alt=|miniaturadaimagem| Leônidas José de Oliveira é um arquiteto e urbanista, professor, pesquisador, ensaísta e gestor público brasileiro, natural de São Gotardo, em Minas Gerais. Sua trajetória profissional e intelectual desenvolveu-se principalmente nos campos da arquitetura, do patrimônio cultural, da museologia, das políticas culturais e do turismo, com produção dedicada também às relações entre cultura, identidade territorial e desenvolvimento.
É secretário de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, em seu segundo período no cargo. Exerceu a função entre maio de 2020 e setembro de 2025 e retornou à secretaria em março de 2026, após Mateus Simões assumir o governo estadual.
Anteriormente, dirigiu o Museu Histórico Abílio Barreto, presidiu a Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte e a Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte, exerceu interinamente a presidência da Embratur e foi diretor-executivo e presidente substituto da Fundação Nacional de Artes. Também presidiu colegiados de cultura, patrimônio e turismo em âmbito municipal e estadual.
Formação humanística, acadêmica e europeia Oliveira realizou estudos filosóficos no Seminário Diocesano Nossa Senhora da Luz, da Diocese de Luz, em Minas Gerais. A formação humanística antecedeu sua graduação e permaneceu relacionada a temas posteriormente recorrentes em seus estudos e ensaios, como arte, arquitetura religiosa, patrimônio, religiosidade e cultura.
Atuou nacional e internacionalmente como pesquisador e técnico em políticas culturais e urbanas. Foi arquiteto e coordenador do Plano de Reabilitação do Centro Histórico de Valladolid (Espanha), entre 2003 e 2004, onde iniciou sua carreira internacional.
Graduou-se em Arquitetura e Urbanismo pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Prosseguiu os estudos na Europa, realizando mestrado profissional em Restauração e Reabilitação do Patrimônio Arquitetônico e Urbano na Universidad de Alcalá, na Espanha, como bolsista da Fundación Carolina, e doutorado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidad de Valladolid. Documentação internacional da CGLU registra a formação em Alcalá, Valladolid e Fundación Carolina.
Segundo seu currículo acadêmico, concluiu o mestrado em 2004 e o doutorado em 2005. O mestrado abordou arquitetura religiosa, intervenção patrimonial e liturgia; o doutorado concentrou-se na arquitetura religiosa contemporânea brasileira e na multiculturalidade da forma. Durante a permanência na Espanha, participou também de trabalhos profissionais relacionados ao inventário do centro histórico medieval de Valladolid e a estudos de planejamento urbano.
Na PUC Minas, integrou o grupo de pesquisa Cultura e Religião e atuou como arquiteto e pesquisador no Inventário do Patrimônio Cultural da Arquidiocese de Belo Horizonte. Posteriormente exerceu atividades docentes na universidade, inclusive em cursos de pós-graduação e MBA relacionados a gestão pública, turismo, cultura, economia criativa e patrimônio.
Produção acadêmica na Espanha A produção acadêmica do período europeu concentrou-se em arquitetura religiosa, patrimônio, liturgia e multiculturalidade. O currículo acadêmico registra trabalhos em língua espanhola na revista ARSSACRA, de Madri, entre eles Arquitectura Religiosa Contemporánea en Brasil, Arquitectura y liturgia, el local de celebración e El valor de lo esencial, além de Arquitectura en Brasil: El Espíritu de las Nuevas Formas, em Areté Documenta, publicação da Asociación Española de Gestores de Patrimonio Cultural.
Essas referências bibliográficas devem ser conferidas diretamente em catálogos espanhóis antes de eventual ampliação da lista de obras no verbete. A relevância biográfica do conjunto está na continuidade temática: arquitetura religiosa, forma, tradição, modernidade e multiculturalidade aparecem na pesquisa europeia e reaparecem, posteriormente, em seus trabalhos sobre Pampulha, patrimônio e identidade cultural.
