Stefanie Horovitz, também conhecida como Stefania Horovitz ou Stephanie Horowitz, (Varsóvia, 17 de abril de 1887 – Campo de extermínio de Treblinka, 1942) foi uma química polonesa.
Reconhecida por seus trabalhos experimentais que comprovaram a existência dos isótopos, trabalhou com Otto Hönigschmid no Instituto do Rádio de Viena, entre 1914 e 1918, utilizando métodos analíticos para demonstrar os dois primeiros casos confiáveis de isótopos em chumbo e tório. Mais tarde, cofundou um lar destinado a crianças e jovens que necessitavam de terapia psicológica. Em 1942, foi assassinada pelos nazistas no campo de extermínio de Treblinka.
O trabalho de Stefanie Horovitz teve importância fundamental para o desenvolvimento da química e da física atômica no início do século XX. Seus experimentos de alta precisão forneceram as primeiras evidências confiáveis da existência dos isótopos, demonstrando que um mesmo elemento químico poderia possuir diferentes massas atômicas dependendo de sua origem radioativa. Essas descobertas ajudaram a consolidar a radioquímica moderna e contribuíram diretamente para a compreensão da estrutura do átomo, influenciando pesquisas posteriores em química nuclear, física e datação radioativa.
Biografia Horovitz nasceu em Varsóvia, em 1887. Seu pai era o artista Leopold Horovitz, um pintor de sucesso conhecido por seus retratos em estilo barroco. O nome de solteira de sua mãe era Rosa London, e Stefanie tinha uma irmã. A família mudou-se para Viena por volta de 1890. Ela iniciou seus estudos na Universidade de Viena em 1907, obtendo o doutorado em química orgânica em 1914. Seu orientador foi Guido Goldschmiedt, e sua pesquisa de doutorado tratou do rearranjo da quinona utilizando ácido sulfúrico.
Carreira científica Por recomendação de Lise Meitner, Horovitz foi recrutada por Otto Hönigschmid para trabalhar no Instituto de Pesquisa do Rádio, em Viena, em 1913 ou 1914. Naquele período, a lei do deslocamento radioativo de Fajans e Soddy era uma descoberta recente da radioquímica. Essa teoria previa que o chumbo resultante do decaimento radioativo do urânio ou do tório teria pesos atômicos diferentes do chumbo comum. Os primeiros dados experimentais ainda não eram considerados plenamente confiáveis pelos químicos analíticos.
Hönigschmid havia estudado com Theodore William Richards, importante especialista da Universidade Harvard e Nobel de Química, e era muito respeitado por seus trabalhos na determinação precisa de pesos atômicos. Por isso, Kasimir Fajans e Frederick Soddy pediram que ele determinasse o peso atômico do chumbo proveniente de fontes radioativas, a fim de demonstrar a existência dos isótopos. Horovitz assumiu o trabalhoso processo de separar, purificar e medir o chumbo com extrema precisão. Primeiro, isolou chumbo de amostras de pechblenda, ricas em urânio, provenientes da mina de St. Joachmistal, localizada nas proximidades. O processo de purificação envolvia inúmeras etapas de lavagem, dissolução, filtragem e recristalização até produzir uma amostra de cloreto de chumbo completamente livre de contaminação.
Sua análise gravimétrica, precisa até o milésimo de grama, comprovou que o chumbo produzido pelo decaimento radioativo do urânio possuía peso atômico menor (206,736) do que o chumbo comum (207,190). Essa foi a primeira prova experimental amplamente aceita de que um mesmo elemento poderia apresentar diferentes pesos atômicos dependendo de sua origem. Mais tarde, Horovitz e Hönigschmid demonstraram que o ionium, elemento radioativo descoberto por Bertram Boltwood, era na verdade um isótopo do tório. Esse trabalho experimental refutou a existência de um elemento que era amplamente aceito na época e estabeleceu o tório como o segundo elemento conhecido a possuir isótopos.
Os dois cientistas publicaram seus trabalhos em conjunto, e Horovitz recebeu reconhecimento público por suas contribuições tanto de Hönigschmid quanto de Soddy. Esse reconhecimento foi particularmente significativo porque, naquele período, era comum que cientistas mulheres fossem limitadas a posições de assistentes. Contudo, após a morte de Hönigschmid, o nome de Horovitz parece ter sido gradualmente omitido, e sua contribuição acabou quase esquecida.
Últimos anos e morte Após a Primeira Guerra Mundial, a carreira de Horovitz foi afetada por questões familiares e pelas turbulências políticas da época. Em uma grande mudança de trajetória profissional, ela fundou em Viena, junto com Alice Friedmann, psicóloga ligada à escola adleriana, um lar adotivo que oferecia terapia para crianças. Em 1937, retornou a Varsóvia com sua irmã. Pouco depois, os nazistas ocuparam a cidade e criaram o gueto judeu em 1940. A data exata de sua morte permanece desconhecida. Correspondências de Kazimierz Fajans indicam que ela voltou a Varsóvia e foi assassinada pelos nazistas em 1940. Outras fontes afirmam que Horovitz e sua irmã se apresentaram voluntariamente ao Umschlagplatz em 1942 para não colocar outras pessoas em risco, embora os detalhes permaneçam incertos.
As duas foram deportadas para o campo de extermínio de Treblinka, onde estavam entre os cerca de 900 mil judeus que não sobreviveram ao local. Registros indicam que Stefanie Horovitz foi assassinada em uma câmara de gás em 1942, aos 55 anos.
Trabalhos publicados
Categoria:Vítimas do Holocausto Categoria:Naturais de Varsóvia Categoria:Mulheres na ciência Categoria:Alunos da Universidade de Viena Categoria:Químicos da Polónia