thumb|Um das embalagens de Cigarrinhos da Chocolates Pan. Nesta versão, com o ator Paulo Pompéia. Os Cigarrinhos Pan foram uma linha de doce em forma de cigarro infantil brasileiro, produzido pela empresa Chocolates Pan a partir de 1941. Consistia em bastões de chocolate ao leite envoltos em papel que imitava cigarros e vendidos em embalagens que simulavam maços. O produto fez grande sucesso entre crianças e permaneceu disponível até a década de 1990.

Com a intensificação das campanhas antitabagismo, o Ministério da Saúde passou a criticá-lo por induzir o hábito de fumar, o que levou a Pan a rebatizá-lo como “rolinhos de chocolate” na década de 1990. Em seguida, a fabricação foi descontinuada e o produto saiu de linha. A existência desse doce gerou debates regulatórios. Por exemplo, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu em 2002 embalagens de alimentos que imitam produtos fumígenos, e projetos legislativos no Congresso (2007-2010) visaram proibir oficialmente produtos infantis em forma de cigarro.

História thumb|Histórico de embalagens, incluindo uma embalagem de produto análogo da Chocolates Garoto.

A Chocolates Pan foi fundada em 1935 em São Caetano do Sul, em São Paulo, e, em 1941, lançou o doce em formato de cigarro que ficaria conhecido como cigarro de chocolate. O produto consistia em pequenos bastões de chocolate ao leite moldados em formato cilíndrico, envoltos em papel branco semelhante ao de cigarros reais. Eram vendidos em caixa que imitava um maço de cigarros comum, explorando o imaginário infantil da época. O doce tornou-se um dos artigos mais emblemáticos da Pan, sendo até considerado a origem da popularidade da marca.

Nos anos 1950, campanhas publicitárias estreladas pelo garoto-propaganda Paulo Pompeia ajudaram a consolidar a imagem do produto como ícone infantil, visto que foi o "menino dos cigarrinhos de chocolate", aparecendo em propagandas que mostravam crianças fingindo fumar o doce. Essas ações refletiam o contexto social, em que o fumo era visto como algo "chique" e brincadeiras que imitavam adultos eram comuns na infância.

Em resposta à mudança cultural e às novas normas de publicidade infantil, a Pan alterou a apresentação do doce na década de 1990. O nome “cigarro de chocolate” foi substituído por “rolinhos de chocolate” e a embalagem foi reformulada. Essa mudança visava desencorajar a associação do produto ao tabagismo infantil, conforme recomendações de órgãos de saúde. Posteriormente, já no final dos anos 1990, a produção do doce foi totalmente interrompida e o produto saiu de circulação.

Popularização

O cigarro de chocolate tornou-se popular nas décadas de 1970-1980, sendo vendido em mercearias, padarias e bancas de jornal por todo o país. Na época, o hábito de fumar era comum e a embalagem que imitava maço de cigarro despertava interesse das crianças, fazendo-as sentir que brincavam de adulto. As crianças imitavam o gesto de segurar o “cigarro” de chocolate, o que era incentivado pelas propagandas da época. Por exemplo, Paulo Pompeia estrelou no final da década de 1950 uma campanha em que aparecia com o doce em formato de cigarro.

Esse produto infantil inspirava nostalgia em gerações posteriores, sendo frequentemente lembrado em reportagens sobre a infância brasileira dos anos 1980 e 1990. O sucesso do *cigarro de chocolate* fez com que a Pan ampliasse sua linha de doces semelhantes (como chocolápis e moedas de chocolate), que também fazem parte da memória afetiva de adultos que viveram essa época.

Legislação

A comercialização de alimentos em formato de cigarro passou a ser alvo de legislação devido às preocupações com tabagismo infantil. Em 2002, a Anvisa editou a Resolução RDC n.º 304, proibindo em todo o território nacional o uso de embalagens de alimentos que simulem cigarros, charutos ou cigarrilhas

No âmbito legislativo, o tema foi debatido em projetos de lei. Em 14 de novembro de 2007, a Comissão de Seguridade da Câmara aprovou o Projeto de Lei 255/2007 (do deputado Clodovil Hernandes) que proibiu produtos infantis no formato de cigarro. Em 2010, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado também aprovou um projeto semelhante, destacando os “famosos cigarrinhos de chocolate” como exemplo de produto a ser vetado. Após aprovação no plenário, a lei foi sancionado por Dilma Rousseff em 26 de dezembro de 2013.

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