Maré subindo no quebra-mar (título original em francês: Marée montante sur brise-lames) é um curta-metragem mudo francês de 1896, dirigido e produzido por Georges Méliès e lançado pela Star Film. Registrado sob o número 59 do catálogo Star Film, é uma cena de atualidade que registrava o movimento do mar sobre um quebra-mar durante a maré enchente. O filme é atualmente considerado perdido.

Enredo

Não há descrição do catálogo Star Film para este título e nenhuma cópia sobreviveu. Infere-se exclusivamente pelo título que o filme mostrava ondas do mar batendo sobre um quebra-mar durante a fase de maré montante.O termo francês marée montante designa especificamente a maré em fase ativa de subida — o processo de ascensão das águas —, distinto de marée haute (maré cheia, o estado de nível máximo). O título sugere, portanto, que o interesse visual do filme estava no movimento progressivo das ondas sobre a estrutura do quebra-mar, e não num estado estático do mar. Um brise-lames (quebra-mar) é uma estrutura de contenção construída para proteger portos e costas do impacto das ondas — denominada em português técnico também de molhe, termo de uso corrente em Portugal, ou quebra-ondas.

Tratava-se, em todos os aspectos, de uma cena de atualidade (*vue documentaire*): câmera fixa, sem atores, sem encenação, registrando o fenômeno natural tal como se apresentava diante da objetiva.

Produção

Cenas marítimas na filmografia de 1896

Maré subindo no quebra-mar insere-se num conjunto de cenas marítimas e portuárias que Méliès produziu ao longo de 1896, entre as quais figuram Plage de Villers par gros temps (#28), Barque sortant du port de Trouville (#31), Jetée et plage de Trouville (#32 e #33) e Panorama du Havre (pris d'un bateau) (#34). Essas filmagens externas, realizadas em localidades costeiras, contrastam com a produção de estúdio e de rua que dominava o restante do catálogo da Star Film naquele ano.

Período e localização de filmagem

O filme foi necessariamente rodado numa localidade costeira — o próprio título, ao mencionar um quebra-mar e a maré, exclui qualquer cenário do interior. A localidade exata, porém, é desconhecida. Malthête e Mannoni especulam que o filme possa ter sido realizado durante o período de férias coletivas do Théâtre Robert-Houdin, sem que essa atribuição possa ser confirmada com base nos dados disponíveis.Malthête e Mannoni (2008, p. 23) associam este filme a um possível período de filmagem externa de viagem a Normandia, no meio do ano, mas sem indicar localidade específica. A costa francesa tem múltiplas regiões com quebra-mares — Normandia, Bretanha, Canal da Mancha, Atlântico, Mediterrâneo — e não há elemento documental que permita identificar qual delas.

Contexto no catálogo

Registrado sob o número 59 do catálogo da Star Film, Maré subindo no quebra-mar é precedido por Place de la Bastille (#58) e seguido por Retour au cantonnement (#60). Cada bobina de 20 metros correspondia a um único número de catálogo e equivalia a aproximadamente um minuto de projeção — convenção adotada sistematicamente pela Star Film em sua primeira fase de produção.

Preservação

O filme é considerado perdido. Nenhuma cópia ou fragmento foi localizado em arquivos ou coleções conhecidas.

Notas

Ver também

Georges Méliès Star Film Company Filme perdido

Referências

Ligações externas

Categoria:Filmes da França de 1896 Categoria:Curtas-metragens de 1896 Categoria:Filmes mudos Categoria:Filmes em preto e branco Categoria:Filmes dirigidos por Georges Méliès Categoria:Filmes perdidos Categoria:Documentários da França Categoria:Star Film Company