Manuel Pedroso Alves Marques GOL • ComIH (Lisboa, 1 de agosto de 1935) é um militar (coronel do exército na reforma), político, escritor, editor e gestor. Foi um dos fundadores da ASP (Acção Socialista Portuguesa) e do Partido Socialista. Opositor do «Estado Novo», em 1962, participou na «Revolta de Beja», passou à clandestinidade, foi expulso das forças armadas e condenado a prisão pelo tribunal plenário, viveu no exílio, em França e no Brasil, até à «revolução dos cravos». Regressado a Portugal em setembro de 1974, foi reintegrado e desempenhou diversos cargos político-militares de relevo, no Estado-maior do exército, governo, e presidências do conselho de ministros e da república, tendo ainda sido presidente do conselho de administração da RTP (Rádio e Televisão de Portugal), diretor da Lusa (agência de notícias) e gestor das empresas Diário Notícias e Capital e das editoras Bertrand e Difel. É colaborador da mídia impressa e tem vasta obra publicada. Biografia Formação Iniciou os seus estudos na Escola primária do Campo Grande (Lisboa), passou pela Escola Secundária Veiga Beirão, pelo Instituto Comercial de Lisboa, e frequentava o Instituto Superior de Economia e Gestão, quando concorreu à Academia Militar, onde tirou o curso de Administração militar. Mais tarde frequentou a Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, até ao 2.º ano, como aluno voluntário. Atividade política e militar Na noite da passagem de ano de 31 de dezembro de 1961 para 1 de janeiro de 1962, sendo então capitão, participou na ação de luta contra a ditadura de António de Oliveira Salazar, em Portugal, que ficou conhecida como a Revolta de Beja. Tratou-se de uma tentativa de golpe civil e militar que pretendia derrubar o regime a partir da tomada de assalto do Regimento de Infantaria N.º 3 naquela cidade alentejana.. Face a essa sua oposição à repressão política do Estado Novo português, esteve escondido em casa de amigos oposicionistas, tendo dois deles vindo a ser presos pela PIDE (Polícia Internacional e de Defesa do Estado), por esta ter descoberto que o tinham abrigado (António Amaro Monteiro e Manuel Afonso Reis), até que resolveu pedir asilo diplomático na embaixada do Brasil, em Lisboa, onde permaneceu durante dois anos e meio, após o que, sentindo-se preso, sem o estar, e sem cumprir a pena de três anos de prisão em que fora condenado em julgamento à revelia pelo Tribunal plenário da Boa Hora, foge, via Espanha e clandestinamente, até Paris, aí pedindo asilo político territorial a França, sendo-lhe concedida autorização de permanência. Viagem muito conturbada, com perseguição policial e tiros, em plenos Pirenéus, e caminhando por vezes a pé durante vários dias.
Em França trabalhou no “Centre de Formation des Journalistes” e como “instrutor de código”, tendo conseguido, ao fim de ano e meio, um salvo-conduto para ir para o Brasil, onde, desde há quatro anos, já se encontravam a sua mulher e filha. Nesse documento era considerado apátrida.
Sem possibilidade de retorno ao país, visto que a pena em que fora condenado só prescrevia ao fim de 20 anos, viveu exilado no Brasil, durante quase uma década, tendo trabalhado como redator da Enciclopédia Delta-Larousse, dirigida pelo solidário intelectual e filólogo brasileiro Antônio Houaiss, e também como responsável por três chancelas editoriais, do Grupo Páginas Amarelas, bem como escrevia artigos para o Jornal do Brasil e para o jornal da oposição “A Semana Portuguesa”, de São Paulo, então dirigido pelo escritor Castro Soromenho.
Em 1964, foi um dos fundadores da ASP (Acção Socialista Portuguesa) e, em 1973, é membro fundador do Partido Socialista.
