Oteba ibne Gazuane Almazini (; 581–) foi um conhecido companheiro do profeta islâmico Maomé. Foi a sétima pessoa a converter-se ao Islã e participou da Pequena Hégira para a Abissínia, mas retornou para permanecer com Maomé em Meca. Lutou na Batalha de Badre (624) e em muitas outras expedições de Maomé. Durante o califado de Omar , Oteba comandou uma força de dois mil homens numa campanha contra , que durou de junho a setembro de 635. Após a ocupação de Ubula, Oteba enviou uma força através do rio Tigre, que ocupou o distrito de , seguido por Maissane e Abasqubade. Pouco depois, foi nomeado governador de Baçorá (Iraque) pelo califa.
Vida
Oteba nasceu por volta de , filho de . Pertencia aos mazinitas, um clã menor do ramo Mançor ibne Icrima da tribo dos caicitas, no Hejaz (oeste da Arábia). Oteba era confederado do clã naufalita da tribo dos coraixitas de Meca. Tornou-se um dos primeiros convertidos ao Islã e companheiro de Maomé. É referido como a sétima pessoa a abraçar o Islã e participou da segunda emigração muçulmana para a Abissínia. Com base na falsa notícia de que os habitantes de Meca haviam se convertido ao Islã, retornou a Meca juntamente com um grupo de emigrantes. Oteba foi casado com uma filha de dos taquifitas; segundo Albaladuri, o nome dela era Asda, enquanto, segundo , chamava-se Safia. Teve dois filhos, e . Sua irmã Busra era esposa de Abu Huraira.
No mês de Xaual do primeiro ano da Hégira (abril de 623), Maomé enviou uma expedição de 70 ou 80 homens sob o comando de , com o objetivo de interceptar a caravana comercial de Meca liderada por Abu Sufiane ibne Harbe. Eles encontraram-se junto às águas de Aia, abaixo de Saniate Almarra. Não houve combate além de troca de flechas, e a caravana de Meca afastou-se rapidamente. Com a intenção de emigrar para Medina, Oteba e , que se encontravam nessa caravana, separaram-se dos mequenses e juntaram-se à expedição muçulmana. Assim, consumou-se a emigração de Oteba para Medina. À época, com cerca de quarenta anos, ele foi hospedado por algum tempo por . Posteriormente integrou-se aos Ahl al-Ṣuffa (muçulmanos pobres e sem-teto), e Maomé declarou-o irmão de , entre os ançares. No mês de Sáfar do segundo ano (agosto de 623), durante a , a primeira ação militar de Maomé, infiltrou-se entre os politeístas para obter informações. No mesmo ano, no mês de Rajabe (janeiro de 624), participou de uma pequena unidade enviada pelo profeta sob o comando de Abedalá ibne Jaxe a , porém, como perderam o camelo que ele e Sade ibne Abi Uacas montavam alternadamente, não pôde acompanhar todas as etapas da expedição (Ibne Sade, II.11). Participou, sobretudo em Badre, bem como em outras campanhas e em algumas sarias (expedições) junto de Maomé. Era famoso na arquearia e distinguiu-se por seus feitos nessas batalhas.
Durante o califado de Abu Becre , os muçulmanos, liderados por Calide ibne Alualide, podem ter lançado as primeiras campanhas contra os persas sassânidas na Baixa Mesopotâmia (Iraque), mas esses ganhos foram de curta duração ou limitados. O sucessor de Abu Becre, Omar , enviou Oteba para essa frente a partir da capital em Medina, o que marcou o início da conquista definitiva do Iraque. Sua força era relativamente pequena, variando de 300 a dois mil homens, segundo as fontes árabes medievais. Suas fileiras eram dominadas por membros dos taquifitas, com os quais Oteba mantinha vínculos matrimoniais, e em parte compostas por tribos árabes nômades que se juntaram ao seu exército ao longo do caminho. Quando estacionou em Cufa junto do exército de Sade ibne Abi Uacas, foi responsável pela conquista da região de Baçorá, conhecida entre os árabes como Arde Azande, no ano 14 da Hégira ou em Rabi Alual – Rabi Alarrir de 16 (abril–maio de 637). Designou também para acompanhá-lo , pertencente ao exército de Alalá ibne Alhadrami, especialista em táticas militares e na compreensão dos planos inimigos (Anuairi, XIX.234).
