O nacionalismo völkisch (em alemão: völkischer nationalismus; “nacionalismo folquista” ou “popular”) é uma ideologia alemã ultranacionalista, etnonacionalista e racialista.Griffin, Roger (2005). Völkischer Nationalismus als Wegbereiter und Fortsetzer des Faschismus. Ein angelsächsischer Blick auf ein nicht nur deutsches Phänomen (em alemão). Ela parte da concepção essencialista dos völker (“povos”) ou volksgruppen (“grupos étnicos”), descritos como unidades étnico-biológicas e étnico-culturais fechadas dentro de uma hierarquia entre essas populações. O nacionalismo völkisch influenciou o nacionalismo minzoku japonês.

Em certos períodos, o nacionalismo völkisch foi uma visão ideológica ampla e predominante na Europa Central, representada em inúmeras associações nacionalistas, geralmente explicitamente antissemitas e racistas, de diversos tipos, com muitas publicações e figuras conhecidas. Ele se diferencia do Movimento Völkisch por ser uma ideologia mais vaga e não inerentemente antissemita. Hoje, particularmente na Alemanha, o etnopluralismo é visto como pertencente à mesma tradição do nacionalismo völkisch.

Na Alemanha atual, é mais associado ao partido Alternativa para a Alemanha.; Heinrich August Winkler, zitiert von David Bebnowski: Die Alternative für Deutschland. VS Verlag, 2015, ISBN 978-3-658-08286-4, S. 28.

História No final do século XIX, o movimento ganhou influência sobre o debate político e cultural na Europa Central. Sua importância histórica encontrava-se em seu próprio nacionalismo, especialmente no Reich Alemão. O protestantismo alemão é considerado seu apoio social e sua “condição ideal necessária”.Unger, Frank (2010). Demokratie und Imperium: die Vereinigten Staaten zwischen Fundamentalismus, Liberalismus und Populismus Würzburg p. 175. Do ponto de vista ideológico, a “mentalidade burguesa protestante” tornou-se cada vez mais germânico-völkisch desde a Reichsgründung (“Fundação do Reich”). Um protestantismo do Reich carregado de nacionalismo levou, assim, ao conceito nazista dos “cristãos alemães”.

O Movimento Völkisch, ao qual pertenciam as associações nacionalistas alemãs e o NSDAP, cujo órgão partidário era o jornal Völkischer Beobachter, rejeitava a Constituição de Weimar e defendia conceitos völkisch de comunidade (Völkische Gemeinschaftlichkeitskonzepte). Eram invocadas a homogeneidade biológica e cultural do volk (“povo”) como uma Abstammungsgemeinschaft (“comunidade de descendência”), bem como a “exclusão ou destruição do heterogêneo”. Conceitos völkisch como Volkstum (“caráter/natureza étnica do povo”), Lebensraum (“espaço vital”) e, acima de tudo, Volksgemeinschaft (“comunidade do povo”) estavam amplamente difundidos em grandes partes da população alemã e especialmente dentro do chamado “campo patriótico”, tornando-se parte integrante do programa nazista.

Do pós-guerra até os dias atuais, o nacionalismo völkisch é rejeitado pelos círculos políticos dominantes da Alemanha. Contudo, com a ascensão do populismo nativista desde a década de 2010, esses movimentos políticos voltaram a crescer em certa medida no país, sendo emulados pelo Der Flügel (2015–2020), a ala nacionalista völkisch dentro do Alternativa para a Alemanha.

Características O nacionalismo völkisch significa a elevação do próprio volk (“povo”), definido por descendência, cultura e língua comuns, bem como o desejo de uma população homogênea por meio da exclusão de estrangeiros. O povo torna-se um sujeito coletivo. Isso estabelece uma hierarquia de valor entre os völker (“povos”).Bailer-Galanda, Brigitte (1994). Wolfgang Neugebauer: Handbuch des österreichischen Rechtsextremismus (em inglês). p. 36.

O cientista social alemão Helmut Kellershohn identifica sete elementos centrais do nacionalismo völkisch:

A equivalência entre “volk” (“povo”) e “nação”, bem como a ideia de uma “nação” homogênea segundo critérios raciais. A elevação do volk a sujeito coletivo no sentido de grupos étnicos, subordinando interesses particulares à primazia da Volksgemeinschaft (“comunidade do povo”); A justificação de um “Estado forte” que organiza a Volksgemeinschaft por meio de elites nacionais e/ou de uma liderança carismática; A “heroificação” do Volksgenosse (“camarada do povo”) “decente”, que se coloca de corpo e alma a serviço de sua comunidade e faz sacrifícios por ela; A construção völkisch ou racista de um “inimigo interno (do Estado)”, responsabilizado pelos fracassos na realização da Volksgemeinschaft, funcionando como projeção negativa para a construção de identidade e consenso dessa comunidade popular; Uma compreensão biopolítica do Volkskörper (“corpo nacional”), que busca mantê-lo ou torná-lo saudável e forte por meio de políticas populacionais; Uma ideia chauvinista de poder.

Referências

Categoria:Nacionalismo alemão Categoria:Ultranacionalismo Categoria:Antissemitismo Categoria:Nazismo