Após a Revolução de 25 de Abril de 1974, com o regresso de Portugal à democracia, retorna a Lisboa logo em setembro desse ano. É reintegrado nas forças armadas, como major, e chefiou o «Gabinete de Dinamização do Exército». Fez parte do gabinete de dois Chefes do Estado-Maior do Exército, e foi instrutor de cinco cursos sucessivos de capitães do Serviço de administração militar nas aulas de Estratégia e teoria geral de administração. Ascendeu na carreira militar até ao posto de coronel. Cargos desempenhados pós-25 de abril Para além da atividade militar acima descrita, desempenhou ainda, após a Revolução de 25 de Abril de 1974, entre outras, as seguintes funções: em 1975, foi adjunto de Jorge Correia Jesuíno, Ministro da Comunicação Social no III Governo Provisório (em funções de 24 de fevereiro a 26 de março de 1975), IV Governo Provisório (em funções de 26 de março a 8 de agosto de 1975) e V Governo Provisório (em funções de 8 de agosto a 19 de setembro de 1975);
ainda em 1975 é nomeado Presidente do Conselho de Administração da RTP (Rádio e Televisão de Portugal);
foi assessor militar de Mário Soares, quer enquanto primeiro-ministro, quer, posteriormente, como Presidente da República Portuguesa;
foi diretor da Lusa (agência de notícias) (até 2003) e gestor/administrador das empresas Diário Notícias e Capital e das editoras Bertrand e Difel;
foi ou é dirigente e associado de várias organizações, sendo de destacar: - “Sefin - Associação portuguesa de utilizadores e consumidores de serviços e produtos financeiros” (2006 a 2017), que defendia os utilizadores de produtos financeiros das más práticas bancárias;
- “Associação Mares Navegados”, que se dedica à difusão da língua e cultura portuguesa;
- “Associação de Exilados Políticos portugueses de 1961 a 1974”;
- “Associação 25 de Abril”.
Vida pessoal Filho de Arminda Maria Pedroso Marques e de Damião Alves Marques, ambos naturais de uma aldeia do concelho de Pedrógão Grande, Manuel Pedroso Marques nasceu a 1 de agosto de 1935, em Lisboa, cidade onde seu pai se estabeleceu como comerciante. Casou, em 1959, com Primavera Ácrata Saiz das Neves (Pedrógão Grande, 8 de março de 1933 - Rio de Janeiro, 29 de janeiro de 1981), tradutora, jornalista e escritora portuguesa, que trabalhou e viveu boa parte de sua vida no Brasil, tendo assinado a maioria de seus trabalhos como «Vera Neves Pedroso», e de quem teve a sua única filha Maria Alexandra (Lisboa, 1961-2005).
É casado, desde 1974, com a jornalista e feminista Maria Antónia Assis dos Santos Palla e Carmo (Seixal, 10 de janeiro de 1933) e padrasto do político António Costa. Escritos publicados É autor dos seguintes livros: 20 Compromissos para o futuro; Lisboa; Âncora, 2026; O futuro em aberto: pensar Portugal; Lisboa; Âncora, 2023; ISBN 978-972-780-903-5 Diálogos improváveis: O populista, a democracia, o radical e a opinião pública; Lisboa; Âncora; 2018; ISBN 978-972-780-778-9 Populismo: todo o poder vem do povo! Mas para onde vai?; Lisboa; Âncora; 2018; ISBN 978-972-780-641-6 Os exilados não esquecem nada mas falam pouco: ensaio sobre os factos e outras memórias; Lisboa; Âncora; 2015; ISBN 978-972-780-492-4 Tempos difíceis, decisões urgentes; Lisboa; Bnomics; 2010; ISBN 978-989-8184-58-0 O jogo estratégico na gestão; Lisboa; Difel; 1996; ISBN 972-29-0351-9
Relações de Poder na Empresa; Publicações Europa-América; 1981; ISBN 9789721019126
Foi ainda coautor da obra “Liberdade é também vontade” e prefaciador do livro «Brasil, um país do futuro» de Stefan Zweig; Óbidos; Balzac Publicações; ISBN 978-989-35842-0-0
Tem artigos, sobre história e problemas políticos e culturais, publicados em diversos jornais da imprensa portuguesa, designadamente no Público e no Jornal de Letras, Artes e Ideias, e em revistas, destacando-se entre estas «O Referencial», da Associação 25 de Abril
Condecorações 80px Grau de Grande-Oficial da Ordem da Liberdade (20 de julho de 2023)
80px Grau de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique (15 de julho de 1987)
Categoria: Nascidos em 1935 Categoria: Naturais de Lisboa Categoria:Alumni da Academia Militar (Portugal) Categoria:Militares de Portugal Categoria:Oficiais superiores de Portugal Categoria:Ativistas políticos Categoria:Antifascistas de Portugal Categoria:Opositores da ditadura portuguesa Categoria:Políticos do Partido Socialista (Portugal) Categoria:Políticos portugueses do século XX Categoria:Políticos portugueses do século XXI Categoria:Escritores de Portugal Categoria:Gestores de Portugal Categoria:Homens do século XX Categoria:Portugueses do século XX Categoria:Homens do século XXI Categoria:Portugueses do século XXI Categoria:Comendadores da Ordem do Infante D. Henrique Categoria:Grandes-Oficiais da Ordem da Liberdade Categoria:Recipiendários de distinções honoríficas de Portugal