direita|miniaturadaimagem|300x300px|Irmãos Cirilo e Metódio levando o cristianismo aos povos eslavos. Cristianismo na Idade Média é o período da história do cristianismo a partir da queda do Império Romano do Ocidente (). Há várias datas para o fim desse período —, como a conquista de Constantinopla pelo Império Otomano em 1453, a viagem de Cristóvão Colombo para a América em 1492 ou a Reforma Protestante em 1517.Davies Europe pp. 291–293.
Na antiga Pentarquia cristã, cinco patriarcados haviam especial eminência: as sés de Roma, Constantinopla, Jerusalém, Antioquia, e Alexandria. O prestígio da maior parte destas sés se dava por causa de seus fundadores apostólicos, e no caso de Bizâncio/Constantinopla, por ser a nova sede do Império Romano do Oriente, ou Império Bizantino. Esses bispos consideravam-se sucessores desses apóstolos fundadores.WOOLLCOMBE, K.J. "The Ministry and the Order of the Church in the Works of the Fathers" in The Historic Episcopate. Kenneth M. Carey (Ed.). Dacre Press (1954) p.31f Além disso, todas as cinco cidades foram os primeiros centros do cristianismo, mas perderam sua importância depois que o Levante foi conquistado pelo Califado Sunita.
Início da Idade Média (476–799) direita|miniaturadaimagem|244x244px|Mosaico de Justiniano I na igreja de San Vitale, Ravena, Itália A Alta Idade Média começou quando o último imperador romano ocidental foi deposto em 476 pelo rei bárbaro Odoacro, e terminou quando Carlos Magno foi coroado "imperador dos romanos" pelo Papa Leão III em Roma, no dia de Natal de 800. O ano de 476, entretanto, é um marco artificial.R. Gerberding e Jo Anne H. Moran Cruz, Medieval Worlds: An Introduction to European History 300–1492 (New York: Houghton Mifflin, 2004), p. 33. No Oriente, o governo imperial romano continuou no período que os historiadores chamam de Império Bizantino. Mesmo no Ocidente, onde o controle político imperial gradualmente declinou, ainda restaram elementos da cultura romana; por isso, historiadores atualmente preferem usar "transformação do mundo romano" do que "queda do Império Romano".
O advento da Alta Idade Média foi um processo gradual e localizado pelo qual, no Ocidente, áreas rurais tornaram-se centros de poder enquanto áreas urbanas perderam influência. Com as invasões muçulmanas no século VII, as áreas Ocidental (latina) e Oriental (grega) do cristianismo começaram a se diferenciar. Enquanto no Oriente a Igreja manteve seu poder, no Ocidente, os bispos de Roma (i.e., os papas) eram forçados a se adaptar mais rapidamente e flexivelmente as drásticas mudanças circunstanciais. Em particular, enquanto os bispos orientais mantinham clara fidelidade com o imperador romano oriental, o bispo de Roma, além de manter fidelidade ao imperador oriental, era forçado a negociar numa linha tênue com os "governantes bárbaros" das antigas províncias ocidentais. Ainda que um número considerável de cristãos tenha permanecido no Oriente, os desenvolvimentos no Ocidente levariam a maiores desenvolvimentos no mundo cristão durante os próximos séculos.
Papado no início da Idade Média Depois da queda da Península Itálica para os bárbaros e o subsequente tumulto causado por eles na região, o Imperador Justiniano I tentou restaurar o domínio imperial na Itália a partir do Oriente, contra a aristocracia gótica. As campanhas militares seguintes foram mais ou menos bem-sucedidas, e um Exarcado Imperial foi estabelecido na Itália, mas a influência imperial era limitada. Logo, os lombardos invadiram a península enfraquecida, e Roma precisava defender-se por si mesma. O fracasso oriental de enviar ajuda levou os próprios papas a alimentar a cidade com grãos das propriedades papais, negociar tratados, pagar proteção aos senhores de guerra lombardos e, quando isso não funcionou, contratar soldados para defender a cidade.Richards, Jeffrey. The Popes and the Papacy in the Early Middle Ages 476–752 (Londres: Routledge & Kegan Paul, 1979) p. 36 Eventualmente, os papas buscaram outros para apoiá-los, especialmente os francos.
