Em 28 de agosto de 2025, a Força Aérea Israelense (FAI) conduziu ataques direcionados contra vários ministros hutis em Bayt Baws, Saná, Iémen. Entre os alvos estavam o primeiro-ministro do grupo, Ahmed al-Rahawi; o ministro da defesa, Mohamed al-Atifi; e o chefe do Estado-Maior, Muhammad Abd al-Karim al-Ghamari, que se reuniam para assistir a um discurso televisionado do líder Huti Abdul-Malik al-Houthi. As mortes de al-Rahawi e de outros ministros foram posteriormente confirmadas pelo grupo. O ataque recebeu de Israel o codinome Operação Lucky Drop.
Antecendentes Após os ataques do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023, que desencadearam a guerra de Gaza, os hutis do Iémen passaram a lançar mísseis e drones contra Israel e navios internacionais no mar Vermelho, em ações que afirmam ser de solidariedade aos palestinos. Em resposta, uma coalizão liderada pelos Estados Unidos iniciou uma campanha de bombardeio aéreos contra os hutis, encerrada após um acordo de cessar-fogo entre os EUA e o grupo em maio de 2025. Um ataque mortal dos hutis em Tel Aviv, em julho de 2024, levou Israel a lançar seus primeiros ataques aéreos contra o Iémen. Desde então, Israel passou a realizar ofensivas ocasionais contra os hutis, atingindo alvos em cidades como Saná e Hodeida.
Os ataques de 28 de agosto ocorreram após uma intensa série de bombardeios israelenses em Sanaa no dia 24 daquele mês, que deixaram 10 mortos e 102 feridos. Entre os alvos estavam um terminal de petróleo, uma usina de energia e uma base militar próxima ao palácio presidencial. As ofensivas foram uma resposta ao disparo, pelos hutis, de uma bomba de fragmentação contra Israel pela primeira vez. Segundo a emissora israelense Canal 12, Israel chegou a se preparar para atacar a liderança Huti durante esses bombardeios, mas recuou da decisão. No início do dia 28, os hutis lançaram dois drones contra Israel, que foram interceptados.
Ataques aéreos De acordo com a emissora Al Mayadin, ligada ao Hezbollah, em 28 de agosto pelo menos dez ataques aéreos israelenses atingiram alvos em Sanaa, enquanto outras ofensivas ocorreram nas províncias de 'Amran e Haja. Já o canal saudita Al-Hadath informou que tanto a Força Aérea quanto a Marinha de Israel participaram das ações. O jornal Asharq Al-Awsat relatou que três locais foram atingidos: uma casa próxima a uma estação de tratamento de água, um ponto em Jabal Atan e outro nas imediações do Palácio Presidencial controlado pelos hutis, usado para reuniões — um dos edifícios teria sido completamente destruído. Líderes tribais disseram à Associated Press que o ataque que matou o primeiro-ministro huti ocorreu durante uma reunião em Bayt Baws, no sul de Sanaa. Segundo os hutis, o encontro reunia ministros do governo "para avaliar a atividade e o desempenho [da administração] no ano passado". A Al Jazeera também reportou danos no Monte Attan, a sudoeste da capital.
Pouco depois, as Forças de Defesa de Israel (FDI) confirmaram que haviam realizado um ataque aéreo contra uma instalação militar huti em Sanaa. De acordo com a imprensa israelense, a Força Aérea mirou casas seguras onde dez altos funcionários do grupo estavam reunidos para assistir a um discurso televisionado de Abdul-Malik al-Houthi, lançando mais de dez mísseis em menos de cinco minutos. O canal israelense KAN News informou ainda que um ataque ao palácio presidencial matou vários líderes políticos hutis. No dia seguinte, as FDI confirmaram que haviam tido como alvo o ministro da Defesa e o chefe do Estado-Maior do grupo.
