Demerval Lopes de Lacerda (Rio de Janeiro, 12 de fevereiro de 1933 – São José dos Campos, 17 de outubro de 2007), mais conhecido como Mestre Leopoldina é um capoeirista brasileiro, considerado um dos maiores compositores de capoeira de seu tempo e símbolo da malandragem carioca.
Histórico
Juventude e início na malandragem Demerval foi criado por sua mãe e depois por tias e outras senhoras que o acolheram. Quando adolescente, foi por vontade própria para o SAM ‑ Serviço de Assistência ao Menor. Por lá, entre outras coisas, aprendeu a nadar, dando regularmente a volta na ilha onde estava situado o reformatório, o que lhe deu uma excelente forma física.
Durante a adolescência, Demerval foge de casa para vender doces na Central do Brasil. Já aos 18 anos, ele conhece a Capoeira carioca de idade com o marginal João Félix, conhecido como Quinzinho, um malandro carioca e pertencente a uma das maltas da época, provavelmente da malta Guaiamuns. Ele ensina a Leopoldina a "tiririca", a capoeira dos malandros cariocas, que não possuía toque de berimbau e era uma movimentação executada pelos malandros, mas que possuía código de ética, sendo transmitida sem violência. O intuito do treinamento era preparar Leopoldina para ser um bandido. Um ano depois, em 1954, Quinzinho é preso e assassinado na cadeia de Ilha Grande, durante uma de suas rebeliões.
Vida adulta e história na capoeira Após a morte de Quinzinho, Leopoldina sa a treinar sozinho até que conhece o capoeirista baiano Mestre Artur Emídio, que veio se Itabuna, e começa a treinar com ele no ano de 1954 na academia de Valdo Santana, um lutador profissional, em Bonsucesso. Apesar dessa influência da capoeira baiana, Leopoldina ao longo dos anos é visto como um praticante da capoeira das ruas. Porém , segundo ele próprio, a influência de Mestre Artur Emídio foi responsável por fazê-lo deixar de consumir entorpecentes e arranjar um emprego e dar aulas de capoeira, fundando o seu grupo de capoeira Bantos de Angola.
Algum tempo depois, ele passa a trabalhar no Cais do Porto e entra para a Resistência, um dos ramos da estiva. Leopoldina se aposenta cedo, antes dos 45 anos, devido a um acidente de trabalho (que não deixou sequelas) o que possibilitou ele se dedicar inteiramente à capoeira, trazendo seu estilo para a Suíça, Itália, Holanda, Alemanha e Senegal.
A partir de 1961, ele passa a atuar na ala-show da escola de samba Mangueira, levando cerca de 60 capoeiristas para desfiles que misturavam Samba de roda e Capoeira Angola na avenida.
Ele começou a ficar reconhecido no meio da capoeira lentamente com o tempo, durante viagens que fazia constantemente à São Paulo e na participação do hegemônico Grupo Senzala carioca. Como compositor de músicas de capoeira, Leopoldina fala sobre mandinga, malandragem e crítica o sistema da sua época e a suposta valentia de alguns capoeiras.
Em 2005 é lançado o documentário Mestre Leopoldina – A Fina Flor da Malandragem, contando com depoimentos e histórias narradas por Nestor Capoeira, em homenagem a ele.
Morreu em 17 de outubro de 2007, em São José dos Campos, mas continua mantendo sua influência nas próximas gerações de capoeiristas pelo Brasil e mundo afora.
Ver também Capoeira Capoeira carioca Capoeira Angola Malandragem
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