O xecado de Sancul foi um antigo estado suaíli em território que hoje faz parte de Moçambique.
Tal como o xecado de Sangage e o xecado de Quitangonha, o xecado de Sancul foi fundado por muçulmanos vindos do norte.R. A. Mattos: "Entre Suaílis e Macuas, Mujojos e Muzungos" in Estudos Ibero-Americanos, Porto Alegre, v. 44, n. 3, p. 457-469, set.-dez. 2018. Sancul foi o primeiro a ser fundado, no séc. XVI, após a ocupação da Ilha de Moçambique pelos portugueses. Instalaram-se três quilómetros a sul da Baía de Mocambo, imediatamente a sul da Ilha de Moçambique. Mais tarde, parte da população separou-se e formaram o xecado de Quivolane, mas foram reabsorvidos mais tarde, originando um sistema de alternância de linhagens. O assistente do xeque de Sancul tinha o título de capitão-mor de Quivolane, onde residia.
Parte da população de Sancul voltou a separar-se mais tarde devido a desavenças e fundou o xecado de Sangage, em terras do sultanato de Angoche, o que explica a relação de lealdade ou dependência para com o sultanato. Angoche pretendia expandir a sua influência destacando parte das populações para ocupar novos territórios, como Moma, Pebane, Mogincual e Quivolane.
O xeque de Sancul traficava em escravos a partir da baía de Mocambo e focava-se na manutenção do monopólio comercial de que disfrutava entre os portos do sul.Hilary C. Palmer, Malyn D.D. Newitt (2016): Northern Mozambique in the Nineteenth Century: The Travels and Explorations of H.E. O’Neill, Brill, pp. 62-63. O xeque de Sancul manteve relações próximas dos portugueses e a liderança do xecado alternava entre duas linhagens, de maneira que enquanto um xeque recebia dos portugueses o título de capitão-mor, o outro procurava a confirmação dos portugueses ao cargo. Na década de 1840 sucedeu-se uma controvérsia quando o xeque de Sancul tentou que os seus súbditos fossem admitidos como eleitores de deputados de Moçambique ao parlamento português em Lisboa.
A 25 de setembro de 1861, os portugueses ocuparam Angoche e o sultão Mussa Quanto fugiu para Sancul mas aqui foi preso e levado para a fortaleza de São Sebastião.Regiane Augusto de Mattos: "Comércio de escravos, relações de lealdade e expansão do Islã: razões e estratégias de Angoche para resistir à dominação portuguesa em Moçambique", in Anais do XXVI Simpósio Nacional de História – ANPUH, São Paulo, Julho 2011, p. 4.
Tal como os restantes estados suaílis, Sancul foi anexado a Moçambique pelos portugueses em inícios do séc. XX.
Xeques
1797 - 1800 Mukusedi Muhammad Raja 1800 - 1804 Mutirua Muhammad 1804 - 1810 Hasan Raja 1810 - 1822 Molidi Uthman 1822 - 1832 Mukusedi Ali Muhammad Raja 1832 - 1841 Burehimu Usufu 1842 - 1862 Hasan Musa Mukusedi 1863 - 1874 Camakama Molidi 1875 - 1886 Abd Allah Usufu ibn Hasan "Umkubu Muntu" 1886 - 1898 Hasan Molidi 1898 - 1910 Suali ibn Ali Ibrahimu "Marave"
Ver também
África Oriental Portuguesa Campanhas de Pacificação e Ocupação
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