Barque sortant du port de Trouville (em português: Barco saindo do porto de Trouville) é um curta-metragem francês de filme mudo e documentário de 1896, dirigido e produzido por Georges Méliès. Distribuído pela Star Film, o filme é registrado com o número 31 em seu catálogo. Com aproximadamente 20 metros de película, equivalentes a cerca de um minuto de projeção, presume-se, pelo título, registrar uma embarcação saindo do porto de Trouville-sur-Mer. Nenhuma descrição do conteúdo foi localizada nos catálogos da Star Film conhecidos até hoje. O filme é considerado perdido.
Enredo
Nenhuma descrição do conteúdo foi localizada nos catálogos da Star Film conhecidos até hoje. O título sugere que o filme registra uma embarcação no momento de sua saída do porto de Trouville-sur-Mer. Todo o conteúdo adicional é desconhecido.
O porto de pesca de Trouville
Antes de se tornar a célebre estância balneária da Normandia, Trouville-sur-Mer era um porto de pesca ativo, cuja identidade marítima antecedia em séculos a chegada dos veranistas parisienses. A embarcação típica do porto era a grande barque trouvillaise — um chalutier de madeira de 16 a 18 metros de comprimento —, construída localmente nos estaleiros às margens do rio Touques. Em 1896, a frota pesqueira de Trouville era ainda ativa e a saída das embarcações pelo canal da Touques em direção ao Canal da Mancha era uma cena característica do cotidiano portuário da cidade.
O tema do barco saindo do porto no cinema dos pioneiros
O tema de uma embarcação saindo do porto era um dos mais filmados pelos pioneiros do cinema, pela mesma razão que atraía o público: o movimento da embarcação sobre a água explorava ao máximo a novidade do cinematógrafo como reprodutor de movimento. Os Irmãos Lumière haviam realizado em 1895 o filme Barque sortant du port, filmado em La Ciotat — considerado um dos primeiros filmes da história do cinema —, no qual uma embarcação navega à entrada de um porto mediterrâneo. Ao filmar uma cena de título similar em Trouville um ano depois, Méliès provavelmente se inspirou nesse precedente dos Lumière — prática documentada em sua produção inicial, na qual frequentemente retomava temas já filmados por outros pioneiros do cinema.
Contexto no catálogo Star Film
Barque sortant du port de Trouville ocupa o número 31 no catálogo da Star Film, empresa fundada por Méliès em 2 de dezembro de 1896. O filme situa-se entre os dois títulos de píer e praia de Trouville — n.º 30 e n.º 32 —, completando uma série de três filmes dedicados à costa e ao porto da cidade na mesma estadia normanda de 1896. É seguido por Jour de marché à Trouville (n.º 33), que desloca o olhar do cineasta do ambiente marítimo para o interior da cidade.
Preservação
O filme é classificado como filme perdido. O suporte em nitrato de celulose era altamente inflamável e quimicamente instável; parte significativa dos negativos foi destruída pelo próprio Méliès durante a crise financeira que se seguiu à Primeira Guerra Mundial — as películas eram queimadas deliberadamente para fundir a emulsão e recuperar o nitrato de prata nela contido, que tinha valor comercial —, e outra parte foi requisitada pelo exército francês durante o conflito. Estima-se que, dos aproximadamente 520 filmes realizados por Méliès entre 1896 e 1912, apenas cerca de 200 tenham sobrevivido.
Ver também Georges Méliès Star Film Company Trouville-sur-Mer Barque sortant du port (1895, Lumière) Filme perdido Filme mudo Filme de atualidade
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