O jornal The Times of Israel noticiou que Israel recebeu, por volta das 13h, informações de que dez líderes hutis estavam reunidos perto de Sanaa para ouvir o discurso de al-Houthi. A inteligência israelense forneceu dados em tempo real sobre a reunião, o que viabilizou o bombardeio apesar da forte concentração de defesas aéreas na região. A operação foi monitorada pelo ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, e pelo chefe do Estado-Maior das FDI, Eyal Zamir, enquanto o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu foi informado por meio de uma "linha vermelha".
Vítimas Segundo estimativas israelenses, o ministro da Defesa huti, Mohamed al-Atifi, e o chefe do Estado-Maior, Muhammad Abd al-Karim al-Ghamari, provavelmente foram mortos nos ataques próximos ao palácio presidencial — este último já havia sido alvo durante a guerra Irã–Israel em junho de 2025. Além disso, o primeiro-ministro huti, Ahmed al-Rahawi, teria sido morto junto a vários aliados em um ataque a um apartamento no bairro de Bayt Baws, em Sanaa, de acordo com a KAN News e a mídia iemenita. O chefe do Ministério da Defesa controlado pelos hutis, Asaad al-Sharqabi, também foi morto, segundo fontes do governo iemenita citadas pela Reuters.
O portal Ynet informou que Israel tinha "confiança crescente" de ter eliminado "toda a elite militar e governamental dos hutis", enquanto o Canal 13 noticiou que o governo acreditava no sucesso da ofensiva. O The Jerusalem Post destacou haver uma "probabilidade crescente" de que tanto o ministro da Defesa quanto o chefe do Estado-Maior estivessem entre os mortos. Ainda assim, a presença de al-Ghamari nos locais atingidos, bem como a morte de outros líderes seniores, continuava sem confirmação. Mais tarde, o Canal 12 relatou que as Forças de Defesa de Israel (FDI) avaliaram ter matado todo o gabinete huti, incluindo o primeiro-ministro e outros 12 membros, embora sem conclusões definitivas.
Em 30 de agosto, os houthis divulgaram um comunicado confirmando a morte de al-Rahawi, além de um número não especificado de ministros, acrescentando que outros ficaram gravemente ou moderadamente feridos. De acordo com a Rádio do Exército Israelense, oito autoridades adicionais foram mortas: o diretor do bureau político, o chefe de gabinete do primeiro-ministro, o secretário de gabinete, o ministro da Justiça, o ministro da Economia e Comércio, o ministro das Relações Exteriores, o ministro da Agricultura e o ministro das Relações Públicas. As FDI confirmaram a morte de al-Rahawi juntamente com outros altos oficiais militares e políticos.
Reações Após os ataques, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, declarou: "Tal como avisámos os hutis no Iémen: depois da praga das trevas vem a praga dos primogénitos", em referência às pragas bíblicas do Egito. Ele acrescentou: "Qualquer um que levantar a mão contra Israel terá a sua mão cortada."
Uma fonte ligada à Defesa houthi negou inicialmente que líderes de alto escalão tivessem sido alvo e afirmou que as ofensivas miraram civis iemenitas por causa de suas "posições de apoio a Gaza". Posteriormente, os hutis descreveram os ataques como "criminosos e traiçoeiros", enquanto o líder do Conselho Político Supremo, Mahdi al-Mashat, prometeu vingar as mortes e advertiu empresas internacionais a se retirarem de Israel. O líder huti, Abdul-Malik al-Houthi, prometeu intensificar os ataques com mísseis e drones contra Israel.
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã classificou o ataque como crime de guerra, alegando que buscava suprimir o apoio do Iémen aos palestinos, e declarou que a ofensiva "irá inflamar ainda mais a raiva e expandir a geografia da resistência". O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, pediu uma resposta internacional contra Israel, enquanto o chefe do Judiciário Gholam-Hossein Mohseni-Eje'i, afirmou que os ataques demonstram "o fracasso de Israel em derrotar o Iémen militarmente".
O secretário-geral do Hezbollah, Naim Qassem, enviou condolências a Abdul-Malik al-Houthi.
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