Pregação além do Império Romano direita|miniaturadaimagem|200x200px|Cristãos e Pagãos, por Sergei Ivanov Quando as fronteiras políticas do Império Romano diminuíram e então colapsaram no Ocidente, o cristianismo se espalhou para além das antigas fronteiras do Império e para terras que nunca estiveram sob domínio romano.
Missionários irlandeses No começo do século V, uma cultura única desenvolveu-se ao redor do Mar da Irlanda, criando o que hoje chamamos de País de Gales e Irlanda. Nesse ambiente, o cristianismo se espalhou da Britânia Romana para a Irlanda, processo ajudado especialmente pela atividade missionária de São Patrício com sua primeira-ordem dos "clérigos patrícios", geralmente bretões ou irlandeses ordenados por ele e seus sucessores. Patrício foi capturado e transformado em escravizado e, após escapar e ser consagrado como bispo, voltou a ilha na qual foi escravizado para poder evangelizá-la. Logo, missionários irlandeses como Columba e Columbano espalharam esse cristianismo, com características irlandesas únicas, para a Escócia e a Europa Continental. Uma das características era o sistema de penitência privada, que substituiu a antiga pratíca de penitência como um rito público.Para o desenvolvimento dessa prática penitencial, veja: McNeill & Gamer, Medieval Handbooks of Penance, (Columbia University Press, 1938) pp. 9–54
Anglo-saxões, ingleses Ainda que o sul da Grã-Bretanha tenha sido uma província romana, em 407 as legiões imperiais deixaram a ilha, e a elite romana fez o mesmo. Algum tempo depois, diversas tribos bárbaras chegaram à ilha para invadi-la e pilhá-la, para depois se estabelecerem nela. Essas tribos são chamadas de "anglo-saxões", predecessores dos ingleses. Eram inteiramente pagãos, nunca tinham sido parte do Império, e ainda que tenham experimentado a influência cristã de povos ao seu redor, eles foram convertidos pela missão de Santo Agostinho, enviado pelo Papa Gregório Magno. A maior parte do restante da população britânica converteu-se do cristianismo de volta para suas raízes pagãs. Ao contrário do que se acredita popularmente, a conversão dos anglo-saxões ao cristianismo foi incrivelmente lenta, já que eles tinham pouquíssimo interesse em mudar sua religião e até mesmo desprezavam o cristianismo inicialmente, devido a conquista do povo cristão britânico décadas antes.
Levou quase um século para converter apenas a aristocracia anglo-saxã ao cristianismo, enquanto muitos ainda se convertiam de volta para o paganismo. Depois disso, o povo comum ainda levaria mais algumas centenas de anos para se converter ao cristianismo, e a razão por se converterem estava, em grande parte, por terem sido influenciados pela nobreza.Mayr-Harting, H. (1991). The coming of Christianity to Anglo-Saxon England. University Park, Pensilvânia: Pennsylvania State University Press. Originalmente, os líderes anglo-saxões reivindicavam descendência divina enquanto tomavam parte em vários rituais e práticas pagãs, mas após sua conversão eles se tornaram líderes espirituais para o cristianismo na Grã-Bretanha. Logo, os anglo-saxões começaram a incorporar suas antigas histórias pagãs e figuras no cristianismo, como o deus pagão Woden ter se tornado o sexto descendente de Sceaf, filho de Noé na Bíblia.Chaney, W. A. (1970). The cult of kingship in Anglo-Saxon England; the transition from paganism to Christianity. Manchester, Inglaterra: Manchester University Press. Depois, durante o governo do Arcebispo Teodoro, os anglo-saxões entraram numa era de ouro de cultura e conhecimento. Importantes missionários ingleses como Vilfrido, Vilibrordo, Lulo e Bonifácio começaram a evangelizar seus pares saxões na Alemanha.
