Jose Rodrigues Pereira Penedos (Vieira do Minho, 8 de outubro de 1945 – Lisboa, 4 de maio de 2026) foi um engenheiro, gestor e político português. Exerceu os cargos de Secretário de Estado da Energia e de Secretário de Estado da Defesa Nacional no XIII Governo Constitucional de Portugal liderado por António Guterres, foi deputado à Assembleia da República pelo Partido Socialista (PS) e presidiu ao conselho de administração da Redes Energéticas Nacionais (REN). Em 2014, foi condenado no âmbito do Processo Face Oculta.
Biografia
Formação e início de carreira
Natural de Vieira do Minho, Penedos licenciou-se em Engenharia Eletromecânica. Iniciou a sua carreira profissional no setor energético, integrando os quadros da EDP desde a fundação da empresa. Ao longo dos anos, exerceu funções como administrador da EDP e da Galp.
Carreira política
Militante do Partido Socialista, Penedos foi o primeiro presidente da Comissão Política Concelhia de Coimbra do PS. Foi eleito deputado à Assembleia da República pelo círculo eleitoral de Coimbra em diferentes legislaturas.
Nos governos liderados por António Guterres (1995–2002), desempenhou funções governativas, primeiro como Secretário de Estado da Energia e depois como Secretário de Estado da Defesa Nacional. João Portugal, Presidente da Federação de Coimbra do PS, descreveu-o como uma figura de grande relevo no partido, com papéis de destaque nas áreas da energia, da indústria e da defesa.
Presidência da REN
Em 2001, Penedos tornou-se o primeiro presidente do conselho de administração da REN, empresa criada a partir da separação da rede de transporte elétrica do grupo EDP. Exerceu vários mandatos à frente da empresa, num período marcado pela reorganização das infraestruturas energéticas nacionais, pela privatização de empresas do setor e pela criação do Mercado Ibérico de Eletricidade (MIBEL).
Abandonou a presidência da REN em 2009, na sequência do Processo Face Oculta, que também envolveu o seu filho, o advogado Paulo Penedos.
Processo Face Oculta
O Processo Face Oculta investigou uma rede de corrupção que visava o favorecimento do grupo empresarial do sucateiro Manuel Godinho em negócios com empresas do setor empresarial do Estado e do setor privado. O julgamento começou em 2011 no Tribunal Judicial de Aveiro.
Em setembro de 2014, Penedos foi condenado em primeira instância a uma pena única de cinco anos de prisão efetiva, em cúmulo jurídico, por dois crimes de corrupção e um crime de participação económica em negócio. O tribunal deu como provado que Penedos utilizou os poderes que detinha na REN para favorecer Manuel Godinho em assuntos relacionados com a área dos resíduos, em troca de vantagens patrimoniais para si e para o seu filho.
Em sede de recurso, o Tribunal da Relação do Porto reduziu a pena para três anos e três meses de prisão efetiva, por um crime de participação económica em negócio.
Em dezembro de 2020, após a emissão de mandados de detenção pelo Tribunal Judicial de Aveiro, Penedos apresentou-se voluntariamente no Estabelecimento Prisional de Coimbra para cumprir a pena. Em março de 2021, o Tribunal de Execução de Penas ordenou a sua libertação e passagem a regime de detenção na habitação, devido ao seu estado de saúde, que incluía síndrome demencial grave e outras patologias.
No mesmo processo, foram também condenados, entre outros, o antigo ministro Armando Vara (cinco anos de prisão) e Paulo Penedos (quatro anos de prisão, por tráfico de influências).
Últimos anos e falecimento
Nos últimos anos, Penedos encontrava-se afastado da vida pública e totalmente dependente de terceiros para as atividades básicas da vida diária, por razões de saúde. Faleceu em Lisboa, a 4 de maio de 2026, aos 80 anos, vítima de doença prolongada. As exéquias fúnebres foram reservadas à família.
O Partido Socialista manifestou «profundo pesar» pela sua morte, recordando que José Penedos «desempenhou vários cargos no PS e no Governo» e foi «um destacado quadro no exercício de diversas funções».
Cargos exercidos
Primeiro presidente da Comissão Política Concelhia de Coimbra do PS Deputado à Assembleia da República (eleito por Coimbra) Secretário de Estado da Energia Secretário de Estado da Defesa Nacional Administrador da EDP Administrador da Galp Presidente do conselho de administração da REN (2001–2009)
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