O Acervo Bajubá é um arquivo comunitário LGBTQIAPN+ localizado em São Paulo, Brasil. Criado em 2010, o projeto tem como objetivo preservar e compartilhar memórias das comunidades de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, pessoas trans, queer, intersexo, assexuais, pansexuais e outras dissidências sexuais e de gênero. O acervo conta hoje com mais de 20.000 itens, tendo a maior parte sido doada por indivíduos LGBTQIAPN+ e ONGs. O acervo abrange uma ampla variedade de itens efêmeros: revistas nacionais gays e travestis, zines, panfletos de festas, livros raros, literatura lésbica, roupas de crossdressing, DVDs pornográficos, pôsteres políticos e sobre HIV/AIDS e materiais audiovisuais. O nome faz referência ao pajubá, dialeto de origem afro-brasileira que se popularizou entre pessoas LGBTQIAPN+ e que está associada à troca de notícias, segredos e formas de resistência cultural, utilizado principalmente por travestis.
História A iniciativa surgiu em 2010 a partir da reunião de materiais ligados à memória LGBTQIAPN+ iniciada pelo pesquisador Remom Bortolozzi. Remom e seu companheiro na época, Felipe Areda, iniciaram um processo de aquisição de obras de arte, livros, periódicos, LPs e CDs produzidos por lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais brasileiras, ou mesmo materiais com a temática da diversidade sexual e a pluraridade de expressões de gênero no Brasil. A escolha do termo coleção em vez de arquivo é intencional. Remom e Felipe consideravam que enquanto o arquivo é “historicista e nomológico” e busca estabelecer interpretações totalizantes, o colecionador abraça a natureza fragmentária e incompleta de seu acervo, motivado pela expectativa de uma nova descoberta que possa transformar o todo.
Em 2017, a coleção mudou-se de Brasília para São Paulo, onde fez parceria e foi hospedada por uma série de organizações independentes, incluindo a Casa 1, um espaço cultural e de acolhimento LGBTQIAPN+, de 2019 a 2021. Depois, em 2022, mudou-se para o Grupo de Incentivo à Vida (GIV), uma organização civil que defende as pessoas que vivem com HIV/Aids na Vila Mariana. A partir de 2025, as coleções foram transferidas para um espaço de escritório dedicado na Santa Efigênia, centro de São Paulo, embora a coleção de livros permaneça no GIV. O acervo é apoiado pelo trabalho de diversos voluntários e é coordenado pelas pesquisadoras e ativistas Natan Angel e Yuri Fraccaroli.
Acervo O Bajubá reúne atualmente cerca de 20 mil itens em diferentes formatos, como livros, revistas, jornais, fanzines, panfletos, cartazes, fotografias e registros audiovisuais. Parte do acervo também é formada por documentos pessoais, cartas, testemunhos e doações da própria comunidade. O conjunto traz registros importantes da história e da cultura LGBT no Brasil, especialmente a partir da segunda metade do século XX. Entre os itens preservados, destacam-se obras literárias, estudos acadêmicos, revistas especializadas e publicações pornográficas, que ajudam a compreender aspectos culturais e políticos da história da população LGBT no Brasil. alt=imagem do interior da sede do Acervo Bajubá|miniaturadaimagem|Imagem do interior da sede do Acervo Bajubá no centro histórico de São Paulo Um dos destaques é o raro conjunto completo de todas as 38 edições impressas do Lampião da Esquina, um jornal homossexual marcante publicado entre 1978 e 1981, durante a gradual “abertura” da ditadura militar brasileira. Com uma tiragem de aproximadamente 15.000 exemplares, o Lampião fazia parte da imprensa alternativa do país. Por meio de suas manchetes irônicas, estética exagerada, layouts de página não convencionais e justaposição de imagens sensacionalistas e eróticas, o jornal aborda questões de repressão política e direitos civis que dizem respeito não apenas aos homens gays, mas também às pessoas trans, lésbicas, mulheres, negros e comunidades indígenas.
Atividades Além de trabalhar na preservação de documentos e outros itens importantes para a história LGBTQIAPN+, o acervo também promove atividades educativas e culturais, tais como:
Memorial incompleto da epidemia de Aids (2021–2023), que reúne histórias de pessoas afetadas pela epidemia de HIV. Podcasts, como Passagem só de ida (2021), sobre migrações LGBT para São Paulo, e Palanque (2022), sobre a presença de pessoas LGBT na política. Publicações coletivas, como Poéticas de vida – escritas de si(da) (2022), Não parecem sentir vergonha (2022) e Tudo que deixei de dizer em voz alta (2023). Exposições, como Porta de Boate (2023), dedicada à memória do transformismo em São Paulo. Arquivo transformista (2025), acervo digital público e gratuito dedicado à arte transformista em São Paulo.
O Bajubá também organiza oficinas, mutirões de catalogação e projetos de criação coletiva em parceria com artistas, educadores e pesquisadores.
Abordagem O projeto entende o arquivo não apenas como um depósito de documentos, mas um espaço vivo de produção de memória e conhecimento de corpos no presente. Sua atuação busca valorizar diferentes formas de contar histórias, combinando práticas de arquivamento com oficinas de escrita, gravação de relatos, ações performáticas e exposições.
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Site oficial do Acervo Bajubá Acervo Bajubá no Google Arts and Culture
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