Flying monkeys (em português: macacos voadores) é uma expressão coloquial utilizada na psicologia popular para descrever indivíduos que são recrutados ou manipulados por uma pessoa com traços narcisistas ou personalidade patológica para realizar ações de assédio, vigilância ou manipulação psicológica contra uma vítima. O termo é derivado dos personagens do romance O Mágico de Oz (1900), de L. Frank Baum, no qual a Bruxa Malvada do Oeste envia macacos voadores para fazer seu trabalho.

Descrição O conceito de flying monkeys é utilizado para descrever um padrão de comportamento observado em dinâmicas de abuso narcisista, no qual o abusador utiliza terceiros para manter o controle sobre a vítima. Esses terceiros podem ser familiares, amigos, colegas de trabalho ou conhecidos que, consciente ou inconscientemente, atuam como intermediários do abusador.

Na literatura clínica, esse fenômeno é frequentemente descrito como abuso por procuração (em inglês: abuse by proxy), termo que enfatiza o papel instrumental dessas pessoas na perpetuação do abuso. Estudos sobre violência entre parceiros íntimos indicam que indivíduos com traços narcisistas frequentemente utilizam terceiros como parte de estratégias de controle e dominação.

Mecanismos de recrutamento O abusador pode recrutar flying monkeys através de diferentes estratégias:

Campanha de difamação: o abusador difama a vítima perante terceiros, apresentando-se como a verdadeira vítima da situação Triangulação: o abusador envolve um terceiro na dinâmica relacional para criar conflitos e manter o controle Manipulação emocional: o abusador apela à empatia e à lealdade dos terceiros para obter sua cooperação Distorção da realidade: o abusador fornece uma versão distorcida dos eventos para justificar suas ações e obter apoio

Funções Os flying monkeys podem desempenhar diversas funções a serviço do abusador:

Transmitir mensagens ou informações entre o abusador e a vítima Vigiar e reportar as atividades da vítima Exercer pressão sobre a vítima para que esta ceda às demandas do abusador Participar de campanhas de difamação Invalidar as experiências e percepções da vítima Facilitar o hoovering quando a vítima tenta se afastar

Perfis Os flying monkeys podem ser classificados em diferentes perfis:

Inconscientes: pessoas que genuinamente acreditam na narrativa do abusador e agem de boa-fé, sem perceber que estão sendo manipuladas Conscientes: indivíduos que colaboram ativamente com o abusador, frequentemente por medo, interesse próprio ou por compartilharem traços semelhantes de personalidade Oportunistas: pessoas que se aliam ao abusador por conveniência ou para evitar se tornarem alvos

Impacto na vítima A atuação dos flying monkeys pode amplificar significativamente o impacto do abuso sobre a vítima, contribuindo para:

Isolamento social da vítima Reforço do gaslighting e da distorção da realidade Dificuldade em obter apoio e validação Aumento da sensação de impotência e desamparo Retraumatização Dificuldade em manter o contato zero com o abusador

Pesquisas sobre narcisismo patológico indicam que o ambiente interpessoal de pessoas que convivem com indivíduos narcisistas é frequentemente marcado por manipulação, oscilações afetivas e estratégias de controle que envolvem terceiros.

Relação com outros conceitos O fenômeno dos flying monkeys está relacionado a diversos outros conceitos da psicologia do abuso:

Abuso por procuração: o uso de terceiros para perpetuar o abuso Triangulação: a inclusão de uma terceira parte na dinâmica relacional Controle coercitivo: o padrão de dominação e controle em relacionamentos Campanha de difamação: a estratégia de destruir a reputação da vítima

Ver também Abuso narcisista Abuso por procuração Gaslighting Hoovering (psicologia) Controle coercitivo Manipulação psicológica Campanha de difamação Transtorno de personalidade narcisista

Referências

Categoria:Narcisismo Categoria:Psicologia clínica Categoria:Manipulação psicológica Categoria:Violência doméstica