Harbe ibne Omaia () foi um chefe dos abedexemecitas, clã dos coraixitas, e uma das figuras mais influentes de Meca durante a Jailia. Filho de Omaia, foi ancestral do ramo sufiânida dos omíadas, por intermédio de seu filho Abu Sufiane. A tradição atribui-lhe ainda a condição de primeiro habitante de Meca a utilizar a escrita árabe, que teria aprendido durante suas viagens comerciais à região do Iraque. Harbe manteve inicialmente relações estreitas com Abede Almotalibe, reforçadas pelo casamento de sua filha Ume Jamil com Abu Laabe, filho deste. Tradições posteriores relatam, contudo, uma ruptura entre ambos após o assassinato de um mercador judeu que se encontrava sob a proteção de Abede Almotalibe, episódio que teria culminado numa disputa de méritos e numa arbitragem desfavorável a Harbe. A chefia militar dos coraixitas teria chegado a Harbe através de seu avô Abede Xemece e de seu pai Omaia. Nessa condição, comandou os coraixitas durante as Guerras Sacrílegas e, em alguns dos confrontos, também os quinanaítas. Uma tradição atribui-lhe ainda o comando coraixita numa guerra anterior contra os becritas. Harbe morreu pouco depois de ser ferido nas Guerras Sacrílegas.

Vida

Harbe era filho de Omaia e membro dos abedexemecitas, clã dos coraixitas do qual se tornou chefe. Foi uma das figuras mais influentes de Meca durante a Jailia, e dele descendia o ramo sufiânida dos omíadas. Diz-se que foi o primeiro habitante de Meca a empregar a escrita árabe, que teria aprendido com Bixer, irmão de , governante de Dumate Aljandal, durante viagens comerciais de Harbe à região do Iraque. É também referido como um dos primeiros coraixitas a renunciar ao consumo de vinho. Harbe mantinha inicialmente relações estreitas com Abede Almotalibe, avô de Maomé. Os vínculos entre ambos foram reforçados pelo casamento da filha de Harbe, Ume Jamil, com Abu Laabe, filho de Abede Almotalibe. Segundo Aliacubi, Harbe apoiou Abede Almotalibe em uma disputa contra os taquifitas. A tradição afirma, porém, que a relação entre os dois se rompeu depois que Harbe teria ordenado secretamente o assassinato de um mercador judeu que se encontrava sob a proteção de Abede Almotalibe. Ao tomar conhecimento do ocorrido, Abede Almotalibe teria exigido de Harbe o pagamento do preço de sangue do mercador. Diante da negativa de Harbe quanto à sua responsabilidade, os dois recorreram a uma disputa de méritos e reputação, escolhendo inicialmente como árbitro o Negus da Abissínia, que teria se recusado a julgar a questão. A arbitragem foi então confiada a , avô de Omar, que decidiu contra Harbe. Este teria sido obrigado a entregar cem camelos ao primo paterno da vítima como preço de sangue e a restituir os bens que haviam sido tomados do mercador.

Segundo a continuação do relato, Harbe decidiu posteriormente expulsar de Meca os aditas, clã de Nufail, e obteve para a iniciativa o apoio dos abedexemecitas e dos naufalitas. O projeto foi abandonado diante da oposição dos haxemitas, almotalibitas, samitas e zuraítas. A historicidade das tradições relativas à rivalidade entre Harbe e Abede Almotalibe tem sido interpretada de maneiras diferentes pela historiografia moderna. Segundo os editores da Encyclopaedia of Islam, a narrativa da disputa de méritos entre ambos e da querela subsequente constitui uma projeção retrospectiva do conflito posterior entre as casas de Omaia e Haxime. Para o historiador Mahmood Ibrahim, no entanto, a rivalidade entre Harbe e Abede Almotalibe teve origem no crescente poder comercial dos omíadas em detrimento de outros clãs coraixitas, incluindo os haxemitas. A chefia militar dos coraixitas teria chegado a Harbe por intermédio de seu avô Abede Xemece e de seu pai Omaia. Nessa condição, comandou os coraixitas na Primeira e na Segunda Guerra Sacrílega, travadas contra os caicitas. Durante a , uma das etapas da Segunda Guerra Sacrílega, teria comandado também os quinanaítas juntamente com os coraixitas. Na última das Guerras Sacrílegas, travada entre coraixitas e quinanaítas de um lado e os hauazinitas do outro, Harbe portava na a bandeira coraixita conhecida como ucabe, cuja posse remontava a Cuçai ibne Quilabe. Uma tradição atribui-lhe ainda o comando dos coraixitas numa guerra anterior contra os becritas, travada em . Harbe morreu pouco depois de ser ferido durante as Guerras Sacrílegas. Com Safia binte Hasne, teve três filhos: Abu Sufiane, Faria e Faquita.

Bibliografia

Categoria:Banu Omaia Categoria:Árabes do século VI Categoria:Árabes do século VII Categoria:Pessoas envolvidas nas Guerras Sacrílegas