A Igreja Presbiteriana da Colômbia (em espanhol Iglesia Presbiteriana de Colombia ou IPC) é uma denominação protestante reformada, fundada na Colômbia em 1856, a partir da obra missionária do Rev. Ramón Montsalvatge, enviado pela Sociedade Bíblica Americana, e do Rev. Henry Barrington Pratt, enviado pela Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos da América. É amplamente considerada a primeira denominação protestante estabelecida em solo colombiano.
A denominação é conhecida por sua atuação em defesa dos direitos humanos e por sua participação em iniciativas ligadas ao processo de pacificação nacional colombiano após o desarmamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia.
Em 2013, a reverenda Gloria Nohemy Ulloa Alvarado, da IPC, foi eleita uma das presidentes do Conselho Mundial de Igrejas.
História Fundação Em 1856, o reverendo Ramón Montsalvatge chegou à Colômbia como missionário da Sociedade Bíblica Americana. Posteriormente, o Rev. Henry Barrington Pratt, enviado pela Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos da América, também se estabeleceu no país. Inicialmente, ambos passaram a atender principalmente a comunidade estrangeira residente, com cultos realizados em língua inglesa.
Em 1859, os cultos passaram a ser celebrados em espanhol. Apesar disso, o crescimento da denominação foi lento durante as décadas seguintes, em meio a um contexto de perseguição religiosa. Em 1937, o sínodo da Igreja Presbiteriana da Colômbia foi reorganizado, com três presbitérios, no norte, no centro e no sul. Este foi o início do processo pelo qual a igreja se tornou autônoma e independente de qualquer entidade estrangeira.
Autonomia Apenas em 1959 a IPC adquiriu plena autonomia administrativa em relação às denominações presbiterianas norte-americanas.
Em 1982, a denominação fundou o Seminário Presbiteriano da Grande Colômbia, com o objetivo de formar seus pastores e líderes.
Ecumenismo e Cisão Na década de 1970, Augusto Libreros e Gonzalo Castillo, pastores da Igreja Presbiteriana da Colômbia (IPC), e Orlando Fals Borda, membro da IPC, fundaram a Linha de Pesquisa e Ação Social, do qual nasceu um movimento conhecido como “La Rosca”. Apoiados pela Igreja Presbiteriana Unida nos Estados Unidos da América, os membros do grupo manifestavam insatisfação com a teologia cristã tradicional, defendendo uma abordagem social do Cristianismo. Os ideais do movimento foram difundidos pela revista Cristianismo y Sociedad.
Devido ãs proximidades teológicas com a Teologia da Libertação, os líderes do movimento se aproximaram da Igreja Católica Romana na Colômbia e promoveram o movimento ecumênico nacional.
Sendo assim, na década de 1970, a liderança da IPC identificou o Movimento “La Rosca” como comunista e guerrilheiro, de forma que seus apoiadores, como Orlando Fals Borda e outros foram expulsos da igreja.
Todavia, nos anos seguintes a denominação voltou a adotar postura ecumênica. Em 1988, as Comunidades Eclesiais de Base, juntamente com outros setores da Igreja Católica Romana e igrejas protestantes organizam o Encontro Ecumênico Nacional de Cristãos para a Vida. Presbiterianos de Barranquilla, Medellín e Bogotá participaram deste encontro liderado pelos pastores David Illidge, Uriel Ramírez e Milcíades Púa.
Essa participação em um movimento ecumênico foi muito questionada por setores conservadores da IPC, que acusavam pastores e líderes de participarem da política e de serem comunistas.
Em 1993, a Igreja Presbiteriana da Colômbia enfrentou uma cisão institucional, em razão dos membros conservadores discordarem da aproximação com a Igreja Católica Romana. Sendo assim, parte de seus membros se separou e organizou a Igreja Presbiteriana na Colômbia (Sínodo Reformado).
Século XXI Em 2006 foi estimado que a denominação tinha cerca de 12.000 membros, em 50 igrejas.
Em 2015, a denominação ficou conhecida pelo apoio aos direitos humanos e ao processo de pacificação nacional colombiano.
As principais áreas de atuação da Igreja no processo de paz incluem: monitorar o processo de implementação; educar membros desmobilizados das FARC por meio da Universidade Reformada; conduzir processos de reconciliação nas comunidades; e liderar a DiPaz, um grupo ecumênico com sede em Bogotá.
Em 2016, a denominação publicou comunicado, lamentando o resultado do referendo sobre o acordo de paz colombiano de 2016 em que a maioria da população do país votou contra o acordo de paz proposto.
Doutrina A Igreja Presbiteriana da Colômbia adota a teologia reformada de tradição calvinista e permite a ordenação de mulheres como pastoras, presbíteras e diaconisas.
Estrutura e organização A Igreja Presbiteriana da Colômbia adota o sistema de governo presbiteriano, organizado em concílios locais (conselhos), regionais (presbitérios) e nacionais (sínodo). A administração nacional é exercida por um sínodo, responsável pela coordenação doutrinária, administrativa e pastoral da denominação.
Educação teológica A formação teológica dos ministros da Igreja Presbiteriana da Colômbia é realizada, principalmente, por meio do Seminário Presbiteriano da Grande Colômbia, fundado em 1982. A instituição oferece formação em teologia reformada e tem desempenhado papel central na preparação do clero da denominação.
Relações intereclesiásticas A denominação é membro do Conselho Mundial de Igrejas, da Comunhão Mundial de Igrejas Reformadas e da Aliança de Igrejas Presbiterianas e Reformadas da América Latina.
Categoria:Denominações presbiterianas na Colômbia