A Fonte Antiga da Nazaré, igualmente denominada Fonte da Vila, localiza-se na vila da Nazaré, Portugal, no eixo viário da Estrada Nacional 8-5 que estabelece a ligação entre a Nazaré e a Pederneira. É um antigo fontanário de feição barroca, erigido com o intuito de assegurar o abastecimento de água potável às populações locais e aos que peregrinavam rumo ao Santuário.
História A origem deste equipamento hidráulico é frequentemente associada à necessidade de abastecer a Praia da Pederneira, tendo assim sido a primeira fonte de água potável na zona. Em 1565, ano em que o Cardeal-Rei Dom Henrique, na qualidade de Abade Comendatário do Mosteiro de Alcobaça, teria ordenado a edificação de uma estrutura primitiva no local de uma nascente já existente. Outras fontes documentais, como os registos de Alão em 1622, sugerem que a fonte poderia ter tido uma origem associada a propriedades milagrosas atribuídas à Virgem da Nazaré, surgindo após um período de severa estiagem ocorrido três anos depois da primeira procissão dos Passos.
Contudo, existe uma tese alternativa, considerada bastante verosímil por diversos historiadores, que identifica o monumento com a descrição lavrada pelo Padre Carvalho da Costa na sua obra Corografia Portugueza (1712):uma fonte perto dela [vila da Pederneira] na horta de Luis Ignacio, que mandou fazer o dito Governador Manoel Gomes Pereira à sua custa, para os passageiros beberemEsta intervenção de Gomes Pereira, enquanto Governador do Forte de São Miguel entre o final do século XVI e o início do século XVII, harmoniza-se com outros projectos de chafarizes iniciados sob o reinado de D. Sebastião. No século XVIII, mais precisamente em 1716, a estrutura terá sofrido uma reforma significativa, embora a fisionomia arquitectónica que hoje se observa seja comummente datada da centúria de setecentos.
Para além da sua função utilitária quotidiana, a fonte desempenhou um papel vital no apoio logístico aos Círios, com particular destaque para o de Santarém, ao qual se atribui o patrocínio da construção do espaldar no século XVII. A localização estratégica fora do núcleo urbano justificava-se pela elevada afluência de fiéis e animais, exigindo caudais abundantes que a complexa rede de captação assegurava.
Descrição A Fonte Antiga apresenta-se como uma construção de alvenaria de pedra e tijolo, integralmente rebocada e caiada, onde os elementos decorativos, como as volutas, os cunhais e as pilastras, são realçados por uma pintura em tom ocre. O seu enquadramento, outrora puramente rural, encontra-se hoje inserido numa zona de expansão urbanística, delimitado a Norte pelos lavadouros municipais e a Este por uma área verde. O conjunto é dominado por um espaldar rectilíneo de contornos sinuosos, tripartido por pilastras que definem três corpos distintos.
O corpo central, de maior elevação, é encimado por um frontão flanqueado por volutas e rematado por pináculos piramidais. É neste painel que se encontram rasgadas as três bicas das quais jorra a água para um tanque rectangular superior, desprovido de ornamentação e ladeado por bancos de pedra. Esta zona de abastecimento, reservada exclusivamente ao uso humano, é delimitada por duas fiadas de pilaretes e muretes perpendiculares que encerram o espaço. Através de um sistema de canalização subterrânea, a água é transvasada para um segundo tanque, de configuração alongada e cota inferior, adossado a um murete paralelo, destinado à hidratação de animais junto à estrada.
O complexo hidráulico é sustentado por uma cisterna, ou mãe-de-água, situada na retaguarda do espaldar, protegida por uma cobertura de terra e vegetação densa. Este depósito constitui o terminal de um aqueduto de captação que provém da antiga ribeira do Enxurro. As intervenções arqueológicas e de manutenção revelaram que este aqueduto possui uma configuração em "Y" com dois tramos distintos: um mais curto, com cerca de três metros, obstruído por alvenaria, e outro com dez metros e sessenta centímetros de extensão. O sistema de engenharia interna recorre a uma caleira de telhas de canudo invertidas que direcciona as águas para sucessivas caixas de decantação. Daí, o recurso a tubagens de grés e cerâmica de diferentes calibres permite a distribuição selectiva para as bicas e para a cisterna, assegurando a estabilidade e a funcionalidade secular de todo o conjunto arquitectónico.
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