O Chafariz do Malvar, ou Chafariz de Carnide, é um chafariz erigido no ano de 1857, sito em Carnide, Lisboa.

Largo do Malvar A toponímia Largo do Malvar encontra-se ligada ao cultivo de malvas nestes terrenos férteis. Esta planta assumia uma função terapêutica, sendo amplamente aplicada como agente desinfectante na antiga gafaria de Carnide. O registo documental desta designação recua, pelo menos, até ao ano de 1723, época em que o espaço já estabelecia a ligação entre a Rua do Norte e a Estrada da Correia sob a nomenclatura actual. Neste período, o território encontrava-se fragmentado em duas áreas contíguas: o Malvar Grande e o Malvar Pequeno, correspondendo este último à zona que na actualidade constitui o Largo do Jogo da Bola. Data ainda de 1763 a criação da Quinta do Malvar, propriedade que hoje é mais conhecida como Quinta dos Condes de Carnide.

Não obstante esta continuidade, nos primórdios do século XIX, o local chegou a ser referenciado sob a nomenclatura de Vala Verde. A oficialização da designação actual provém de edital camarário de 19 de Julho de 1919, muito embora o topónimo "Malvar" marcasse já presença na Planta Topográfica de Lisboa de Júlio Silva Pinto, levantada em 1908.

Há registos históricos de que, na sequência do terramoto de 1755, foram aqui edificadas barracas provisórias destinadas a albergar os habitantes locais cujas moradias ruíram.

A consolidação urbana do largo culminou no ano de 1857 com a construção do fontanário, uma iniciativa directa do extinto município de Belém direccionada ao fornecimento regular de água própria para consumo humano aos moradores da freguesia.

Descrição O monumento, inserido num largo inclinado que resulta da bifurcação da Estrada da Correia, insere-se na corrente revivalista-neobarroca, e a sua tipologia centralizada estabelece um paralelismo formal com os chafarizes em formato de obelisco. A sua concepção, em alvenaria de calcário e cantaria de pedra lioz, funde planos de linhas rectas com superfícies de ligeira ondulação, gerando um perfil globalmente esguio e de certa forma sóbrio.

A base da obra exibe uma planta geral rectangular que integra um tanque de configuração quadrangular, tendo este um interior raso com ângulos curvos. No passado, a base cumpria uma dupla utilidade comunitária, servindo como bebedouro para os animais de tracção e como lavadouro de roupa para a população residente.

Ao centro, ergue-se um corpo prismático constituído por um soco de perfil côncavo e um plinto paralelepipédicos. É no plinto de secção quadrangular que se implantam duas bicas de recorte circular, posicionadas em oposição nas faces Este e Oeste do bloco de pedra. Estes canos de ferro encontram-se devidamente resguardados por chapas metálicas de idêntico material. Por debaixo de um dos orifícios de saída de água, estão ainda afixadas duas réguas férreas originais, usadas outrora para apoiar o vasilhame durante a recolha da água.

Suportado pelo plinto, há um pilar toscano galbado. Este segmento, que evoca a silhueta de um balaústre longo ou de um jarro bojudo, é dotado de secção quadrada, um colo elevado e arestas curvas. Remata-o um pináculo piramidal aguçado, onde se grava "CAMARA MUNICIPAL DE BELEM 1857".

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