Oteba conquistou, com cerca de oitocentos homens, o local conhecido como Curaiba, onde se encontravam as ruínas da cidade chamada no período caldeu e Vaistabade-Ardaxir (Wahishtābād Ardashīr) no período sassânida. Em seguida, lançou um ataque contra a cidade de e sua guarnição de 500 cavaleiros persas, situada a cinco quilômetros. Estabeleceu acampamento em Curaiba e, em seguida, derrotou os defensores de Ubula, ocupando e saqueando a cidade. Instalou um de seus tenentes, seu cunhado , para guardá-la, usando-a como base de operações contra outras posições sassânidas na região. Ele e/ou seus comandantes subordinados Almuguira ibne Xuba e capturaram depois as cidades de Furate e Maissane e os distritos de Abasqubade e Daste Maissane, todos situados ao longo das margens inferiores do rio Tigre.
Em suas campanhas, Oteba capturou numerosos prisioneiros e grande quantidade de espólio, entre os quais se encontrava Iaçar, pai de Haçane de Baçorá. Após constatar que, devido à configuração do terreno e à posição geográfica, aquele local era o mais adequado para assentamento na região, estabeleceu um acampamento em Rabate Bani Haxim. Decidiu construir uma mesquita e um edifício administrativo, encarregando do planejamento e da construção da mesquita. Quando a mesquita, feita de caniços, foi concluída, Oteba ali proferiu seu famoso sermão. Durante alguns anos, como Baçorá foi utilizada apenas para fins militares, sua população não cresceu; com o envio de novos grupos, porém, a cidade se adensou gradualmente e foi transferida para sua localização atual. Diz-se que Oteba governou Baçorá por cerca de seis meses (Ibne Sade, III, 99; VII, 8). Quando surgiu um conflito entre ele e o governador da província, Sade ibne Abi Uacas, deixou Mujaxi ibne Maçude responsável pelos assuntos administrativos e Almuguira ibne Xuba encarregado de conduzir as orações, partindo para Medina a fim de encontrar-se com Omar. Após expor a situação e pedir dispensa do cargo, o califa recusou o pedido e ordenou-lhe que retornasse ao seu posto.
No caminho de Négede, no local chamado Madine Bani Solaime (), caiu de sua montaria e morreu com cinquenta e sete ou cinquenta e nove anos. Segundo algumas tradições, o ano de sua morte foi 14 ou 15 da Hégira, e a causa teria sido uma dor abdominal. Narradores como , , e transmitiram hádices a partir dele; suas tradições figuram nas obras de Muslim, Atirmidi, Anaçai e Ibne Maja. Reconhecido como um orador notável, o primeiro sermão que proferiu na mesquita de Baçorá após a fundação da cidade tornou-se célebre tanto por seu estilo literário quanto por seu conteúdo. Nele, recordou as privações e a pobreza dos primeiros anos do Islã, afirmou que essa fase havia terminado e que uma vida próspera se iniciara, mas advertiu que tal prosperidade também trazia perigos; exortou as pessoas a não se apegarem ao mundo, chamou atenção para a brevidade da vida terrena e conclamou-as a dar prioridade às boas obras (Muslim, Zuhd, 14).
Bibliografia
Categoria:Árabes do século VI Categoria:Árabes do século VII Categoria:Conquista muçulmana da Pérsia Categoria:Governadores de Baçorá do Califado Ortodoxo Categoria:Companheiros de Maomé Categoria:Naufalitas