Museu Histórico Abílio Barreto Entre 2009 e 2012, Oliveira dirigiu o Museu Histórico Abílio Barreto, instituição dedicada à história e à memória urbana de Belo Horizonte. Sua atuação no museu incluiu exposições, conservação de acervos, pesquisa, educação patrimonial e produção editorial.
No período, participou da organização ou coordenação de publicações como Restaurar a Memória, Caderno de Textos: Inverno no MHAB e A Casa e a Cidade: construção do espaço doméstico, social e da lembrança em Belo Horizonte. A produção do período estabeleceu uma ponte entre pesquisa acadêmica, museologia, arquitetura e interpretação da cidade.
Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte (2012–2017) Em 2012, Oliveira assumiu a presidência da Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte, função exercida até o início de 2017. No mesmo ciclo, presidiu o Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural do Município de Belo Horizonte e o Conselho Municipal de Política Cultural.
A documentação anual da Fundação registra, entre 2013 e 2016, um período de criação de estruturas permanentes, expansão da programação, restauração e abertura de equipamentos, institucionalização das políticas culturais e ampliação da inserção internacional da cidade.
Institucionalização e financiamento cultural
Durante sua presidência, Belo Horizonte aprovou o primeiro Plano Municipal de Cultura com vigência decenal, instituído pela Lei nº 10.854/2015, e estruturou o Sistema Municipal de Cultura.
Em dezembro de 2016 foi sancionada a Lei nº 11.010, que instituiu a Política Municipal de Fomento à Cultura. A legislação reformulou o financiamento municipal, estabeleceu instrumentos de fomento e incorporou diretrizes de diversidade e descentralização territorial. O relatório de 2016 registra a reformulação da política de incentivo como uma das entregas estruturantes do período.
Criação e implantação de instituições culturais
A reorganização administrativa da FMC em 2014 criou a Escola Livre de Artes, o Centro de Referência da Cultura Popular e Tradicional Lagoa do Nado e o Museu da Imagem e do Som, além de novas estruturas para artes cênicas e música. O Arena da Cultura, existente desde 1998, foi incorporado à Escola Livre de Artes Arena da Cultura, consolidando uma estrutura permanente e descentralizada de formação artística.
No mesmo ciclo foi implantado o Museu da Imagem e do Som de Belo Horizonte a partir da transformação da política municipal de preservação audiovisual. Em 2016, o antigo Cine Santa Tereza, fechado havia mais de uma década, foi reaberto como MIS Cine Santa Tereza.
Em dezembro de 2016 foi inaugurado o Museu da Moda de Belo Horizonte, resultado da transformação do Centro de Referência da Moda. A Prefeitura o apresenta como o primeiro museu público brasileiro dedicado especificamente à moda.
Também foram criadas ou formalizadas no período estruturas como o Centro de Referência da Cultura Popular e Tradicional e o Centro de Referência da Dança, este último instalado no Teatro Marília em 2016.
Festivais, formação e ocupação da cidade
Sob a presidência de Oliveira, a FMC criou e realizou em 2013 a primeira Virada Cultural de Belo Horizonte. A primeira edição reuniu centenas de atrações em dezenas de espaços da cidade; o evento tornou-se posteriormente parte do calendário cultural da capital.
Em 2015, a Fundação realizou a primeira edição do Festival Literário Internacional de Belo Horizonte — FLI-BH, concebido como programação pública de literatura, livro e leitura.
Em 2014, o programa Arena da Cultura recebeu o primeiro Prêmio Internacional CGLU–Cidade do México–Cultura 21, na categoria Cidade/Governo Local, reconhecimento que precedeu a institucionalização da Escola Livre de Artes Arena da Cultura.
Equipamentos culturais e restaurações
Entre 2013 e 2016 foram concluídas ou entregues intervenções em diferentes equipamentos municipais. O Teatro Francisco Nunes e o Teatro Marília foram restaurados e reabertos; o Teatro Raul Belém Machado foi inaugurado em 2016; o Centro Cultural Bairro das Indústrias foi inaugurado em 2015; e a Usina de Cultura passou a integrar a rede municipal de equipamentos.
