Panorama du Havre (pris d'un bateau) (em português: Panorama do Havre visto de um barco) é um curta-metragem francês de filme mudo e documentário de 1896, dirigido e produzido por Georges Méliès.Frazer, John (1979). Artificially Arranged Scenes: The Films of Georges Méliès. Boston: G. K. Hall & Co. p. 241. . Distribuído pela Star Film, o filme é registrado com o número 34 em seu catálogo. Rodado a bordo de uma embarcação no porto de Le Havre durante as férias de verão de Méliès na costa da Normandia, integra a série de oito filmes que o cineasta realizou naquele período.Malthête, Jacques; Mannoni, Laurent (2008). L'oeuvre de Georges Méliès. Paris: Éditions de La Martinière. . O filme é considerado presumidamente desaparecido."Panorama du Havre (1896)". Silent Era — Progressive Silent Film List. Acessado em 17 de janeiro de 2026.
O filme
Panorama du Havre (pris d'un bateau) pertence a uma categoria específica de *actuality films* conhecida como *panoramas* — filmes nos quais a câmera permanecia fixa enquanto a embarcação ou veículo que a transportava se movia, produzindo um efeito de deslizamento contínuo sobre a paisagem filmada. A técnica havia sido introduzida no cinema poucos meses antes por Alexandre Promio, operador de câmera dos Irmãos Lumière, que em 1896 fixou a câmera sobre uma gôndola em Veneza para filmar o Canal Grande — criando aquele que é considerado um dos primeiros travellings da história do cinema.Abel, Richard (1994). The Ciné Goes to Town: French Cinema 1896–1914. Berkeley: University of California Press. pp. 17–18. . Méliès adotou o mesmo procedimento no porto de Le Havre, filmando o panorama da cidade e do porto a partir de um barco em movimento.Le Havre Regards. "Panorama du Havre vu d'un bateau — Un film tourné au Havre". Acessado em 17 de janeiro de 2026.
O porto de Le Havre era, em 1896, o principal porto de passageiros e mercadorias da França, ponto de partida das grandes linhas transatlânticas em direção à América do Norte e do Sul. A movimentação de vapores, veleiros, rebocadores e embarcações menores que animavam o porto tornava o local um cenário naturalmente rico para o olhar cinematográfico — da mesma forma que Méliès havia documentado, naquela mesma viagem, o descarregamento de navios no porto (*Déchargement de bateaux*, nº 27) e cenas de praia em Villers-sur-Mer e Trouville.
O incidente da câmera
Durante as filmagens de Panorama du Havre e de Déchargement de bateaux (nº 27) a bordo do barco, um *paquet de mer* — expressão francesa para uma onda que invade o convés de uma embarcação — caiu sobre a câmera de Méliès. O incidente é um dos raros registros de acidente técnico documentado nas filmagens em locação de Méliès naquele primeiro ano de atividade cinematográfica, e ilustra as condições adversas com que os cineastas pioneiros tinham de lidar ao filmar fora do estúdio: sem proteção adequada para os equipamentos, uma câmera molhada pelo mar poderia inutilizar tanto o aparelho quanto o negativo em exposição. Não há registro de que o incidente tenha interrompido definitivamente as filmagens, e ambos os filmes constam no catálogo da Star Film como títulos concluídos.
Status de conservação
Panorama du Havre (pris d'un bateau) é considerado presumidamente perdido: nenhuma cópia é conhecida por ter sobrevivido. O filme integra o conjunto de *actuality films* de 1896 destruídos em 1923, quando Méliès fundiu os negativos de sua coleção para recuperar a prata da emulsão.
Ver também
Georges Méliès Star Film Company Filme perdido Le Havre
Ligações externas
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