Francos miniaturadaimagem|269x269px|São Remígio batiza Clóvis A maior parte dos habitantes galo-romanos da Gália (atual França) eram governador pelos francos germânicos no começo do século V. Os habitantes nativos eram perseguidos até que o rei franco Clóvis I converteu-se do paganismo ao cristianismo em 496. Clóvis insistiu que seus nobres também o fizessem, fortalecendo seu recém-estabelecido reino ao unir a fé dos governantes a dos governados.
Frísios dos Países Baixos Em 698, o monge beneditino nortúmbrio Vilibrordo foi nomeado pelo Papa Sérgio I como bispo dos frísios no que agora são os Países Baixos. Vilibrordo estabeleceu uma igreja em Utreque.
Muito do trabalho de Vilibrordo foi apagado pelo rei Redebaldo, que destruiu muitos centros cristãos entre 716 e 719. Em 717, o missionário inglês Bonifácio foi enviado para auxiliar Vilibrordo, reestabelecendo igrejas na Frísia e continuando a pregar pelas terras pagãs da Alemanha. Bonifácio foi morto por pagãos em 754.
Características e movimentos
Iconoclastia esquerda|miniaturadaimagem|A Trindade, de Andrei Rublev
A Iconoclastia foi um movimento que começou na Igreja Cristã Oriental Bizantina no início do século VIII, após uma série de fracassos militares contra os muçulmanos. Consistia num movimento cristão que ocorreu nos séculos VIII e IX contra o culto de ícones, causado pela preocupação que pudessem se enquadrar em idolatria. Em algum momento entre 726 e 730, o imperador bizantino Leão III, o Isauro, ordenou a remoção de uma imagem de Jesus posicionada destacadamente no Portão Calce, a entrada cerimonial do Grande Palácio de Constantinopla, e a substituiu por uma cruz. Após isso, ordenou outras proibições, tais como a proibição de representações pictóricas da família de Cristo, de santos cristãos e de cenas bíblicas. No Ocidente, o Papa Gregório III realizou dois sínodos em Roma e condenou as ações de Leão. O concílio realizado em Hieria, durante o reinado de Leão, em 754, foi quem determinou que os ícones não eram de origem cristã e, portanto, heréticos.Epítome, Concílio Iconoclasta em Hieria, 754 O movimento levou à destruição de muita da história artística do começo da Igreja cristã e à uma grande perda da arte e da história religiosa. O movimento iconoclasta foi condenado como herético pelo Sétimo Concílio Ecumênico, mas ainda teve um breve período de ressurgimento entre 815 e 842.
Pensamento apocalíptico Segundo o historiador James T. Palmer, no começo da Idade Média, os cristãos davam uma forte ênfase ao retorno imanente de Cristo, juízo e o fim do mundo, estimulando o desejo de "acertar as contas" antes do julgamento:
Alta Idade Média (800–1300)
Renascimento Carolíngio O Renascimento Carolíngio foi um período de reavivamento intelectual e cultural que ocorreu durante o final do século VIII e o século IX, principalmente durante o reinado de Carlos Magno e Luís, o Piedoso. Houve um crescente interesse no estudo da literatura, das artes, da arquitetura, da jurisprudência, da liturgia e das escrituras sagradas. O período também contribuiu para o desenvolvimento da letra minúscula carolíngia, precursora da moderna escrita em minúscula, e da padronização do latim, que até então era variado e irregular (veja: latim medieval). O espírito reformador era o credo do cristianismo de Carlos Magno. Havia uma ênfase nas diferenças do cristianismo para os leigos e o cristianismo para a nobreza. Nesse período, religião e política eram intimamente ligadas uma com a outra. Carlos Magno acreditava que corrigir o sistema educacional da nobreza era um exemplo dessa relação entre Igreja e Estado. O analfabetismo era um outro problema comum entre os nobres. Para resolver isso, Carlos Magno fundou escolas e atraiu os homens mais letrados de toda a Europa para sua corte, tais como Teodulfo, Paulo, o Diácono, Angilberto e Paulino de Aquileia. É importante ressaltar que, naquele tempo, criar um manuscrito era comparável ao gasto atual de comprar um laptop. Logo, apenas indivíduos ricos e influentes como Carlos Magno eram capazes de impulsionar esse processo de educação clerical.
Crescimento das tensões entre Oriente e Ocidente