 de julho, mas a operação foi cancelada após o submarino ser atacado com cargas de profundidade e danificado por um Vickers Wellington do 221 Esquadrão; o Ambra não sofreu baixas e voltou mancando para Messina. Na manhã seguinte à ação, o Subtenente McKim foi enterrado no mar ao largo de Augusta. Nenhum vestígio da MTB 316 e de sua tripulação foi encontrado pelas forças Aliadas. Na noite seguinte, a MTB 75 foi atingida e seriamente danificada por baterias costeiras no Estreito de Messina, enquanto na noite de 19 de julho, um U-boat não identificado foi atacado com cargas de profundidade por pequenas unidades britânicas e teve uma escapada por pouco ao largo de Régio da Calábria. De 4 a 17 de agosto, o Scipione e o antigo cruzador rápido Luigi Cadorna colocaram quatro campos minados defensivos no Golfo de Tarento e no . No dia seguinte à divulgação pública do Armistício de Cassibile, o Scipione escoltou a corveta Baionetta, transportando a família real italiana de Pescara para Brindisi, onde foi atacado por aeronaves alemãs. O Scipione transportou o novo chefe de governo, General Pietro Badoglio, e seu gabinete para Malta.
Ordens de batalha
Cruzador italiano +Scipione AfricanoNomeBandeiraTipoScipione Africanoclasse-Capitani Romani
Navios Aliados +10ª Flotilha de LTsNomeBandeiraTipoNotasMTB 260Lancha torpedeira ElcoDanos menoresMTB 313Lancha torpedeira ElcoDanificadaMTB 315Lancha torpedeira ElcoNavio-almirante, Tenente Dennis JermainMTB 316Lancha torpedeira ElcoAfundada, sem sobreviventes
Ver também
Invasão aliada da Sicília Batalha do Mediterrâneo Segunda Guerra Mundial
Referências
Bibliografia
Categoria:Conflitos em 1943 Categoria:Batalhas navais da Segunda Guerra Mundial envolvendo a Itália Categoria:Batalhas navais da Segunda Guerra Mundial envolvendo o Reino Unido Categoria:1943 na Itália Categoria:Incidentes de fogo amigo na Segunda Guerra Mundial Categoria:Segunda Guerra Mundial