Na Pampulha, o período incluiu a inauguração da Casa Kubitschek como museu em 2013 e intervenções de restauração no Museu de Arte da Pampulha, Casa do Baile e jardins de Roberto Burle Marx, dentro de uma agenda mais ampla de recuperação do conjunto moderno. Em 2014, a Fundação retomou a recuperação do projeto paisagístico de Burle Marx para a Praça Alberto Dalva Simão, ação vinculada ao plano de valorização da Pampulha durante a candidatura a Patrimônio Mundial.
Proteção do patrimônio cultural de Belo Horizonte
Como presidente do Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural, Oliveira presidiu deliberações de proteção de conjuntos urbanos e bens materiais e imateriais. Durante o período foram aprovadas a proteção do Conjunto Urbano Bairro Santa Tereza, em 2015, e do conjunto formado por Lagoinha, Bonfim e Carlos Prates, em 2016; o Conjunto Urbano Bairro Cidade Jardim teve proteção formalizada e ampliada em 2013.
Em 2014, o Conselho reconheceu como patrimônio imaterial manifestações do teatro de rua, teatro de palco e teatro de bonecos e um circuito de espaços teatrais de Belo Horizonte.
No mesmo ciclo, documentos da Comissão Construtora da Nova Capital foram protegidos e, em 2015, o acervo relacionado à construção de Belo Horizonte foi reconhecido no âmbito do Programa Memória do Mundo da UNESCO, em processo compartilhado por instituições de memória da cidade e do Estado.
Secretário de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (2020-2026) Primeiro período — 2020 a 2025
Em 13 de maio de 2020, Oliveira assumiu a Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais. A gestão começou nos primeiros meses da pandemia de Covid-19 e posteriormente passou a concentrar-se em descentralização do financiamento, patrimônio, integração entre cultura e turismo, identidade territorial e internacionalização.
No exercício do cargo, presidiu colegiados estaduais como o Conselho Estadual de Política Cultural, o Conselho Estadual do Patrimônio Cultural e o Conselho Estadual de Turismo, além de conselhos curadores de instituições vinculadas. Esses colegiados foram utilizados na formulação e deliberação de políticas de fomento, proteção patrimonial e turismo.
Descentra Cultura
Em 2021, Oliveira apresentou na Assembleia Legislativa o programa Descentra Cultura Minas Gerais, incorporado ao Projeto de Lei nº 2.976/2021. O projeto propunha descentralização, regionalização e democratização do sistema estadual de financiamento cultural.
A proposta resultou na Lei nº 24.462, de 26 de setembro de 2023, que reorganizou o Sistema Estadual de Cultura, instituiu o Sistema de Financiamento à Cultura — Descentra Cultura Minas Gerais — e atualizou a Política Estadual de Cultura Viva. A lei estabeleceu expressamente a descentralização, a municipalização e a democratização como objetivos do financiamento.
Em avaliação realizada pela ALMG em junho de 2025, parlamentares apontaram a descentralização como um dos principais avanços do período; a própria Assembleia registrou que a concentração histórica de recursos na Região Metropolitana de Belo Horizonte vinha sendo reduzida, com crescimento da participação do interior nos mecanismos de fomento.
Patrimônio cultural e Iepha-MG
Durante o período, o Iepha-MG e o Conselho Estadual do Patrimônio Cultural ampliaram ações de proteção de bens materiais, imateriais e paisagens culturais. Em 2022, a Portaria Iepha nº 22 estabeleceu proteção provisória estadual para a Serra do Curral, enquanto prosseguiam os estudos e a articulação federativa para sua salvaguarda.
Em novembro de 2022, reunião do Conep presidida por Oliveira aprovou o tombamento de Santana dos Montes utilizando, pela primeira vez no Estado, uma metodologia de proteção híbrida e participativa que articulou bens materiais e referências imateriais.